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Promotor do caso Mércia analisa se Mizael tentou forjar provas

Promotor do caso Mércia analisa se Mizael tentou forjar provas

Atualizado: Quinta-feira, 9 Setembro de 2010 as 11:31

O Ministério Público de Guarulhos, na Grande São Paulo, analisa dois documentos obtidos com a Polícia Civil para saber se Mizael Bispo de Souza, acusado de assassinar a ex-namorada Mércia Nakashima, cometeu fraude processual ao tentar forjar provas recentemente para se livrar do processo no qual responde pelo homicídio da advogada.

A fraude processual é um dos requisitos clássicos para se pedir a prisão preventiva de suspeitos de um crime. Outros seriam risco de fuga, coagir testemunhas ou atrapalhar o andamento do processo.

O promotor Rodrigo Merli Antunes afirmou na quarta-feira (8) que, se ficar comprovada a tentativa de fraude, ele poderá pedir novamente à Justiça a prisão preventiva do advogado e policial militar reformado. "Tudo vai depender das análises que farei. Estou com esses dois documentos e estou estudando eles para saber se Mizael tentou forjar provas", disse o promotor.

O réu, que está em liberdade provisória por conta de uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), sempre alegou inocência. O mérito desse habeas corpus deverá ser julgado na próxima quarta (15). Além de Mizael, o vigia Evandro Bezerra Silva é acusado pelo crime e também está solto, beneficiado pela decisão da desembargadora Angélica de Almeida. O primeiro documento que está com a Promotoria é o depoimento de uma mulher dado na última quinta-feira (2) ao delegado Antonio de Olim, na sede do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na capital paulista, antes dele ser remanejado da titularidade da Divisão de Desaparecidos para trabalhar junto à diretoria. A mudança foi comunicada na segunda-feira (6).

Garota de programa

Em duas páginas, a mulher narra ter procurado Mizael e conseguido se aproximar dele porque suspeitava que o advogado matou Mércia. Fingindo interesse pelo réu, ela conta que não conseguiu uma confissão dele.

Apesar disso, ela relata que o suspeito aceitou sua proposta para fazer parte de uma farsa. Como ele alegou à investigação ter estado com uma suposta garota de programa no dia 23 de maio, quando Mércia desapareceu, a mulher sugeriu então ser o álibi do policial militar já que a prostituta jamais foi encontrada. Ou seja, a testemunha afirmou ao delegado Olim que Mizael aceitou que ela fingisse ser a mulher que teria estado com ele no dia em que a ex dele foi morta.

Segundo a perícia da Polícia Técnico Científica, Mércia foi levada para uma emboscada numa represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. Lá, ela foi agredida, baleada, ferida, desmaiou e morreu afogada dentro do próprio carro, que foi empurrado pelo assassino dentro das águas. A denúncia feita por um pescador levou os bombeiros ao local, onde foram encontrados o corpo e o carro da vítima.

Segundo a declaração da mulher, Mizael procurou um dos seus advogados para falar da proposta, mas seu defensor teria refutado essa possibilidade por considerá-la arriscada. Os advogados que defendem o réu são Samir Haddad Júnior e Ivon Ribeiro.

“Apareceram várias mulheres se oferecendo para ser a mulher de Mizael em troca de dinheiro. Mizael e nós da defesa jamais aceitamos isso porque não trabalhamos com fraude processual. Ele me procurou e perguntou o que faria com essas pessoas, eu disse para despachar todas. Ele jamais disse que aceitou uma proposta indecente dessas", afirmou nesta quinta (9). Troca de rastreador

O outro documento que está com o promotor Merli Antunes é o registro feito por uma empresa de rastreamento num distrito policial em Guarulhos. Nele, o proprietário do estabelecimento comercial alega que Mizael e um de seus defensores foram ao local na sexta-feira (3) e se exaltaram após terem negado o pedido para trocar o rastreador do carro do policial militar reformado. A queixa seria de preservação de direitos, ou seja, informar a autoridade policial que algo ocorreu no local. O objetivo é garantir que outro fato similar não aconteça novamente.

Procurado por telefone para comentar o assunto, Mizael havia dito na sexta passada que não houve confusão. “Procurei a empresa de rastreamento porque meu rastreador está com problemas. Mas a empresa não quis me dar um laudo comprovando a falha no equipamento. Não teve briga, nem tumulto. Só questionamos os responsáveis porque eles não iriam trocar um aparelho quebrado e fomos embora”, falou o ex-namorado de Mércia.

"O rastreador dele quebrou e ele tentou a troca do rastreador. Vou pedir a perícia do rastreador do Mizael ao juiz [Leandro Bittencourt Cano]. Mizael não ameaçou ninguém", afirmou nesta quinta (9) o advogado Samir Haddad Júnior.

Foi a partir de dados do rastreador do automóvel de Mizael que o DHPP afirmou ter traçado o trajeto que o suspeito fez no dia em que Mércia sumiu de Guarulhos. Segundo a investigação, o aparelho mostrou que o réu esteve próximo ao local do crime. Além disso, a quebra do sigilo telefônico aponta, segundo a polícia, que ele conversou várias vezes com o vigia Evandro antes, durante e após a morte da advogada. Assim como Mizael, Evandro também nega o crime.

Postado por: Thatiane de Souza

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