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PSDB de São Paulo decide adiar prévias

PSDB de São Paulo decide adiar prévias

Atualizado: Quarta-feira, 29 Fevereiro de 2012 as 10:16

O diretório municipal do PSDB decidiu nesta terça-feira (28) aceitar, por unanimidade, o pedido de inscrição do ex-governador José Serra no processo de escolha interna do candidato do partido à eleição municipal deste ano.  Os dirigentes também decidiram, por 14 votos a quatro, adiar as prévias que estavam marcadas para o próximo dia 4. Houve impasse, entretanto, com relação à data. Por dez votos a oito, os dirigentes escolheram marcar a prévia para dia 25. Um grupo que defendia a prévia no dia 11 deixou a reunião insatisfeito e interrompeu aos gritos a entrevista concedida pelo presidente do diretório municipal do partido, Júlio Semeghini.

Pré-candidato, o secretário estadual de Energia, José Aníbal, deixou a reunião antecipadamente.  Também pré-candidato, o deputado federal Ricardo Trípoli acompanhou as negociações até o final e após mais de duas horas de encontro disse que a reunião foi tensa.  "Eu sinto. Espero que até lá nós possamos ter pelo menos três debates", afirmou.

"A reunião foi tensa porque os membros da Executiva se envolveram fortemente na campanha dos pré-candidatos e grande parte da votação feita até este momento infelizmente fez com que as pessoas decidissem não o que fosse melhor, mas de acordo com o que estivesse pensando o seu candidato", disse Semeghini. "Claro que mostra que há um clima tenso na reta final e que não é fácil mudar as prévias", afirmou.

Diante da falta de consenso sobre a data, Semeghini afirmou que a partir de amanhã começa a articular uma solução. Nesse instante, ele foi interrompido por João Câmara, integrante da Executiva do partido. "Vamos articular o racha que o senhor Serra provocou", disse Câmara. "Não é um racha, não é isso que está acontecendo aqui", retrucou Semeghini.

Carta

Serra entregou na tarde desta terça-feira a Semeghini, a carta que coloca seu nome como pré-candidato do partido à Prefeitura de São Paulo. A entrega aconteceu também na sede municipal do PSDB, no edifício Joelma, no Centro da capital paulista.

"São Paulo é a maior cidade do Brasil e é aqui, neste ano, que se travará uma disputa importante para o futuro do município, do estado e do país. Uma disputa entre duas visões distintas de administração dos bens coletivos, duas visões distintas de democracia, duas visões distintas de respeito aos valores republicanos. Saberei honrar a indicação e, posteriormente, o mandato”, disse Serra, no documento.

O ex-governador confirmou no Twitter, na segunda-feira (27), sua decisão de concorrer à Prefeitura de São Paulo e disse que está disposto a participar nas prévias do PSDB.

O secretário estadual de Energia, José Anibal, e o deputado federal Ricardo Tripoli, os outros pré-candidatos do partido, reafirmaram na segunda-feira (27) que não cogitam abrir mão de suas candidaturas em favor de Serra. Outros dois pré-candidatos, Bruno Covas e Andrea Matarazzo, anunciaram desistência logo que Serra anunciou a disposição de concorrer.

Documento

Serra afirmou, na carta, que concentrava-se nas questões nacionais. "Depois da eleição presidencial de 2010, em que saímos vitoriosos em 11 estados, com voto e apoio de 44 milhões de eleitores, manifestei publicamente a disposição de concentrar meu trabalho político, minha atenção e minhas reflexões nas questões nacionais. Foi o que fiz nos últimos meses, expondo ideias e defendendo teses em artigos, palestras, seminários, entrevistas e propostas de ação política encaminhadas ao PSDB, a partidos aliados e a vários setores organizados da sociedade."

O ex-governador afirmou que recebeu vários apelos para que se candidatasse. "Nas últimas semanas, ocorreram várias manifestações de integrantes do PSDB - e mesmo de outros partidos, nossos aliados - no sentido de que eu me apresentasse como pré-candidato a prefeito de São Paulo nas eleições deste ano. Para mim, a política não é uma atividade privada, objeto apenas da vontade e do desejo pessoal, ou fruto de ambição íntima. Encaro a política como atividade pública coletiva, com propósitos determinados, destinada à promoção do bem comum e à melhoria das condições de vida de toda a coletividade."

O ex-governador afirmou que cedeu ao apelo diante de sua visão da política. "Aprendi, ao longo da vida, que a ação e os movimentos políticos são, também, subordinados às circunstâncias, à conjuntura, ao momento. Aprendi a reconhecer que o interesse coletivo se sobrepõe, sempre, aos planos pessoais daqueles que abraçaram de fato a causa pública."

Kassab e Alckmin

No documento, Serra citou o prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin como autores do apelo para que se candidatasse. "Ouvi bem os argumentos dos meus interlocutores: eleitores, amigos, parlamentares, dirigentes de diferentes partidos, do prefeito Gilberto Kassab e o governador Geraldo Alckmin. Refleti intensamente sobre a situação do país, os dissabores que o processo democrático tem enfrentado diante do avanço da hegemonia de uma força política, o peso e a importância de São Paulo nesse processo."

O ex-governador afirmou ainda que atendeu também a um chamado de sua consciência. "Ao me apresentar, vou de ao encontro de um chamamento da minha própria consciência: quero ser prefeito de São Paulo porque acho que esta imensa cidade cobra o que de melhor nosso partido e nossos parceiros têm a lhe dar nesta jornada: experiência, capacidade para inovar, fazer acontecer, unindo esforços da prefeitura e do governo do Estado. Agradeço às milhares de manifestações de apoio e apreço que recebi nestes três últimos dias."

Prévia

Serra deixou claro que se submeterá às prévias e respeitará seu resultado. "Fui favorável e sempre estimulei as prévias para a escolha de nosso candidato e a elas me submeto se o partido considerar tempestiva a minha inscrição. E, se escolhido, tenham certeza, saberei honrar a indicação e, posteriormente, o mandato, fazendo uma administração municipal digna dos nossos sonhos, dos nossos valores, dos nossos antecedentes e daquilo que os paulistanos esperam", disse, na carta.

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