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Presidente de CPI da Pedofilia visita Catanduva e quer ouvir crianças vítimas de abuso

Presidente de CPI da Pedofilia visita Catanduva e quer ouvir crianças vítimas de abuso

Atualizado: Terça-feira, 3 Março de 2009 as 12

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia no Senado, Magno Malta (PR-ES), esteve na tarde desta segunda-feira, 2 de março, em Catanduva, interior de São Paulo, para apurar as denúncias de abuso sexual contra cerca de 40 crianças na cidade.

Depois de se reunir brevemente com a juíza da Vara da Infância e Juventude, Sueli Juarez Alonso, para saber mais detalhes sobre o caso, o senador conversou com onze mães de crianças que teriam sido vítimas da rede de pedofilia na cidade. Ele ouviu delas muitas reclamações, desde a dificuldade em fazer a denúncia aos órgãos competentes assim que desconfiaram dos abusos, até as ameaças que estão sofrendo dos agressores e a soltura de um dos presos.

"Que segurança a gente tem para mandar os filhos para a escola? E ainda desempregada", disse ao senador a mãe de uma garota de dez anos que foi vítima de abuso.

A mãe relatou que tentou fazer uma denúncia na Delegacia das Mulheres, mas a delegada da época se recusou a apurar o caso dizendo que era "normal" a filha dela ter sofrido o abuso. A mãe também reclamou do fato de que muitas delas estão desempregadas e que, as que não estão, encontram dificuldades para continuar no serviço, principalmente porque necessitam levar os filhos aos psicólogos e seus empregadores se recusam a aceitar os atestados médicos que apresentam.

Depois de ouvir as reclamações das mães, o senador disse que pretende enviar um ofício ao prefeito da cidade pedindo reforço para a segurança das famílias. Malta também afirmou que pretende falar ainda hoje com o governador de São Paulo, José Serra, e o secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, para tratar das denúncias e pedir o reforço do policiamento na cidade.

Na próxima semana, segundo o senador, uma comissão da CPI deverá voltar a Catanduva para ouvir as crianças vítimas dos abusos e os acusados pelos crimes.

"Vamos ter dois ou três dias de oitivas. Vamos ouvir pessoas que estão citadas no inquérito e que não apareceram e trazer um grupo de peritos preparados para ouvir as crianças - num chamado "depoimento sem dano". Faremos a CPI a partir do depoimento das crianças. Vamos convidar a juíza para falar à CPI, assim como o Ministério Público e a delegada que fez o primeiro inquérito",  afirmou Malta.

"Pedófilo é um desgraçado da mesma ordem. Independentemente de ter dinheiro no banco, de ter estudado ou ser analfabeto. Ele é praticante do pior e do mais nojento de todos os crimes", acrescentou o senador.

Ele também informou que quer ouvir entre hoje e amanhã o depoimento de um borracheiro, chamado pelas crianças de Zé da Pipa, reconhecido e denunciado por elas e que está preso em São José do Rio Preto. Malta defende a oferta de delação premiada ao borracheiro, que, segundo ele, pode identificar outras pessoas que fariam parte da rede de pedofilia.

"Ele é um arquivo vivo que, se não tomar cuidado, vira arquivo morto. Não tenho dúvida de que, se alguém sabe e conhece todos os fios da meada desse imbróglio de Catanduva é ele", disse.

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