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Por lembrá-lo da filha, avô de bebê salvo na serra o viu 1 vez em um mês

Por lembrá-lo da filha, avô de bebê salvo na serra o viu 1 vez em um mês

Atualizado: Sexta-feira, 11 Fevereiro de 2011 as 2:40

O resgate do bebê Nicolas, de 6 meses, emocionou os bombeiros que atuaram por mais de 15 horas para resgatar a criança, os pais, e a avó, após um deslizamento em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, após as chuvas de janeiro. Na tragédia, apenas o menino e o pai sobreviveram.

Passados 30 dias da catástrofe causada pela chuva, o avô do bebê, Edmo Cardoso, diz que só viu o neto uma vez. Ele explica que o neto o remete à lembrança de sua filha Renata, mãe do bebê.

“O meu genro diz que neste instante é preciso ter solidariedade e a família precisa ficar mais unida. Mas eu ainda não consigo me aproximar, ele tem que entender que eu era o pai, é muito triste saber que não tenho mais minha filha. A gente nunca espera enterrar um filho, essa não é a ordem natural dessas coisas”, conta o avô.     Tragédia no trabalho Edmo trabalha como zelador de um prédio próximo à rua onde ocorreu o desabamento da casa onde estava parte de sua família. Ele conta que ao chegar ao trabalho, viu muitos curiosos e bombeiros em meio ao barro e à lama. Pouco tempo depois, o zelador descobriu que se tratava de sua filha, a ex-mulher, o genro e o neto.   “Quando eu soube que eram eles, passei muito mal, e tive que ser sedado. Mal consegui ir ao enterro da minha filha. Ela era muito especial e nos falávamos diariamente. Ainda tenho a mania de pegar o celular e ligar pra ela, aí quando me dou conta que ela não está mais aqui entre a gente, começo a chorar”, diz entre lágrimas o zelador.

Traumas da chuva

Edmo chegou a procurar atendimento médico e psicológico para tentar esquecer o trauma.

“Tomo dois calmantes todos os dias, mas os próprios médicos disseram que só o tempo mesmo pode curar essa ferida imensa que está no meu coração”, lamenta.     De acordo com Edmo, a mãe de Renata havia retornado a Nova Friburgo na tarde de terça-feira, 11 de janeiro. Horas após chegar em casa, começou a chover forte, e a queda de duas barreiras destruiu a moradia.     “Ela chegou de tarde e morreu de madrugada. A Maria de Fátima estava no Rio, na casa do namorado, e voltou naquele dia. É uma coisa que não dá para entender. Fomos casados por 27 anos, já estávamos separados há alguns anos, e, o nosso relacionamento era como o de irmãos. Éramos muito próximos”, conta Edmo.    

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