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Prefeitura mantém ruas fechadas em área onde houve explosão no Rio

Prefeitura mantém ruas fechadas em área onde houve explosão no Rio

Atualizado: Segunda-feira, 17 Outubro de 2011 as 9:47

Quatro ruas do Centro do Rio permanecem interditadas na manhã desta segunda-feira (17) no local onde houve a explosão de um restaurante na Praça Tiradentes . A explosão na quinta-feira (13) deixou 3 mortos e 17 feridos. Segundo o Centro de Operações Rio, a interdição é para garantir a segurança de motoristas e pedestres. As vias interditadas são Rua Visconde de Rio Branco (na altura da Praça Tiradentes), Rua da Carioca, Rua da Assembleia (a partir da Avenida Rio Branco), Avenida República do Paraguai (em frente à Rua Evaristo da Veiga, em direção à Rua da Carioca).

Será feita uma nova avaliação do local nesta segunda. Enquanto isso, a CET-Rio instalou quatro painéis móveis informando das interdições nos seguintes locais: Rua República do Paraguai, antes do Largo da Lapa, sentido Praça Tiradentes; Avenida Marechal Floriano, antes da Avenida Passos, sentido Rio Branco; Avenida Rio Branco, antes da Rua da Carioca; e Avenida Passos, antes da Avenida Presidente Vargas.

Seis cilindros de gás são retirados de local de explosão

No domingo (16), operários da empresa contratada pela prefeitura do Rio para remover os escombros do restaurante retiraram do subsolo do prédio seis cilindros de gás de 45 kg, cada um. Segundo o engenheiro Fábio Bruno Pinto, responsável pelo trabalho, os cilindros estavam numa área próxima de onde seria o vestiário dos funcionários do restaurante. O material já foi encaminhado à perícia.

Segundo o engenheiro, mais um computador também foi encontrado no local no domingo.

“Nas escavações no sábado, localizamos os cilindros. Mas no momento da remoção, um deles começou a vazar. Por medida de segurança, interrompemos o trabalho. Como a área já está arejada, deixamos o gás escapar e retomamos o trabalho neste domingo, já com o cilindro sem gás”, explicou Bruno Pinto.

O engenheiro informou ainda que os operários ainda não chegaram ao local onde funcionava a cozinha do restaurante e que pode ter mais algum cilindro de gás nesta área. Os operários também procuram ligações de gás dos cilindros até a cozinha e outros computadores que possam ter as imagens gravadas do restaurante.

Mangueira e quatro HDs

No sábado (15), os operários encontraram  no subsolo do edifício o pedaço de uma mangueira atada a uma válvula que pertenceria a um cilindro de gás. De acordo com o delegado Antônio Bonfim, da 5ª DP (Mem de Sá), o material pode ajudar a esclarecer o vazamento, já que a mangueira estava envolvida em fita isolante.

“Isso pode ser um indício do vazamento de gás. Essa mangueira se encaixa exatamente no pedaço de cilindro que foi encontrado a cerca de 30 metros do restaurante, no dia da explosão, segundo o perito que acompanha a remoção. Como o pedaço da mangueira está envolvido em fita isolante, isso fortalece a tese do vazamento de gás”, disse o delegado.

A assessoria de imprensa da empresa fabricante da mangueira garantiu que o material é utilizado em botijões de 13 kg, e não em cilindros.

Além deste material, os operários também encontraram quatro discos rígidos (HDs) de computdores nos escombros, no subsolo do prédio. Mas segundo Bonfim, como havia uma lan house nas imediações, o material será encaminhado para análise para saber se algum deles era do restaurante e contém as imagens do circuito interno do estabelecimento.   “Todo o material encontrado no prédio está sendo encaminhado à perícia. Fiz questão de ir ao local para orientar o pessoal a catalogar tudo o que for encontrado no subsolo, com local e posição, para sabermos se o material é do restaurante ou de outra loja do prédio”, acrescentou o delegado.

O advogado do dono do restaurante informou que nenhum funcionário fazia a troca do gás e que os cilindros foram recarregados pela empresa SHV Gás, dois dias antes da explosão. A polícia vai convocar representantes da empresa para depor.

A assessoria de impresa da empresa informou que a manutenção é de responsabilidade do consumidor.

Depoimento do proprietário

O dono do restaurante Filé Carioca só vai prestar depoimento nesta segunda , na 5ª DP (Mem de Sá), conforme informou o delegado Bonfim. Segundo ele, surgiram novos elementos que precisam ser explicados, como a existência de gravações de imagens do circuito interno do restaurante e de recarga e manutenção do sistema de gás do recinto.

De acordo com o delegado, as imagens estão no disco rígido do computador, sob os escombros do prédio. Elas poderão ajudar a entender o que aconteceu no restaurante. Ainda segundo Bonfim, o dono do restaurante conseguia ver de casa o que acontecia no estabelecimento, mas não tinha como gravar as imagens de lá.

Costelas quebradas

O advogado do dono do restaurante, Bruno Castro, esteve na delegacia na tarde de sábado e informou que seu cliente ainda está muito abalado, sendo acompanhado por um médico. O irmão do proprietário, que era gerente do restaurante, teve fratura de costelas e também deverá prestar depoimento na próxima segunda.

"Meu cliente ainda está debilitado, mas virá à delegacia na segunda. O gerente, que está com as costelas quebradas, está com dificuldades para se locomover, mas faremos o possível para que ele também venha depor. Ele contou que, ao chegar ao restaurante, encontrou a porta aberta e luzes apagadas, que não havia ninguém lá dentro por causa do cheiro de gás, e que ao se abaixar para pegar um banco para ligar a chave geral do restaurante, tudo explodiu. No momento da explosão, ele estava abaixado atrás do balcão. As imagens ficam gravadas no computador, que fica no restaurante. A empresa do circuito interno não grava essas imagens", disse o advogado.

Castro contou ainda que, segundo seus clientes, o restaurante estava regularizado, já que tinha alvará da prefeitura para funcionar, e que o estabelecimento não foi fiscalizado pelo Corpo de Bombeiros porque não fazia parte do condomínio do edifício Riqueza.

Ainda segundo o advogado, o restaurante tinha seis cilindros de gás que ficavam no subsolo, numa área arejada. E que dois dias antes da explosão, a empresa responsável pela recarga e manutenção desse sistema de gás tinha ido ao local. Ele explicou que os cilindros não eram trocados, mas sim recarregados por um caminhão.

O delegado disse que vai enviar ofício à empresa responsável pela manuteção dos cilindros de gás para saber que tipo de serviço foi realizado no restaurante na terça (11), dois dias antes da explosão.            

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