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Presidente da Associação Mato-grossense de Psiquiatria critica laudo de liberdade condicional de pedófilo

Presidente da Associação Mato-grossense de Psiquiatria critica laudo de liberdade condicional de pedófilo

Atualizado: Quinta-feira, 23 Abril de 2009 as 12

A presidente da Associação Mato-grossense de Psiquiatria, Rennê Figueiredo Freire, criticou o laudo que autorizou o assassino do menino Kaytto Nascimento a sair da prisão. O pedófilo, condenado por um crime semelhante, ganhou liberdade condicional sem passar pela avaliação de um psiquiatra. A família de Kaytto também criticou a decisão da Justiça.

A psiquiatra Rennê Freire assistiu às imagens do assassino confesso de Kaytto e se surpreendeu com a declaração dele dizendo que estava arrependido do crime. “Na verdade ele não está arrependido, mas ele sabe que fez algo errado e obviamente não vai dizer que fará novamente”, observou a psiquiatra.

A mãe de Kaytto, Luzia Rosa do Nascimento, revelou que na última quarta, 15, quando ainda estava à procura do filho, recebeu uma ligação no celular de um telefone sem identificação. “Pelo telefone eu pedi para que devolvesse meu filho e ninguém respondia do outro lado da linha”, disse Luzia. Ainda segundo a mãe da garoto, quem ligou foi Edson Alves Delfino, que violentou e depois matou o menino de apenas 10 anos. Ela só conheceu Edson na delegacia na noite em que ele foi preso.

Edson já tinha cometido um crime parecido no município de Primavera do Leste (a 231 quilômetros de Cuiabá) em 1999. Estuprou e matou a pauladas um menino de oito anos. Por este crime, o pedófilo foi condenado a 46 anos de prisão, mas ele se beneficiou da lei e de avaliações de psicólogos e assistentes sociais para conquistar o direito de sair da cadeia e trabalhar.

De acordo com o juiz Wladymir Perri, para que o resultado seja satisfatório ao preso, basta um atestado afirmando que o detento tenha bom comportamento. “No caso do Edson ainda foi determinado um exame criminológico, que não é obrigatório, mas mesmo assim foi determinado por causa da gravidade do crime cometido por ele. E o atestado criminológico atestou, em dois anos de prisão, que ele estava apto para o convívio social”, disse o juiz.

Conforme os documentos judiciais, a equipe de técnicos e a direção da penitenciária consideraram que o criminoso tinha bom comportamento na prisão. Mesmo assim foi realizado um segundo exame criminológico e novamente ele teve uma avaliação positiva. Na decisão do juiz estava escrito que “não encontraram qualquer impedimento sobre a conduta ou personalidade do preso”. Os documentos revelaram um alerta do Ministério Público (MP). O promotor foi contrário à progressão do regime e o preso deveria ser avaliado por um psiquiatra.

A psiquiatra Rennê Freire criticou o laudo. “O importante é ter uma equipe multidisciplinar para que faça uma avaliação com a presença do psiquiatra, pois o psiquiatra forense tem uma convivência de muitos anos com este tipo de avaliação de personalidade”, explicou a presidente da Associação de Psiquiatria.

A mãe de Kaytto passa os dias olhando as fotos do filho em uma tentativa de encontrar forças e amenizar a dor da perda. A família acha que os passos de Edson deveriam ter sido monitorados depois que ele deixou a cadeia para evitar que voltasse a cometer o crime. O primo da vítima, João Cleverson Campos, disse que a Justiça deve rever novamente esta Lei, para que esses condenados cumpram toda a pena estipulada e não cometam outros crimes.

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