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Presidente do DEM critica comentário de Serra sobre Lula, mas aprova tom anti-PT

Presidente do DEM critica comentário de Serra sobre Lula, mas aprova tom anti-PT

Atualizado: Quarta-feira, 19 Maio de 2010 as 10:28

Um dos oposicionistas mais críticos à gestão petista no Palácio do Planalto, o presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), criticou seu candidato à Presidência, José Serra (PSDB), por dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está “acima do bem e do mal”. Mas avalia que o tucano usa o tom adequado ao poupar o popular mandatário e centrar fogo no PT e no governo federal.

Em entrevista a uma rádio de Recife no fim da semana passada, Serra afirmou que não desejava comparações entre ele e Lula, cuja candidata preferida é a ex-ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Em sua pré-campanha, o tucano tem evitado ataques diretos ao presidente, que goza de aprovação popular de cerca de 80%, de acordo com pesquisas de opinião pública.

''Não achei uma frase boa. Ninguém está acima do bem e do mal, ninguém está acima das leis. Mas certamente foi em um contexto e eu não estava presente'', disse Maia em entrevista ao UOL Notícias. ''O que o governador Serra tem feito de forma muito competente é um discurso mostrando as falhas do governo, o que o governo deixou de fazer, onde tinha que ter avançado''.

''Em alguns momentos ele faz a crítica correta. Em outros, não cai na armadilha de entrar em críticas pessoais ao presidente. O PT foi bastante criticado, junto com as políticas do governo. Não há nenhum problema na forma como o nosso candidato vem conduzindo esse processo'', disse o deputado.

O presidente do Democratas, que na disputa interna do PSDB esteve contra Serra e a favor do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, agora vê unidade entre DEM, PPS e PSDB. E diz que não se incomoda com pesquisas de intenção de voto que apontam acirramento da disputa entre o tucano e a petista.

Maia diz que Serra não será afetado pelo desgaste do aliado DEM durante o escândalo que levou à queda do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda , ex-filiado do partido. E critica as siglas que tiveram membros envolvidos em escândalos nos últimos anos e não os expulsaram. ''Os [envolvidos em corrupção] dos outros partidos estão neles até hoje'', rebateu.

Prognóstico e vice

Para o presidente do Democratas, ''a eleição vai abrir com cinco ou seis pontos [em favor de Serra] e vai ficar por aí''. Ele considera ''imbatível'' uma chapa formada por Serra e Aécio. ''Não faremos nenhum movimento que atrapalhe essa decisão que nós entendemos ser a melhor para o nosso candidato''.

Maia disse também que seu partido só insistirá para ter candidato a vice-presidente se o ex-governador mineiro não aceitar a tarefa. ''Qualquer discussão na imprensa neste momento de outros nomes, reivindicação de vaga é atrapalhar a pré-campanha do governador Serra, que já começou, na nossa avaliação, atrasada''.

Sobre a falta de aliados em torno da candidatura oposicionista, o presidente do Democratas alegou a falta de ''partidos com compromissos ideológicos''. ''Na oposição você tem três deles com certeza. No governo, você tem alguns que têm compromisso com seus ministérios e que nos Estados fazem o liberou geral”, atacou.

Na terça-feira, o antes fragmentado PMDB indicou seu presidente, deputado Michel Temer (SP), para ser candidato a vice na chapa de Dilma. Em São Paulo, no Rio Grande do Sul e possivelmente em outros Estados, o partido apoiará Serra.

''[Sempre aderir ao governo] é uma posição daqueles que não querem ter posições e ideias claras, que seguram suas bases com espaço no governo, cedendo espaço na televisão para o candidato do governo'' afirmou o presidente do Democratas.

A sigla, que na reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso somava 105 deputados, derreteu para 84 na votação de 2002. Quando Lula foi reeleito, em 2006, encolheu para 65 parlamentares na Casa. Ao longo do segundo mandato do petista no Palácio do Planalto, diminuiu de tamanho para 56 - muitos deles migraram para siglas satélites do governismo como PR, PTB, PP e PMDB.

Nos cenários estaduais, Maia vê chances claras de vitória no Rio Grande do Norte, com a senadora Rosalba Ciarini, líder nas pesquisas, e também em Sergipe, Santa Catarina e Bahia e Sergipe. O presidente do partido espera eleger entre 65 e 70 deputados e ficar com uma bancada de 12 a 14 parlamentares no Senado. ''Minha conta é mais realista e com um pouco de pessimismo, para a gente não sofrer no futuro'', completou.

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