Primo diz que mentiu e que Bruno não acompanhou execução

Primo diz que mentiu e que Bruno não acompanhou execução

Atualizado: Sexta-feira, 16 Julho de 2010 as 3:32

Sérgio Rosa Sales, o Camelo, primo do goleiro Bruno, voltou atrás em novo depoimento prestado à polícia de Minas Gerais, na quinta-feira, e afirmou que o jogador não acompanhou a ex-amante Eliza Samudio para o local onde ela teria sido executada. Num primeiro momento, ele havia dito que o goleiro estava com Macarrão, o motorista Flávio Caetano de Araújo e o adolescente primo de Bruno que relatou em detalhes o suposto assassinato da estudante, quando estes a levaram para a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

"Antes (no depoimento do dia 8), eu menti. Ele ficou comigo no sítio. Ele estava impaciente, temeroso, toda hora ele ia na máquina e colocava uma música diferente. Eu nunca tinha visto ele assim", afirmou Camelo. Sales relatou ainda que depois do grupo retornar ao sítio, carregaram a mala vermelha de Eliza e chamaram o goleiro para uma outra parte da propriedade. "Eu cheguei a ir atrás, mas o Bruno mandou voltar e vi eles colocando fogo na mala."

Amante e Eliza teriam se encontrado no sítio

No novo depoimento, Camelo afirmou ainda que a suposta amante do jogador Fernanda Gomes de Castro foi para o sítio com o goleiro quando Eliza estava lá, no dia 7 de junho. "Ele mostrou para a Fernanda onde nasceu e foi criado, até parecia que os dois estavam apaixonados", disse o primo.

Segundo Camelo, eles já estavam na propriedade de Bruno quando Eliza foi trazida por Macarrão e pelo menor. Ele afirmou que quando as duas se cumprimentaram parecia que já se conheciam. Sales acrescentou que, durante a noite, Fernanda chegou a perguntar para Bruno o que ele ia fazer com "a menina" e que este respondeu que daria uma apartamento para ela. No dia seguinta, de acordo com Camelo, Macarrão levou a loira embora para o Rio.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

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