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Prefeitura do Rio pede doação de sangue para vítimas de explosão

Prefeitura do Rio pede doação de sangue para vítimas de explosão

Atualizado: Quinta-feira, 13 Outubro de 2011 as 4:12

A Secretaria municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC), em parceria com o HemoRio, pede à população que doe sangue às vítimas da explosão ocorrida na Praça Tiradentes, no Centro da Cidade, nesta quinta-feira (13).  As doações são essenciais para os atendimentos de urgência e emergência.

Três pessoas morreram e 17 ficaram feridas, sendo que sete já tiveram alta. Três vítimas estão internadas em estado grave.

Para doar sangue é preciso ter entre 18 e 60 anos, pesar mais de 50 quilos e estar em boas condições de saúde. As doações podem ser feitas diretamente no HemoRio que fica na Rua Frei Caneca, 8, no Centro. Mais informações no Disque Sangue: 0800-282-0708.

A Secretaria municipal de Saúde informou, que nove pessoas permanecem internadas no Hospital Municipal Souza Aguiar. Dois feridos estão em estado grave e passam por cirurgia. Outro paciente grave foi transferido para o Hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul. No total, 17 pessoas se feriram; sete já tiveram alta do Souza Aguiar. Outras três pessoas morreram.

Dois internados no Souza Aguiar são funcionários do restaurante: uma garçonete e o chefe de cozinha. Segundo a secretaria, a jovem teve trauma no tórax e fratura de fêmur. O homem teve traumatismo craniano grave, trauma no tórax, fratura de fêmur e lesão ocular.

A pessoa ferida no Miguel Couto também seria funcionário do restaurante e sofreu traumatismo craniano, lesão no pescoço e lesão ocular. A secretaria informou que a maioria dos feridos sem maior gravidade teve escoriações e cortes pelo corpo.   Uma câmera de monitoramento da Prefeitura do Rio registrou o momento da explosão ocorrida na lanchonete. Segundo os bombeiros, equipes seguiriam nesta tarde realizando buscas nos escombros.

Lanchonete não tinha autorização para usar gás, dizem bombeiros

O comandante do Corpo de Bombeiros e secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, afirmou que a lanchonete onde houve uma explosão na manhã desta quinta-feira (13), no Centro do Rio de Janeiro, não tinha autorização para utilizar gás combustível e não tinha todos os papéis necessários para seu funcionamento.

Segundo ele, nenhum estabelecimento no prédio tinha autorização para usar cilindros de gás. "O laudo emitido pelo Corpo de Bombeiros, datado de agosto de 2010, não autorizava o uso de cilindros no prédio, era proibido", afirmou Simões, acrescentando que até o início da tarde desta quinta-feira (13) foram encontrados três botijões de gás no local e bombeiros buscam mais quatro cilindros no prédio.

Segundo o comandante, o condomínio entregou um projeto aos bombeiros para regularizar a segurança contra incêndio. Em agosto de 2010, a corporação emitiu um laudo de restrições. A partir daí, segundo Simões, cada loja deveria solicitar o certificado de aprovação para funcionar. Segundo Simões, no entanto, o restaurante não solicitou o documento e não poderia funcionar no edifício comercial.      “A edificação não foi aprovada para utilização de gás combustível, seja sob a forma de cilindros de GLP ou canalizado de rua, não sendo admitido abastecimento de qualquer tipo de gás combustível sem prévia autorização pela DGST", diz o laudo dos bombeiros. DGST é a sigla da Diretoria Geral de Serviço Técnico, um departamento do Corpo de Bombeiros.

Simões informou ainda que a fiscalização nesse caso é feita através denúncias. Ele acredita que a causa mais provável da explosão tenha sido um vazamento de gás em cilindros. A Companhia Distribuidora de Gás do Rio (CEG) informou, por meio de nota, que "desde 1961 não fornece gás canalizado para o prédio". Funcionários da lanchonete relataram ter percebido o cheiro do vazamento antes do acidente.

Em vistoria nesta manhã ao prédio, o comandante dos Bombeiros lembrou que na quarta-feira foi feriado e, com a ausência de atividade na lanchonete, o gás pode ter se acumulado. "Hoje pela manhã, na abertura das lojas, esse gás encontrou fonte de ignição e a velocidade de queima é muito grande", avaliou o comandante.

"Por conta disso, a violência da explosão comprometeu vigas estruturantes do prédio. A Defesa Civil está fazendo uma avaliação sobre as providências que devem ser tomadas", completou Simões, que não descarta a hipótese de haver vítimas sob escombros no local.

