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"É preciso ter humor em tudo, até no drama", diz Eva Wilma

"É preciso ter humor em tudo, até no drama", diz Eva Wilma

Atualizado: Quinta-feira, 23 Setembro de 2010 as 11:12

Aos 76 anos – quase 60 deles em cima de palcos ou na frente de câmeras de cinema e televisão – a atriz Eva Wilma defende a necessidade do humor: “É preciso ter humor em tudo, até no drama. Há sofrimento nas lágrimas, mas é preciso ter o riso também, para a vida ser melhor”. A receita, além do riso, também inclui trabalho, muito trabalho.

Nesta sexta, ela chega aos cinemas na comédia “A guerra dos vizinhos”. Na segunda seguinte, volta à televisão na novela “Araguaia”, na Rede Globo. A atriz conta que não importa onde seja o trabalho – ela gosta mesmo é de representar e fica feliz com o reconhecimento do público.

Eva e a comédia se dão bem há muito tempo. Prova disso é um dos maiores sucessos de sua carreira na televisão, o seriado “Alô, Doçura”, criado nos anos de 1950, no qual trabalhou com seu marido na época, o ator John Herbert. “O programa tinha um tempo de comédia muito peculiar, isso por conta da genialidade do Cassiano [Gabus Mendes, criador do televisivo]”. A atriz acredita que atualmente, o mesmo tipo de comédia ainda faz bastante sucesso. “Há muito disso nas personagens que faço em ‘A guerra dos vizinhos’ e ‘Araguaia’”.

No filme, Eva é Adélia que, ao lado de duas irmãs, todas solteironas, atormentam a vida da vizinhança, levando uma vida solitária. Embora elas pareçam frustradas, a atriz defende as personagens. “Para mim, elas são velhinhas muito felizes, que levam suas vidinhas e ficam danadas com os vizinhos que as infernizam.” Eva foi convidada para atuar ao lado de Karin Rodrigues e Vera Mancini – que interpretam suas irmãs. “O convite surgiu do Rubens [Xavier, diretor e roteirista], quando ele foi assistente num filme em que trabalhei, “Veias e Vinhos” [de João Batista de Andrade]. A trama parte de uma história real, mas junta-se a isso a fantasia do Rubens, que criou o filme”.

A briga na vizinhança rende cenas de troca de farpas entre personagens, mas, para Eva, tudo é diversão. “Precisei usar muito bom humor para fazer minhas cenas, especialmente quando as personagens ficam xingando e fazendo gestos quase obscenos. Precisei fazer tudo de forma divertida para não ficar pesado”.

Na televisão também não é diferente – o humor impera. Em “Araguaia”, Eva é uma ex-garota de programa que agora tem um salão de beleza. A atriz comemora o fato de, pela primeira vez em sua carreira, estar contracenando com a amiga Laura Cardoso. “É um encontro histórico”, comemora.

Os pontos altos

Apesar de todo esse apego pelos personagens cômicos, Eva conta que considera seus trabalhos mais queridos dois dramas, e bem sérios: “São Paulo Sociedade Anônima” (1965), de Luis Sérgio Person, e “Cidade Ameaçada” (1960), de Roberto Farias. “São dois filmes muito importantes na cinematografia do Brasil. Tenho muito orgulho deles”.

Do trabalho com Person, Eva conta ter “lembranças muito intensas”. “A nossa amizade foi muito forte. Ele tinha muito talento e muito humor. No sítio dele havia uma placa escrito ‘cachorro bravo e dono louco’”, lembra rindo. Ela também aponta que a receptividade do cineasta facilitava o trabalho. “Ele gostava muito de que déssemos sugestões. Havia uma cena que estava no final do filme, era bem dramática, de uma briga, uma separação. E ele mudou para o começo. Fiquei feliz com isso”.

Na televisão, Eva destaca a primeira versão de “Mulheres de Areia”, exibida na TV Tupi, em 1973. ”Nós batemos a Globo em índice de audiência na época. A Regina Duarte recebeu um prêmio de melhor atriz naquele ano, mas disse que a premiada deveria ser eu. Ela foi muito modesta me oferecendo o prêmio”, conta a atriz, que fez as gêmeas Ruth e Raquel, reprisadas duas décadas depois na Globo por Gloria Pires.

Outro papel marcante de Eva na televisão foi na primeira versão de “A Viagem” (1975), uma das obras pioneiras a abordar o tema do espiritismo na televisão brasileira. Hoje, cinema e tevê se renderam ao poder do assunto para atrair o público. “Lembro-me de que, na época, antes mesmo de começarmos a gravar a novela, tivemos uma palestra com o Chico Xavier

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