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Policiais serão expulsos se tiverem ligação no sumiço de Juan, diz PM

Policiais serão expulsos se tiverem ligação no sumiço de Juan, diz PM

Atualizado: Quarta-feira, 6 Julho de 2011 as 4:41

Corpo achado na semana passada era do menino

Juan, diz Polícia Civil (Foto: Reprodução/TV Globo)

  O comandante-geral da Polícia Militar, Mário Sérgio Duarte, informou na tarde desta quarta-feira (6) que os quatro policiais militares investigados após o sumiço do menino Juan Moraes, de 11 anos, foram afastados do 20º BPM (Mesquita) e agora estão na Diretoria Geral de Pessoal (DGP). Eles já tinham deixado de trabalhar nas ruas.

Segundo a polícia, eles ficam sem nenhuma função interna, mas têm que comparecer à DGP.

"A partir de hoje, os policiais não exercerão nenhuma função. Se ficar comprovada a participação deles na morte do menino Juan, eles serão expulsos da corporação e terão de responder à Justiça", disse Duarte.

Ele falou ainda que "é chocante um menino de 11 anos ser covardemente, barbaramente assassinado, tendo o corpo escondido. A família fica sofrendo".

Ainda segundo Duarte "é sempre chocante para nós vermos policiais envolvidos. Muito mais quando chegamos à conclusão de que, de fato, participaram disso, mas a PM não pode afirmar ainda que esse é o caso", explicou ele.

Corpo achado na semana passada é de Juan, diz Polícia Civil

A chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, confirmou nesta quarta-feira (6) a morte do menino Juan, de 11 anos. Ele estava desaparecido desde 20 de junho, após uma operação do 20º BPM (Mesquita), na Favela Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Em entrevista coletiva, Martha Rocha informou que o corpo encontrado na semana passada que havia sido identificado como de uma menina , era, na verdade, o de Juan. A confirmação veio através de dois exames de DNA.

"Não há a menor sombra de dúvida de que se trata do menino Juan", disse Sergio Henriques, diretor de polícia técnica, durante a coletiva. "Houve um erro de precipitação da perita, e ela vai responder a uma sindicância," explicou sobre o erro na identificação do sexo do corpo.

A chefe de Polícia Civil também afirmou que o delegado Claudio Nascimento de Souza não é mais o titular da 56ª DP (Comendador Soares). O caso do desaparecimento do menino Juan começou a ser investigado pela 56ª DP, mas depois foi transferido para a Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense.

Depoimentos

O depoimento dos 11 policiais militares sobre o desaparecimento do menino Juan durou 13 horas e foi concluído por volta das 2h desta quarta-feira (6), na Divisão de Homicídios (DH) da Baixada Fluminense. Não foi revelado o teor dos depoimentos, mas,  desde o começo do caso, os PMs garantem que não viram o menino em nenhum momento no tiroteio.

Além dos quatro policiais que disseram ter participado do confronto contra traficantes na favela, outros sete policiais, que estavam num raio de dois quilômetros do local também foram ouvidos.

Dos quatro PMs que foram afastados das ruas, dois já estiveram envolvidos em situações em que o suspeito é morto em confronto com a polícia. Um cabo esteve envolvido em autos de resistência oito vezes e o outro 13 vezes.

Na hora da ocorrência na comunidade Danon, os PMs ocupavam cinco carros, já periciados. Os dados do GPS dessas patrulhas também já estão com a Polícia Civil.

Dois baleados no tiroteio

Juan, o irmão dele, Wesley, de 14 anos, e o jovem Wanderson dos Santos de Assis, de 19, foram baleados durante a troca de tiros. Juan vinha da casa de um amigo com o irmão quando ocorreu o confronto. A caminho de casa, os meninos precisavam cruzar um caminho entre os muros altos de duas casas, quando foram atingidos.

Testemunhas

Por telefone em entrevista ao Fantástico, Wanderson contou que viu quando Juan foi alvejado : “O pequenininho passou na minha frente. E assim que a gente saiu, chegou no finalzinho do beco, aí começou o tiroteio. Eles começaram a atirar. Muito tiro. Aí ele foi baleado, eu tomei três tiros. Eu vi quando ele tomou o tiro. Ele estava na minha frente, então eu vi. As balas vinham de uma direção só”, disse.

Wanderson teve alta na segunda-feira (4) e, assim como a família de Juan , foi incluído no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas.     Registro na delegacia

No registro de ocorrência feito na delegacia, à 1h44, os PMs apresentaram uma arma e drogas como sendo de Wanderson e apontaram Wesley como menor infrator. Mas, 45 minutos depois, mudaram o depoimento: Wesley passou de infrator a testemunha. Wanderson ficou cinco dias algemado à cama, até ter a prisão relaxada pelo juiz.          

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