O comandante dos bombeiros acredita que o prédio deva ficar interditado por pelo menos mais dois dias, já que todo o primeiro andar e o subsolo foram comprometidos de maneira extensa. "As vigas que sustentam os pilares foram quase totalmente comprometidas. Agora é um trabalho de engenharia. Primeiramente, eliminando todas as partes instáveis que ainda causam riscos aos bombeiros", avaliou Simões.

A destruição causada pela explosão impressionou os envolvidos no resgate. “É um cenário de guerra. Parece que a gente está no Iraque. É uma coisa espantosa, inacreditável. Pessoas foram arremessadas”, disse o cabo Dielson da Silva Evangelista.

Interdições de imóveis

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, esteve no local nesta manhã informou que, até que seja finalizado o trabalho, os imóveis no entorno ficarão interditados. No local, além do prédio onde fica a lanchonete, há um hotel e um prédio residencial. “Vamos trabalhar com a possibilidade de risco zero. A área só será liberada depois que a Defesa Civil e técnicos disseram que não há risco de desabamento”, disse Paes.

O presidente em exercício do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro(Crea-RJ), Cleyton Guimarães, disse, em entrevista à Globo News, que nenhum risco de desabamento imediato foi detectado, já que houve a preservação das estruturas principais do prédio. "A explosão foi muito grave, muito intensa, a gente pode observar pelo deslocamento de materiais e pelo número de feridos", avalia.

Para Guimarães, a hipótese mais provável é mesmo a explosão de gás que vazou de cilindros. "Certamente é uma explosão advinda de gás acumulado. Mas precisamos agora também verificar qual é a origem desse gás. A CEG nos informa que não há de fato gás canalizado na região”, disse Guimarães.

“Tivemos informações também que um jornaleiro alertou com relação ao cheiro forte de gás que existia no local. Mas ainda vamos aguardar, nós também vamos fazer a nossa perícia, com um especialista nossa em cálculo estrutural, uma avaliação também de patologia de concreto para termos também uma confirmação e darmos uma contribuição aos nossos colegas da Defesa Civil”, disse o presidente em exercício do Crea-RJ.

O local

A lanchonete Filé Carioca, que ficou totalmente destruída pela explosão, funcionava em um prédio de onze andares. Com o impacto da explosão, oito andares foram atingidos. O local fica na Praça Tiradentes, na Rua da Carioca, a 30 metros de um posto da Polícia Militar.

Uma funcionária da lanchonete contou que ela e mais três funcionários sentiram um forte cheiro de gás ao chegar à lanchonete pela manhã. O chef de cozinha teria dito, então, para eles saírem do local. Pouco depois, houve a explosão e os três corpos foram arremessados a pelo menos 10 metros da lanchonete.

Feridos

Pelo menos 40 bombeiros do quartel Central foram deslocados para socorrer as vítimas. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, 17 pessoas ficaram feridas, sendo três em estado grave - dois com traumatismo craniano e um com traumatismo abdominal. Por volta das 11h30, seis pessoas tinham recebido alta. Entre os feridos, 16 foram encaminhados para o Hospital Souza Aguiar e um dos feridos foi levado para o Hospital Miguel Couto.

Sem gás canalizado

A Companhia Distribuidora de Gás do Rio (CEG) disse, por meio de nota, que "desde 1961 não fornece gás canalizado para o prédio em que houve a explosão". A Companhia informou ainda que "foi acionada pelo Corpo de Bombeiros às 7h42 e que desde as 8h está no local, por medida de prevenção e segurança, e para prestar toda colaboração na identificação das causas do acidente".

Procurada pelo G1, a assessoria da Light informou que o fornecimento de energia é normal e que não tem qualquer responsabilidade no incidente.

Interdições

O Centro de Operações da Prefeitura do Rio informou que foram interditadas as ruas Visconde de Rio Branco (na altura da Praça Tiradentes), da Carioca, da Assembleia, Avenida República do Paraguai (em frente à Rua Evaristo da Veiga, em direção à Rua da Carioca) e uma faixa da Rua do Lavradio (na altura da Avenida República do Chile).

Equipes da Prefeitura, como agentes da CET-Rio, Guarda Municipal e Comlurb, além de Bombeiros e Policiais Militares estavam no local, que permanecia isolado.

Como alternativa, os motoristas que circulam pelo Centro podem utilizar as avenidas Rio Branco, Almirante Barroso, República do Chile, além das ruas do Lavradio, do Senado, Vinte de Abril e Avenida Mem de Sá.            

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