
O promotor Francisco Cembranelli, que atuou no julgamento do policial militar Pascoal dos Santos Lima, acusado de matar Éder Moreira, dono de duas farmácias na Zona Norte de São Paulo, disse após a absolvição do réu que os jurados do caso podem ter se intimidado. Outras 16 mortes são atribuídas ao PM, incluindo o assassinato do coronel José Hermínio Rodrigues, em janeiro de 2008.
O promotor também afirmou que irá recorrer da decisão. “O jurado acaba se intimidando com o tipo de gente que é julgado. Por mais que a defesa tente apresentá-lo como bonzinho, o processo mostra exatamente no sentido inverso”, afirmou Cembranelli.
O advogado de defesa, Newton Nunes, disse que a investigação foi mal feita e que não havia provas de que o PM assassinou Éder Moreira - versão que foi aceita pelos jurados. “O Ministério Público tentou de todas as formas induzir em erro os jurados, mas por terem autonomia de jurados, juízes de fato que são, absolveram com extrema justiça, extrema garantia dos direitos constitucionais”, afirmou Nunes.
O julgamento durou mais de dez horas. O irmão da vítima era suspeito de ser o responsável pela morte de um policial. Como estava foragido, Éder foi morto em seu lugar por vingança. Por esta e pelas outras 16 mortes a ele atribuídas, Lima ficou conhecido como o “Monstro” da Zona Norte.
Mais cedo, a delegada Alexandra Agostini, que investigou um dos crimes do qual ele é acusado, afirmou que o PM agia acompanhando e usando a mesma arma. “O ‘modus operandi’ desses autores era praticar crimes de homicídio na periferia de São Paulo, especificamente na Zona Norte, com vítimas pobres, vítimas ostentando às vezes antecedentes criminais e vítimas jovens”, disse Alexandra. Ela foi a única testemunha de acusação no julgamento.
Apesar de ter sido absolvido, Pascoal dos Santos Lima voltou para a prisão porque responde a outros processos.
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