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'Profissão é perigosa', diz mulher de caminhoneiro morto na Imigrantes

'Profissão é perigosa', diz mulher de caminhoneiro morto na Imigrantes

Atualizado: Sexta-feira, 16 Setembro de 2011 as 10:09

Elaine é amparada pelo pai no IML de São Bernardo do Campo (Foto: Juliana Cardilli)

Único morto no acidente que envolveu pelo menos uma centena de veículos na Rodovia dos Imigrantes na tarde desta quinta-feira (15), o motorista de caminhão Luiz Carlos Prestes, de 40 anos, trabalhava há mais de 20 anos no ramo e fazia transporte de carga de Santos, no litoral do estado, para o interior paulista. Morador de Limeira, no interior paulista, ele ia para casa todas as semanas, e pensava em ficar mais tempo perto dos filhos de 16, 11 e 2 anos. Mas segundo a mulher dele, Elaine Farias Prestes, dirigir caminhão era o que ele gostava de fazer. “A gente sempre tinha medo, essa profissão é perigosa. Mas ele era muito cuidadoso, nunca abusou, sempre andou no limite que é permitido. Ele gostava da profissão, era o que ele sabia fazer. Ele tinha vontade de ficar mais em casa, por causa dos filhos, mas dirigir caminhão é o que ele sempre fez”, disse Elaine, de 33 anos. Segundo ela, o marido já havia passado por outro acidente há mais de dez anos, quando seu caminhão tombou. Entretanto, na ocasião, ele escapou sem ferimentos.     Elaine saiu de Limeira ainda na madrugada desta sexta-feira (16) para ir até o Instituto Médico-Legal (IML) de São Bernardo Campo, no ABC, para liberar o corpo do marido. O caminhoneiro esteve em casa com a família pela última vez na segunda-feira (12). “Ele chegou na hora do almoço, ficou na parte da tarde e saiu à noite. Eu conversava com ele sempre, falava todo dia pelo telefone, às 22h”, afirmou a viúva. Os dois se falaram por telefone pela última vez na noite de quarta (14).

O acidente aconteceu pouco antes das 13h desta quinta, mas Elaine só soube do ocorrido e que seu marido estava envolvido por volta das 19h. “A esposa do dono da firma chegou em casa, mas ela só sabia que ele estava no acidente. Na hora que eu vi ela chegando na minha casa eu achei que fosse grave, mas não achei que ele tinha morrido”, afirmou. Pouco depois, chegou a confirmação da morte do caminhoneiro.

O corpo de Prestes deve ser levado ainda nesta manhã para Limeira, onde está prevista a realização de um velório. De lá, o corpo segue para Pongaí, também no interior de São Paulo, onde será realizado o enterro, previsto para este sábado (17).

Acidente

No total, 51 pessoas ficaram feridas – duas delas em estado grave. Ainda há divergências quanto ao número de veículos envolvidos no engavetamento. Segundo a Ecovias, foram 104 – 71 carros, três motos, 27 caminhões e três ônibus. A Polícia Militar e a Polícia Rodoviária, entretanto, contabilizaram cerca de 270 veículos acidentados. “Nós contabilizamos 270 veículos com avarias. Os 104 que tiveram danos grandes e médios - e que registraram boletim de ocorrência -, e os demais, com danos menores, que ainda vão registrar a ocorrência ao longo dos próximos oito dias, que é o prazo legal”, explicou o coronel Roberval França, comandante da PM na região do ABC.

Segundo o coronel, o acidente se estendeu por um espaço de dois quilômetros na rodovia e todas as batidas ocorreram em um intervalo de 10 a 20 minutos. A neblina densa que se formou repentinamente na região do acidente é a provável causa das colisões, que serão analisadas pela Polícia Rodoviária e pela Ecovias. “O principal fator é a neblina. Foi uma neblina densa, totalmente atípica para o trecho do acidente. Os motoristas também deveriam ter interrompido a viagem, diminuído a velocidade.”

De acordo com a Ecovias, técnicos da concessionária passaram a madrugada retirando veículos e limpando a pista. No início desta manhã, restavam quatro caminhões na rodovia, que seriam removidos para o pátio de veículos da concessionária. A previsão é de que a pista norte da Imigrantes seja reaberta ainda nesta manhã. Por volta das 9h, a subida da serra era feita pela pista sul, que teve sua direção invertida. A Via Anchieta operava normalmente.        

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