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PS do Hospital Santa Marcelina só atende casos de extrema urgência

PS do Hospital Santa Marcelina só atende casos de extrema urgência

Atualizado: Quarta-feira, 6 Abril de 2011 as 1:08

A administração do Hospital Santa Marcelinha, localizado em Itaquera e referência na Zona Leste de São Paulo, decidiu fechar as portas do pronto-socorro por causa da superlotação. Só os casos de extrema urgência estão sendo tratados e quem chega para procurar tratamento é orientado a procurar atendimento nas AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais).

Segundo a direção do hospital, a medida foi tomada por causa da falta de médicos e da grande demanda. O Santa Marcelina tem equipamentos para tratar casos graves, traumas, problemas no coração, mas sempre recebeu também os pacientes que chegam a todo o momento ao pronto-socorro.

Sem saber que está sendo gravado, o segurança conta o porquê do fechamento. “Está fechado aqui porque não tem médico e está lotado lá dentro. Está feio o negócio. Fechado está há duas semanas, sem atender desde o ano passado. Lá só consulta agendada.”

O Santa Marcelina tem 701 leitos e mais 77 de UTI. Na semana passada, a sala de espera do PS estava vazia. De acordo com a assessora da diretoria técnica, Maria Cristina Lourenço, a decisão tomada foi própria da administração do hospital. Mas o pronto-socorro não está exatamente fechado, diz. “Ele está aberto, está com superlotação e consequentemente as consultas estão sendo demoradas, em um ritmo menor.”

O hospital é filantrópico e quase todos os atendimentos, cerca de 87%, são pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com verba do governo federal. O Santa Marcelina recebe mensalmente do governo R$ 1,3 milhão, mas esse dinheiro parece ser insuficiente para garantir o funcionamento do hospital.

AMAs

As AMAs da região também não estão conseguindo dar conta da demanda. A principal queixa dos pacientes é em relação à superlotação e à demora no atendimento. Na AMA Carmosina, também em Itaquera, algumas pessoas chegaram às 6h e às 11h ainda não tinham sido atendidas.

Uma funcionária resumiu a situação. “A gente não pode negar atendimento, mas a gente tem que falar a verdade. Vai demorar. Nós temos um atendimento de priorização que, dependendo da necessidade do paciente, ele é atendido imediatamente. Agora, se for queixas em que dá para esperar, vai esperar. Infelizmente está dessa forma.”

Um dos motivos para a lotação, segundo ela, é a quantidade de doentes encaminhados pelos hospitais da região. “Eles estão sabendo que nós estamos com dois clínicos e dois pediatras, né? Na verdade, o hospital tem as AMAs como suporte, só que eles sobrecarregam a gente.” Quem precisa fazer o exame de raio-x é encaminhado para outra unidade, já que o aparelho está quebrado.

Na AMA do bairro de Guaianases, a 3 km de distância, a mesma lotação. Muitos pacientes estão com conjuntivite e não há previsão de atendimento. A situação se repete na AMA Castro Alves, 6 km mais para frente.

A Secretaria Municipal de Saúde diz que as AMAs foram criadas para atender casos de baixa e média complexidade, como um curativo, inalação, e que elas funcionam por meio de uma parceria entre a Prefeitura e organizações sociais.

Segundo a Prefeitura, a ONG ou entidade filantrópica é quem gerencia as AMAs na prática, mas o município precisa se certificar de que tudo está funcionando como foi combinado. A ideia é que o paciente que vai até uma delas não precise marcar consulta e seja atendido por um clínico geral ou pediatra.

De acordo com a diretora técnica do Hospital Santa Marcelina, Irmã Monique Bourget, o problema nas AMAs é o mesmo que o do hospital: a dificuldade na contratação de médicos. Muitos preferem as AMAs na região central, cujos salários são semelhantes aos oferecidos na Zona Leste, mas que são melhor localizadas.

Ela diz também que falta um comprometimento dos médicos. A solução para o problema é uma reunião e um entendimento entre todos os gestores da saúde pública.

Nota da Secretaria de Estado da Saúde

Em nota, a secretaria diz que o hospital é uma unidade privada que presta serviço para o SUS e tem autonomia para deliberar administrativamente sobre o atendimento dos pacientes. E que não se trata, portanto, de uma unidade do governo estadual.

A secretaria diz também que tem solicitado ao Ministério da Saúde aumento de R$ 1 bilhão por ano no teto financeiro do SUS para o estado de São Paulo, o que pode contribuir e ajudar hospitais como o Santa Marcelina.      

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