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Policial falou que levou grupo de PMs à rua da casa de juíza

Policial falou que levou grupo de PMs à rua da casa de juíza

Atualizado: Sexta-feira, 30 Setembro de 2011 as 3:41

O policial militar que teve a prisão temporária decretada na quinta-feira (29) suspeito de envolvimento no assassinato da juíza Patrícia Acioli disse, na manhã desta sexta-feira (30), na Divisão de Homicídios, na Barra, Zona Oeste do Rio, que levou o grupo de policiais presos à rua onde a juíza morava e mostrou a casa dela, porque eles alegaram que queriam aprofundar as investigações sobre uma briga ocorrida meses antes no local entre a juíza e seu companheiro.

As informações são do defensor público Leonardo Rosa Melo da Cunha, que representa o PM. Ele disse na tarde desta sexta que o nome desse policial surgiu no depoimento do PM preso, que também denunciou o ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) como mandante do crime. Segundo o defensor, o policial procurou a Defensoria Pública na quinta-feira (29) pedindo para se apresentar à DH. Quando soube do pedido de prisão temporária contra ele, segundo o defensor, ele manteve o propósito de se entregar.

O policial, um soldado de 27 anos que, segundo o defensor, cursa o sexto período da faculdade de direito e faz curso na Academia de Oficiais da Polícia Militar, foi preso no momento em que começou seu depoimento, na manhã desta sexta na DH. Ele entregou a arma e, da DH, onde ainda se encontra na tarde desta sexta, deverá seguir para a Unidade Prisional da PM.

Para o defensor, a participação do soldado no episódio foi "involuntária e obra do mero acaso". Ele disse que poderá pedir a revogação da prisão temporária.

"Sem desmerecer e desrespeitar as decisões da Justiça, acho que a prisão é desnecessária", disse.

Segundo o defensor, o soldado da PM estava de plantão no DPO de Piratininga, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, quando, em janeiro, foi chamado para uma ocorrência na casa da juíza, que mora nas proximidades. Lá estaria ocorrendo uma confusão envolvendo a juíza e seu companheiro. Ele foi ao local com mais cinco policiais, mas, segundo o defensor, ele nem chegou a ver a juíza Patrícia.

Ainda segundo o defensor, um mês antes da morte de Patrícia, um dos policiais que está preso por suspeita de envolvimento no crime, e que conhecia o soldado, pediu a ele que acompanhasse um grupo de policiais até a casa da juíza porque queriam concluir a investigação sobre a briga.

Segundo o TJ-RJ,  o soldado participou do crime ao indicar o endereço da juíza aos outros PMs envolvidos no crime. O pedido de prisão foi feito pelo delegado Felipe Ettore e reiterado pelo Ministério Público. Outros nove policiais e o ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) estão presos.

Na quarta-feira (28),  a polícia havia informado que tinha certeza da participação de mais um policial militar na morte da juíza.

Operações ilegais

Um dos cabos presos por suspeita de envolvimento com a morta da magistrada disse aos investigadores que o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira – quando comandava o batalhão de São Gonçalo – fazia operações ilegais e ainda ficava com parte do material apreendido. O tenente-coronel foi exonerado e está preso em Bangu 1, depois de o cabo acusá-lo de ser o mandante do assassinato da juíza , quando ainda era o comandante do batalhão.

Em trechos do depoimento, publicados na quarta pelo jornal “O Globo”, um dos cabos presos afirmou que o tenente-coronel recebia parte das apreensões feitas irregularmente por PMs do 7º BPM (São Gonçalo).

Ainda de acordo com o depoimento, as armas usadas no assassinato de Patrícia Acioli foram apreendidas em operações policiais em favelas e parte da munição, usada no crime, pertencia ao batalhão de São Gonçalo.

O cabo disse ainda que após ter sido preso com um tenente e o outro cabo, o ex-comandante esteve no batalhão prisional, em Benfica, na Zona Norte do Rio, e se comprometeu a ajudar os três, indicando inclusive um advogado para defendê-los.

O cabo decidiu colaborar com a polícia em troca do benefício da delação premiada, que pode garantir a ele redução de pena.

Na terça-feira (27), o tenente-coronel esteve na DH e ao chegar ao local afirmou ser inocente . Ele deixou a delegacia sem prestar depoimento, a pedido do advogado de defesa, que alegou desconhecer o inquérito, e voltou para a prisão.

Após a exoneração de Cláudio Luiz de Oliveira do comando do batalhão da Maré, o coronel Isidro, que era subcomandante, assumiu temporariamente o posto de comandante do 22º BPM.        

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