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PR quer processar "Veja" por reportagem sobre esquema no ministério

PR quer processar "Veja" por reportagem sobre esquema no ministério

Atualizado: Segunda-feira, 4 Julho de 2011 as 7:20

O deputado Valdemar Costa Neto, secretário-geral do PR, afirmou em nota que o partido vai entrar na Justiça contra a revista "Veja" e os jornalistas que escreveram reportagem sobre suposto esquema de corrupção no Ministério dos Transportes.

"A apresentação de acusações apócrifas e a falta de qualquer indício, prova ou documento que ampare as afirmações da revista 'Veja' desta semana exige do PR providências enérgicas", diz Valdemar.

Segundo a reportagem, representantes do PR, funcionários do ministério e de órgãos vinculados à pasta montaram um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por empreiteiras e consultorias.

Ontem, o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) determinou o afastamento de quatro funcionários da cúpula do ministério.

De acordo com Valdemar, as relações de lideranças do partido com o ministério são públicas e transparentes.

"Estas relações, notadamente institucionais, são regulares, decorrem do desempenho das funções de secretário geral da legenda partidária, e dizem respeito ao acompanhamento das demandas por benfeitorias federais de interesse das regiões onde o partido tem representação política", diz o deputado na nota.

Ele afirma ainda que a Executiva Nacional do PR apóia uma investigação sobre o caso para "ficar provada a inocência dos republicanos afastados".

Segundo Valdemar, ninguém está autorizado a discutir qualquer contrato público em nome do partido.

TRANSPORTES

Alfredo Nascimento só tomou a decisão de afastar os servidores depois de conversar por telefone com a presidente Dilma Rousseff.

A Folha apurou que ela não descarta trocar o próprio Nascimento. Por isso, chamou-o para uma reunião.

A administração de Nascimento já recebia críticas. No início de maio, o governador Cid Gomes (PSB-CE) chamou o ministro de "inepto, incompetente e desonesto".

A revista "Veja" citou como envolvidos no esquema de cobrança de propina o chefe de gabinete do ministro, Mauro Barbosa, o assessor Luís Tito Bonvini, o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luís Antônio Pagot, e o diretor-presidente da estatal Valec, José Francisco das Neves.

Em nota divulgada ontem, o ministério informou que abrirá uma sindicância interna e determinou o "desligamento temporário" dos servidores para o "pleno andamento da apuração".

Segundo a reportagem, empreiteiros e consultorias de engenharia pagavam de 4% a 5% de "pedágio político" sobre o valor das obras do governo federal feitas com verbas do ministério.

A maior parte da verba, diz a revista, é destinada ao PR. De acordo com a reportagem, que chama o caso de "mensalão do PR", Valdemar escolhe as empresas que vão realizar projetos e obras de transporte do governo.

A revista afirma que o servidor Bonvini é o emissário do ministro, e Valdemar leva os pagamentos das comissões ao PR. O chefe de gabinete do ministro seria o responsável por liberar as verbas. Os diretores do Dnit e da Valec também são citados como membros do esquema.

Pagot diz estar aborrecido. A Folha ainda não localizou os outros envolvidos.

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