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Projeto quer implantar transporte público na Lagoa Rodrigo de Freitas

Projeto quer implantar transporte público na Lagoa Rodrigo de Freitas

Atualizado: Segunda-feira, 26 Julho de 2010 as 9:52

Um projeto feito em parceria por dois escritórios de arquitetura cariocas pretende utilizar a Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, como uma alternativa para o caótico trânsito da cidade do Rio de Janeiro. Os arquitetos Leonardo Lattavo e João Pedro Backheuser desenvolveram um projeto aquaviário para a Lagoa, onde pequenos barcos, com capacidade de passageiros semelhante a dos ônibus urbanos, cruzariam o espelho d'água. As embarcações fariam as rotas entre diferentes pontos, como o viaduto que dá acesso ao Túnel Rebouças ao Corte do Cantagalo, ou os bairros da Fonte da Saudade e do Humaitá à Praia de Ipanema, através do Canal do Jardim de Alah. O projeto não vai resolver o problema do trânsito no entorno da Lagoa, mas será mais uma alternativa de transporte público”, ressalva o arquiteto Leonardo Lattavo, um dos idealizadores. “O transporte aquaviário é pouco explorado no Rio”, acrescenta. Ele ressalta que os barcos poderiam fazer a integração com ônibus em pontos no entorno da Lagoa. “Seria um transporte intermodal, onde, por exemplo, a pessoa pegaria um barco em Ipanema rumo a um ponto de ônibus na boca do Túnel Rebouças”, explica o arquiteto. Quiosque flutuante está previsto no projeto

Além da possibilidade de se criar um transporte público atravessando o espelho d'água, Lattavo destaca a vocação turística do projeto. “Muitos turistas certamente gostariam de pegar um barco e passear pelo meio da Lagoa, e tirar fotos da cidade de um ângulo que hoje não é possível”, observa. “Às vezes, o turista está com o tempo escasso e, utilizando os barcos, pode atravessar a Lagoa de forma mais rápida do que a pé, ou mesmo de ônibus”, complementa o arquiteto.

Um dos tópicos do projeto contempla a construção de um quiosque flutuante, que poderia ser deslocado para qualquer ponto da Lagoa. “Hoje, não existe o uso da parte central da Lagoa. As pessoas chegariam ao quiosque nos barcos, de pedalinho ou até de caiaque. E o deslocamento do quiosque permitiria posicioná-lo próximo ao ponto de chegada de competições de remo ou de vela”, diz Lattavo. Arquitetos gostariam de elevar Jardim de Alah em três metros

Um dos tópicos mais ousados do projeto se refere a uma grande intervenção no Jardim de Alah. Os autores da proposta gostariam de elevar o parque em três metros de altura, de forma que pudesse ser construída uma garagem sob o jardim, com capacidade para quase 900 carros. “Hoje, o Jardim de Alah está em um nível inferior ao da rua. No projeto, ele seria erguido, ficando no mesmo nível, e ajudaria a resolver um grande problema dos bairros de Ipanema e do Leblon: a falta de vagas”, destaca Lattavo.

O arquiteto considera, atualmente, o Jardim de Alah subutilizado, e espera que, com a realização dos projetos, o parque seja mais aproveitado pela população, inclusive no período noturno.

“Queremos trazer o Jardim de Alah para o uso público, deixá-lo mais seguro. Eu mesmo, que sou frequentador do parque, evito utiliza-lo à noite, por falta de segurança”, conta Lattavo. Ele acrescenta que, através do canal do Jardim de Alah, os barcos que fariam o transporte público na Lagoa chegariam até à Praia de Ipanema. “Imagina que maravilha seria pegar um barco no Humaitá e saltar na Avenida Vieira Souto?”, sonha o arquiteto.

Poluição sonora ou visual não preocupam arquiteto

Leonardo Lattavo disse que já entregou o projeto à prefeitura do Rio, e também está em contato com investidores privados. Ele acredita que a implantação do projeto traria apenas benefícios aos moradores e freqüentadores da Lagoa e não se preocupa com alguma reação negativa.

“O barulho do barco não vai ter influência nenhuma, já que o trânsito de carros e ônibus ao redor da Lagoa é muito mais barulhento. E a gente não imagina um uso extremo, intenso dos barcos, que vão se deslocar a uma velocidade que não interfira no restante do funcionamento atual da Lagoa”, comenta o arquiteto. “O barco só ficaria perto da orla quando chegasse aos píeres. Vai existir um distanciamento suficiente das margens. E o barco pode ser movido à energia solar, por exemplo”, finaliza.

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