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Protesto com funk abre guerra entre hotel e moradores no Rio

Protesto com funk abre guerra entre hotel e moradores no Rio

Atualizado: Sexta-feira, 23 Abril de 2010 as 12

A associação de moradores de Santa Teresa, no Centro do Rio, trava uma batalha judicial contra o dono de um hotel instalado no bairro. Moradores da Rua Felício dos Santos reclamam do aumento do movimento no local por causa da instalação do Hotel Santa Teresa, onde funciona um restaurante e um bar.

De acordo com os moradores, a rua virou um estacionamento, e o barulho que vem do local é excessivo. A legislação da rua permitiria apenas o uso residencial dos imóveis.

O hotel entrou com dois processos contra dez moradores de Santa Teresa. O primeiro contra moradores de um prédio em frente ao empreendimento. O segundo processo é contra o dono de uma casa das vizinhanças.

O gerente-geral do estabelecimento, Juan Sander, sustenta que o grupo estaria estaria organizando uma manifestação na porta do hotel, que incluiria tocar funk alto como protesto. A decisão da Justiça proíbe apenas que os dez moradores façam o protesto, segundo a associação.

Moradores reclamaram na subprefeitura

No entanto, segundo um dos processados, o advogado Abaeté Mesquita, a manifestação sequer foi organizada. Era apenas um grupo de discussão de ideias. O e-mail com a discussão foi enviado ao hotel, o que fez com que o dono acreditasse que algo estava sendo organizado.

Segundo Abaeté, o dono do hotel usou a lista de moradores que haviam reclamado junto à subprefeitura para processá-los. "Em vez de processar a associação, que estava promovendo uma manifestação, ele está processando meia dúzia de pessoas. É uma forma de intimidar esses moradores que foram reclamar", argumentou Mesquita.

O hotel informou que a Justiça "determinou que eles podem se manifestar, mas não poderão causar um prejuízo irreparável ao hotel e a imagem do bairro por decisão própria".

Associação pediu medidas ao MP

Na quinta-feira (22), a associação de moradores do bairro entrou com um pedido na subprefeitura do Centro e no Ministério Público dirigida a todas as atividades que se instalaram na rua. O objetivo é que seja realizada uma operação Choque de Ordem no local, a fim de constatar possíveis estacionamentos irregulares e comércio ilegal.

Outro pedido da associação é para que seja fiscalizada a entrada do hotel. Segundo Abaeté, o endereço comercial fica na Avenida Almirante Alexandrino, mas o hotel utiliza a entrada dos fundos, na Rua Felício dos Santos, como principal.

Hotel diz que tem boa relação com vizinhos

O Hotel Santa Teresa informou que tem uma integração muito boa no bairro e que a grande maioria dos moradores apoia o hotel. Ainda de acordo com o empreendimento, a instalação do hotel levou melhorias em serviços, como segurança, iluminação e transporte, valorizando o bairro e a propriedade de quem mora lá.

A associação, em solidariedade aos moradores processados, resolveu não fazer a manifestação barulhenta. No entanto, instalou cartazes pelo bairro denunciando o hotel de processar os moradores. O que rendeu um outro processo por parte da administração do hotel.

"É uma afronta à legislação de vizinhança. O processo é um abuso. É um desrespeito à própria Justiça você usar um processo pra se vingar de alguém. O processo foi utilizado para uma finalidade particular, e não é pra isso que a Justiça está", afirmou o advogado.

"Esse tipo de manifestação prejudica o bairro e o hotel. Esses cartazes que estão distribuindo são difamatórios. Não é verdade que entramos com processos contra os moradores. Nenhum morador foi processado, a Justiça determinou que não pode existir nenhuma manifestação de baixo calão contra o hotel", afirmou o gerente Sander. Ele completa: "Antes do hotel e do restaurante não havia nenhum tipo de atração. A partir do momento que a gente chegou, o bairro ficou mais agitado. A gente abaixa a música às 22h em ponto, para não incomodar ninguém, a gente respeita muito os vizinhos, mas tem gente que não quer um hotel famoso ao lado da porta dele".

O advogado que está à frente da associação afirmou que todos os moradores da rua manifestaram apoio à entidade, "mas eles ficaram intimidados em aparecer por conta do medo de serem processados também. A orientação é a de que as pessoas não reclamem diretamente, e sim, procurem a associação."

"Eles estão exatamente contra a evolução do bairro. É uma postura, e a gente é respeitoso com todas as posturas. Mas o que a gente não pode permitir é ter uma manifestação que prejudique a imagem que a gente lutou tanto para conseguir", retrucou Juan.

Por: Patrícia Kappen

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