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Policial que acusou Orlando Silva presta novo depoimento na PF

Policial que acusou Orlando Silva presta novo depoimento na PF

Atualizado: Segunda-feira, 24 Outubro de 2011 as 2:39

O policial militar João Dias, que denunciou suposto

esquema de fraude no Ministério do Esporte, chega

à Polícia Federal nesta segunda (24) (Foto: Lucas

Cyrino / G1)     O policial militar João Dias Ferreira, que acusou o ministro do Esporte, Orlando Silva, de receber propina foi nesta segunda-feira (24) à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para apresentar supostas provas que incriminariam o ministro e prestar novo depoimento. Ele chegou por volta das 11h40.

João Dias afirmou que entregará 13 novos arquivos de áudios que não constam no processo e que incriminam assessores do alto escalão do ministério, diretamente relacionados ao ministro Orlando Silva. Segundo o policial militar, não há conversas gravadas de Orlando Silva, mas sim de pessoas próximas a ele.

"Se a reunião é feita no sétimo andar, na secretaria executiva, se a reunião é feita sobre assunto do Segundo Tempo, se a reunião é feita com a cúpula, não tem para onde correr, é diretamente interesse do ministério" disse o policial militar. João Dias disse ainda que a reunião ocorrida "na calada da noite" no Ministério do Esporte, divulgado na revista "Veja" desta semana, aconteceu com o propósito de cessar a produção de documentos falsos que poderiam prejudicar o projeto com as ONGs. De acordo com ele, estes mesmos documentos falsos deram origem à Operação Shaolin, em 2010, na qual João Dias foi preso.

"Na reunião havia duas pessoas que falam e duas pessoas que não falam. (...) As duas que falam eram Charles [Rocha], (..) e o atual secretário de Esporte Educacional, Fábio Hansen. Sentado assistindo estava o Adson [secretário do ministério do Esporte] e Julio Filgueira, que na época era secretário", disse.     João Dias mostra documentos que provariam

supostas fraudes (Foto: Lucas Cyrino / G1)   Em nota, o Ministério do Esporte questionou a apresentação da conversa e diz que pedirá à Polícia Federal para incorporar a gravação à investigação em andamento sobre o suposto esquema de desvio.

João Dias disse, ainda, acreditar que "a partir dessa semana, muitos donos de entidades passarão a vir aqui, até porque nenhum deles têm condições de aprovar as contas no Ministério do Esporte".

"Depois que eu não concordei em fazer parte e estou revelando estes fatos, estão sendo produzidos documentos. (...) Quando nós fomos lá [na reunião no ministério) foi para mostrar que nós não temos nada, nada com o que acontece no ministério", disse o policial.

O PM também disse que prestará esclarecimentos a deputados na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (26). João Dias prometeu divulgar, até quarta, oito vídeos que mostrariam um ex-funcionário de instituto negociando delação premiada com autoridades do Distrito Federal em troca de acusações falsas contra João Dias.

Denúncias no Esporte

A presidente Dilma Rousseff decidiu na sexta (21) manter o ministro Orlando Silva no governo apesar de ele ter enfrentado quase uma semana de desgaste político, depois da divulgação da denúncia de que o ministro teria participação em um esquema de desvio de dinheiro público do Segundo Tempo, um programa do federal destinado a promover o esporte em comunidades carentes.

Silva foi acusado pelo policial militar João Dias Ferreira, em reportagem publicada pela revista "Veja" na semana passada, de ter recebido um pacote com notas de R$ 50 e R$ 100 na garagem do ministério.

Durante toda a semana, o ministro negou participação no suposto esquema e afirmou que não há provas contra ele. Em audiência no Senado, disse que a denúncia é uma tentativa de tirá-lo à força do ministério.

Afirmou também que a acusação é uma "reação" à cobrança do ministério, que pede a devolução, por supostas irregularidades, de R$ 3 milhões recebidos pelas ONGs do policial de convênios com o Ministério do Esporte.          

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