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Promotor denuncia tesoureiro do PT por formação de quadrilha

Promotor denuncia tesoureiro do PT por formação de quadrilha

Atualizado: Quarta-feira, 20 Outubro de 2010 as 8:09

O promotor de Justiça José Carlos Blat anunciou no começo desta tarde (19), perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Bancoop na Assembleia Legislativa de São Paulo, que denunciou criminalmente à Justiça o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, por supostos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, estelionato tentado, estelionato consumado e falsidade ideológica.

Caso a denúncia seja aceita, Vaccari se tornará réu em um processo criminal. O pedido segue agora para análise da 5ª Vara Criminal da capital paulista. Outras cinco pessoas, entre dirigentes e ex-dirigentes da Bancoop, também foram denunciadas.

O tesoureiro do PT seria ouvido nesta tarde na Assembleia. Entretanto, de acordo com a assessoria da Casa, o advogado de Vaccari enviou ofício solicitando o adiamento do comparecimento dele à comissão. Por meio de sua assessoria de imprensa, o PT informou que Vaccari não vai se manifestar sobre a denúncia.

saiba mais ‘Não houve, na Bancoop, contribuição a partidos’, diz Vaccari Justiça nega bloqueio de contas da Bancoop e quebra de sigilo de petista Blat informou aos deputados da CPI que investiga fraudes na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, criada por um núcleo do PT na década de 1990. Ele também requereu a quebra de sigilo bancário e fiscal de Vaccari. A denúncia do promotor foi protocolada às 10h57.

Vaccari foi diretor-administrativo da Bancoop e presidiu a cooperativa até março passado, quando afastou-se do cargo para assumir a função de tesoureiro do PT. O promotor investiga o caso Bancoop desde 2007.

Na denúncia que apresentou nesta manhã à Justiça, ele aponta desvios de cerca de R$ 70 milhões e prejuízo de aproximadamente R$ 100 milhões relativos a cooperados que não teriam recebido seus imóveis.

Segundo o promotor, os desvios ocorreram por meio de saques feitos por funcionários na boca do caixa com cheques nominais, por meio da movimentação de uma empresa fantasma e por contratos de recompra de apartamentos. Segundo ele, esses contratos foram falsificados.

Blat afirma que uma “pequena parte” do dinheiro desviado foi para o PT. “A outra parte, que aí é realmente a grande quantidade, é de destino desconhecido”, disse. Ele disse que não é possível dizer se houve destinação de dinheiro para campanhas eleitorais.

Defesa da Bancoop aponta falhas

O advogado da Bancoop, Pedro Dallari, vê falhas na ação. “Muitos dos fatos apresentados se referem a ocorrências já de mais de cinco anos, que são referentes a outra gestão. Então, se misturam coisas que não têm a ver com a atual direção e coisas que têm a ver com a atual direção de uma maneira deliberada para gerar realmente um impacto forte com pouco esclarecimento”, afirmou.

Segundo ele, a Bancoop tem dívidas de cerca de R$ 85 milhões de reais e créditos que  ultrapassam R$ 100 milhões. "Portanto, do ponto de vista do equilíbrio, há inclusive créditos que são superiores às dívidas da cooperativa."

Dallari disse ainda que há “interesse político” no fato de a denúncia ter sido apresentada neste momento. "É um processo que dura quatro anos, um inquérito. Faltando dez dias para a eleição, é apresentada a denúncia com grande estrondo e sem que os dirigentes da cooperativa tenham sido ainda ouvidos."

Blat rebateu as insinuações. Disse que um laudo feito pelo Ministério Público sobre a movimentação bancária só ficou pronto na segunda (18) e que, por isso, apresentou a denúncia nesta terça. Segundo ele, a acusação é “impertinente”.

“Doa a quem doer, o momento político não me interessa. O que me interessa é a proteção a essas vitimas que permaneceram durante anos aí vivendo um verdadeiro inferno. (...) Independentemente de ser momento eleitoral ou não, eu estou praticando a minha missão institucional, qual seja, oferecer a denúncia em juízo. Porque se assim fosse, a cada dois anos o Ministério Público teria que parar.”

  Do G1, com informações da Agência Estado

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