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Preso pela PF pede em rádios e TV do Amapá ajuda para pagar fiança

Preso pela PF pede em rádios e TV do Amapá ajuda para pagar fiança

Atualizado: Segunda-feira, 15 Agosto de 2011 as 2:17

O presidente da Cooperativa de Negócios e

Consultoria Turística (Conectur), Wladimir Furtado,

preso pela PF na Operação Voucher e libertado no

sábado (13) (Foto: Débora Santos / G1)

  O pastor e dono da Cooperativa de Negócios e Consultoria Turística (Conectur), Wladimir Furtado, um dos suspeitos de desviar recursos do Ministério do Turismo, pediu ajuda, nesta segunda (15), em rádios e em uma emissora de televisão do Amapá, para cobrir um cheque de R$ 109 mil, valor estipulado pela Justiça como fiança para que ele fosse liberado da prisão no último final de semana.

Furtado é um dos 36 presos na semana passada pela Polícia Federal durante a Operação Voucher. Ele foi solto na madrugada de sábado (13) após obter um habeas corpus.

"Nosso martírio ainda não acabou. Até as 16h, eu tenho de levantar o dinheiro da fiança. O único patrimônio que nós temos é a nossa casa. Eu queria pedir ajuda, a quem puder ajudar, que deposite. A gente vai devolver assim que dispusermos do nosso patrimônio", afirmou Wladimir Furtado em uma TV local.

Ele é suspeito de integrar um suposto esquema de desvio de dinheiro público por meio de um convênio de R$ 4,4 milhões entre o Ministério do Turismo e o Instituto de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi) para qualificação de trabalhadores do setor de turismo no Amapá.

Segundo a Polícia Federal, a Conectur é uma empresa de fachada que fornecia notas frias para maquiar o desvio do dinheiro do convênio.

O advogado Maurício Pereira, que defende Furtado, afirmou que não há saldo disponível na conta da mulher dele, que passou o cheque, e que o cliente pode voltar para a prisão caso o cheque volte.

"Se não for possível resolver, vamos apresentá-lo à Polícia Federal novamente. Se não conseguir honrar a fiança, ele será preso", disse Pereira. Conforme o advogado, Wladimir Furtado tem imóvel e veículo, mas não há tempo hábil para a venda do patrimônio.

Reportagem publicada nesta segunda pelo jornal "O Estado de S.Paulo" diz que Furtado afirmou em entrevista que a deputada Fátima Pelais (PMDB-AP) pediu para que ele fosse "laranja" em um convênio de R$ 2,5 milhões com o governo federal. "A deputada queria pegar a Conectur para servir de laranja. Ela gostaria que a Conectur entrasse só com o nome", disse Furtado, segundo o jornal.

Em entrevista a rádios para pedir ajuda sobre a fiança, Wladimir Furtado negou que a deputada tenha pedido um "laranja", mas não deu mais detalhes.     Por meio da defesa, o pastor negou acusações de ter desviado dinheiro do Ministério do Turismo em favor da deputada. Segundo o advogado, ele confirmou ter recebido em 2008 proposta da parlamentar para que ela indicasse o administrador do convênio de R$ 2,5 milhões firmado entre a cooperativa do pastor e o ministério. Conforme o advogado, Furtado recusou a proposta, administrou o convênio, fez a prestação de contas e entregou o resultado. O G1 procurou a assessoria da deputada Fátima Pelaes, mas ainda não obteve resposta.

Em depoimentos à PF, pessoas ligadas à Conectur e presas na operação, afirmaram que parte do dinheiro desviado do ministério seria entregue à deputada peemedebista, responsável pela emenda parlamentar que liberou os recursos para o convênio alvo da fraude.

'Conectur não é fantasma'

Em entrevista a diversos veículos de comunicação no sábado, Furtado negou que a Conectur seja uma empresa fantasma.

“A Conectur não é uma empresa fantasma. Sou formado na área, e a nossa empresa era a única que tinha as informações. Vendemos uma consultoria que foi executada, e eu posso provar”, afirmou Furtado ao admitir que a cooperativa funciona em sua casa, onde também está instalada um igreja evangélica, da qual é pastor.

Prisão

Também no sábado, o pastor e presidente da Conectur, que foi prefeito do município de Ferreira Gomes (AP), lamentou a divulgação de fotos tiradas dos presos na Operação Voucher na Instituto de Administração Penitenciária do Estado.

"Eu fui fotografado sem camisa, como um presidiário normal. Fiquei só de calça. Identificado como bandido normal e me colocaram numa cela comum, mesmo eu dizendo que tenho nível superior. Minha sorte é que os presos que estavam na cela especial me reconheceram, porque eu sou uma pessoa pública. Fiquei uns 40 minutos na cela comum. Tinha 18 detentos lá dentro."

O governo anunciou que abriu sindicância para apurar a divulgação das fotos.            

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