Presa em porão por 16 anos vai passar por exame de corpo de delito

Presa em porão por 16 anos vai passar por exame de corpo de delito

Atualizado: Quinta-feira, 27 Janeiro de 2011 as 12:48

A idosa mantida por 16 anos em cárcere privado pelo marido no porão de casa, em Sorocaba, a 92 km de São Paulo, deve passar por exame de corpo de delito nesta quinta-feira (27) .

De acordo com a delegada Jaqueline Barcelos Coutinho, da Delegacia da Mulher (DDM) da cidade, a vítima, que havia sido encaminhada para o Hospital Regional de Sorocaba nesta quarta (26), foi medicada e liberada no mesmo dia.  Ainda segundo a delegada, a mulher está na casa de um dos filhos, que mora na cidade de Alumínio, também no interior de São Paulo. Ela deve comparecer na tarde desta quinta para a realização de exame de corpo de delito.

O homem foi preso nesta quarta, acusado de cárcere privado. Ele estava casado com a vítima havia mais de 40 anos, mas o suspeito vivia na mesma casa com outra mulher .A companheira dele também foi presa como cúmplice. A idosa foi libertada pela Polícia Civil depois de uma denúncia anônima. De acordo com a delegada da DDM de Sorocaba, o aposentado alegou que mantinha a mulher presa porque ela era agressiva e tinha problemas mentais.  

A mulher foi encontrada sobre uma cama de concreto, praticamente sem roupas, enrolada em um cobertor. A falta de higiene causava mau cheiro. No local, um cubículo úmido e sem ventilação, não tinha luz elétrica. O aposentado alegou que a privava da energia porque ela mantinha as luzes acesas, aumentando o valor da conta.

A delegada Jaqueline Barcelos Coutinho disse ao G1 nesta quinta-feira que as condições em que a mulher vivia eram subumanas. "O cômodo onde ela estava não tinha condições de higiene, paredes com bolor, água pelo chão, baratas, caramujos, janelas emperradas, e não entrava sol. A comida era passada para ela através da grade que dava acesso ao local. Ela não tinha nenhuma condição de defesa", afirmou.

O acusado foi levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) e sua companheira, para a cadeia feminina de Votorantim, a 105 km de São Paulo. Segundo a delegada, o advogado do suspeito informou que vai entrar com pedido de liberdade provisória para que seu cliente responda pelo crime em liberdade.    

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