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Primeira clínica pública de SP para tratar dependentes químicos não aceitará infratores

Primeira clínica pública de SP para tratar dependentes químicos não aceitará infratores

Atualizado: Quarta-feira, 28 Janeiro de 2009 as 12

A primeira clínica pública do estado de São Paulo para atendimento de adolescentes dependentes de álcool e de drogas não vai aceitar infratores. O tratamento só será oferecido aos adolescentes que não tenham sido condenados a cumprir pena.

"Não vai haver diferenciação por renda. O principal é que o paciente esteja envolvido com dependência química e que ele queira em algum nível ser tratado, ele não ficará aqui obrigado. Não é um lugar fechado, não é um lugar preso, ele tem que participar desse trabalho. Não vamos receber pessoas que estão apenadas, que estão em regime fechado. Aqui é um regime aberto e não dá para misturar", afirma o médico diretor da clínica, Manfred von Schaaffhausen.

O projeto, uma parceria do Hospital Samaritano com a Secretaria de Saúde do estado, pretende atender por ano até 120 jovens entre 14 e 18 anos. O encaminhamento dos jovens será feito por meio das Secretarias de Saúde dos municípios, Ministério Público, Poder Judiciário, além dos conselhos tutelares.

"Hoje, a internação para estes jovens é feita em hospitais psiquiátricos que não são os lugares mais adequados para este tipo de tratamento. Os jovens permanecerão três meses vivendo aqui e depois serão acompanhados durante dois anos por equipes multidisciplinares e com forte participação da família. Aqui, a recuperação será feita sem uso de remédios muito fortes, só quando necessários, mas sem enfatizar este aspecto", comentou o governador José Serra.

A exclusão de jovens infratores gerou polêmica no meio médico. O psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo, Marcelo Niel, criticou a não-aceitação de adolescente com passagem pela polícia na clínica pública. Para ele, o modelo implantado poderá gerar "elitização" do acesso ao tratamento. "A minha principal restrição é limitar o atendimento a adolescentes que não tenham passagem pela polícia. A gente acaba excluindo esses menores e que são os que mais precisam de acesso a esse tratamento. Estão ligados à população de mais baixa renda, de menor poder aquisitivo que não tem acesso a um tratamento particular, a um tratamento privado", afirmou.

O tratamento em uma clínica particular pode chegar a custar R$ 15 mil por mês. O preço alto foi o principal empecilho para a recuperação da jovem Camila, dependente química, moradora da periferia de São Paulo. "Pensei em interná-la, não fiz isso por causa dos preços", explica sua mãe, Valdinete. "Quando ela tem vontade de usar a droga fica muito agitada, nervosa, quer bater, quer quebrar. Se estivesse numa clínica seria mais fácil superar esse momento", afirma.

Batizada de Projeto Jovem Samaritano, a clínica irá oferecer 30 leitos de internação e terá capacidade de atender anualmente cerca de 120 adolescentes entre 14 e 18 anos de idade. O investimento para a implantação da unidade foi de cerca de R$ 1 milhão. A manutenção do serviço foi orçada em cerca de R$ 1,7 milhão por ano.

Fontes: Agência Brasil e Governo de São Paulo 

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