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Primeiro vou dar de mamar, diz mãe de bebê roubado

Primeiro vou dar de mamar, diz mãe de bebê roubado

Atualizado: Domingo, 24 Julho de 2011 as 8:42

Em entrevista coletiva realizada na noite deste sábado (23), no Hospital São José dos Lírios, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Elisa da Silva Barbosa não conteve o choro ao falar sobre a notícia de que a filha recém-nascida havia sido localizada. "Agora eu posso chorar, mas de alegria", disse a mãe do bebê, que havia sido roubado da unidade hospitalar na noite da última sexta-feira (22) .

"A primeira coisa que vou fazer quando encontrar minha filha é dar de mamar", destacou Elisa, com um largo sorriso. "Só falta o meu marido ligar dizendo que ela está bem", acrescentou a mãe de Ayana Mila, que considerou "muito importante" o fato de a suspeita do sequestro ter sido presa. "Em nenhum momento eu perdi as esperanças. Eu acredito nas pessoas boas, sabia que elas iriam denunciar, ligar. E foi o que aconteceu", comemorou.

"Fatalidade"

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o bebê será levado do município de Cordeiro, na Região Serrana do Rio, onde foi encontrado, para a unidade de saúde ainda neste sábado, e ficará sob os cuidados da chefe da UTI pediátrica. "Caso ela esteja bem, a previsão é de que tenha alta neste domingo", afirmou o diretor-médico do hospital, Sérgio Duarte Moutinho.

Para Alice Diniz, diretora-administrativa da unidade, não houve falha na segurança. "Se vocês (referindo-se aos jornalistas presentes) se travestirem de médico e apresentarem uma carteira falsa, poderão entrar em qualquer unidade hospitalar deste país. O que aconteceu foi uma fatalidade", afirmou. “A gente não revista bolsas nem retém documentos, o que é proibido”, ressaltou Alice, explicando sobre o fato de a suspeita possivelmente ter deixado o hospital carregando o bebê em uma bolsa no ombro.

“Não houve falha no nosso procedimento, que é padrão e utilizado pela maioria dos hospitais. O problema é que a operação padrão já não é mais suficiente para evitar o que ocorreu”, afirmou Moutinho. “As pessoas de má-fé são pró-ativas e descobrem maneiras de burlar os procedimentos”, complementou.

Tanto Moutinho quanto Alice Diniz afirmaram que pretendem levar ao Conselho Regional de Medicina uma sugestão para melhor o cadastro de médicos acessado pela internet. “Na segunda-feira, vamos encaminhar as sugestões ao conselho”, afirmou a diretora.

Mulher se entregou na Região Serrana

A mulher suspeita do crime se apresentou à polícia no fim da tarde deste sábado . De acordo com o sargento Clair Anastácio Gomes, do 11º BPM (Nova Friburgo), ela se dirigiu à 154ª DP em Cordeiro, cidade próxima ao município de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, acompanhada do advogado e carregando a criança — o delegado Geraldo Assed Estefan, titular da 72ª DP (São Gonçalo) e responsável pelo caso, se dirigiu à cidade durante a tarde   Na manhã deste sábado (23), Estefan revelou que a suspeita de ter roubado o bebê já havia tentado levar outra criança, meia hora antes, em uma clínica no mesmo município. O crime e a tentativa de roubo aconteceram na mesma sexta, um na sequência do outro. “A gente também recebeu uma informação de que a suspeita foi barrada em um hospital público. Ela se apresentou como enfermeira, mas foi barrada pela segurança por não ter sido reconhecida como funcionária”, contou Estefan.

A suspeita foi identificada nas imagens gravadas pelo circuito interno de TV do hospital onde o bebê foi roubado. Ela foi reconhecida pelos pais que perderam a criança, pelos pais e pela tia do neném que quase foi levado e pela enfermeira que evitou o roubo na clínica. Nesta manhã, Assed Estefan ouviu os responsáveis pela clínica, os pais da criança roubada, os pais do outro bebê e a enfermeira que evitou o primeiro roubo. O delegado também quer ver as imagens da clínica onde a suspeita tentou roubar outro bebê.

Disfarce

A enfermeira contou que desconfiou da suspeita e a abordou, mas acabou a liberando quando ela apresentou uma carteira de enfermeira. "A gente acha que a segurança do hospital não devia ter liberado a mulher", criticou a tia.

“Eles desconfiaram na hora. Retiraram a mulher do local e a liberaram, mas não registraram a ocorrência na delegacia”, contou o delegado. Segundo Assed, não há pistas do paradeiro do bebê. Ele ainda vai ouvir outros parentes. "A suspeita estava determinada a roubar uma menina. Ela se mostrou fria, tranquila, e até com um certo conhecimento do local", ressaltou.

Por volta das 17h desta sexta, uma mulher vestindo jaleco branco e com um estetoscópio em volta do pescoço entrou no quarto e avisou que precisava levar o bebê para exame. Elisa e o marido deixaram que ela levasse o bebê. Imagens gravadas pelo circuito interno de segurança mostram a suspeita esperando pelo elevador. Minutos depois ela desce, supostamente com a criança dentro de uma bolsa que carregava.

"Ela entrou no quarto, dizendo que era pediatra, e que queria examinar a 'nenê', e perguntou se a gente já tinha feito exame do pezinho, de orelhinha, como na minha cidade em Manaus é de praxe todo hospital fazer isso dentro do hospital, aí eu achei que aqui também seria assim", disse Elisa.

Crime em menos de 15 minutos

A falsa médica precisou de menos de 15 minutos para entrar no hospital, chegar ao terceiro andar, ao quarto de Elisa, pegar a criança e sair, sem que ninguém percebesse.

Assim que percebeu que tinha acontecido, o diretor do hospital, Sérgio Moutinho, chamou a polícia. "A própria mãe deu a criança, a gente não tem um acesso a isso, e ela saiu com a criança dentro da bolsa, então a gente não revista a bolsa quando sai. Mil pessoas entrando e saindo, a gente não conhece a pessoa. Ela entra como visitante", disse ele.

Elisa quer a filha de volta o mais rápido possível: "Por favor, quem levou a minha filha, que devolva a minha filha. Eu te peço, misericórdia, por favor, traga a minha filha", pediu.    

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