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PSDB explora debate sobre aborto para atrair religiosos

PSDB explora debate sobre aborto para atrair religiosos

Atualizado: Sexta-feira, 8 Outubro de 2010 as 8:46

No primeiro tiroteio do segundo turno, o PSDB passou a explorar o debate sobre o aborto para atrair o eleitorado religioso e conservador, e injetar, assim, uma agenda negativa à candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. Os tucanos estimam que isso atraia também votos de Marina Silva, do PV, identificada com grupos evangélicos, por ser membro da igreja Assembleia de Deus. 

  Nesta quarta-feira (6), a discussão sobre as convicções de Dilma tomou conta dos portais e das redes sociais. O PT e o PSDB, cada um segundo seus interesses, identificaram no tema um potencial problema - no caso dos tucanos, uma vantagem eleitoral. A discussão sobre o aborto, inicialmente travada por setores religiosos, passou a ser agenda de campanha dos candidatos.

O comando da campanha de Dilma articula um manifesto para barrar a polêmica. O texto será discutido pelos partidos aliados. Segundo o coordenador do programa de governo, o professor Marco Aurélio Garcia, o uso do aborto no debate eleitoral "é uma manobra do PSDB pra deslocar o centro do debate". "O que vai ocorrer é o confronto de dois projetos de governo. Eles tentam introduzir isso da maneira mais sórdida", acusou o petista.

Em outubro de 2007, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi sabatinada pelo jornal Folha de S. Paulo e disse: "eu acho que tem que haver a descriminalização do aborto. Hoje, no Brasil, é um absurdo que não haja a descriminalização do aborto". O vídeo foi postado na internet por pessoas simpáticas ao PSDB e está presente em blogs de apoio à candidatura tucana.

As afirmações atribuídas a Dilma de que "nem Cristo tiraria a vitória" da candidata do PT se propagaram. Identificou-se no eleitorado, antes que o tema aborto viesse à tona, um conservadorismo religioso que poderia deixar de ser apenas rejeição à petista e se transformar em votos efetivos ao tucano. Integrantes do partido alertaram Eduardo Graeff e Eduardo Jorge deste potencial e dias depois surge a pauta aborto que extravasou o campo de atuação do partido, tomando conta da agenda nacional de debate.

Quase três anos depois da sabatina a Folha , em um debate organizado pela CNBB, foi colocado à candidata do PT o mesmo questionamento. Desta vez, Dilma se disse contrária ao aborto. No momento, a diferença entre as respostas foi pouco explorada pelos tucanos. Até que o assunto tomasse maiores proporções no meio cristão, os tucanos não usaram o assunto fora da internet e os petistas não se ocuparam em blindar a sua candidata.

Duas semanas antes do fim do primeiro turno, as pesquisas internas do PT e do PSDB apontavam o assunto como problemático para Dilma na camada religiosa do eleitorado. Marina também patinou neste setor ao defender um plebiscito para discutir a questão. Setores da Assembleia de Deus foram lentamente procurando o comando da campanha de Serra para angariar apoio aos seus candidatos e, como contrapartida, ofereceram os votos dos fiéis.

O assunto começou a ganhar proporções maiores no meio religioso e a se tornar uma potencial arma eleitoral aos tucanos e verdes, ainda na disputa pelo segundo turno, mesmo que sem favoritismo. Líderes de igrejas passaram a fazer manifestações de repúdio ao aborto e declarações de apoio a Serra, mesmo que indiretamente. Integrantes da oposição ligados a movimentos religiosos passaram a levar a questão aos seus respectivos ambientes de atuação. E o candidato tucano já recheava sua agenda de eventos religiosos, como a procissão em Juazeiro do Norte, visitas a católicos e feiras religiosas.

Pesquisas internas tanto do PT quanto do PSDB mostraram reações negativas do eleitorado religioso em relação ao posicionamento de Dilma sobre o tema. A oposição enxergou nisso uma possibilidade de fazer uma sangria de votos na petista e de evidenciar o que chamam de "inconsistências" e "mentiras" no discurso da candidata do PT.

Começa o segundo turno e o comando da campanha de Dilma tenta se vacinar de uma tentativa de sangria vinda dos tucanos. A candidata governista se reuniu com lideranças religiosas e em seu primeiro pronunciamento - no segundo turno - ao Jornal Nacional , da Rede Globo, fez questão de ressaltar o valor que dá à vida. O PSDB captou isso como um sinal de fragilidade da candidatura petista e aproveitou para colocar a mudança de posicionamento da petista em pauta.

No encontro de governadores, senadores e deputados eleitos com Dilma, em 4 de outubro, apontou-se como um dos motivos da perda de votos, no primeiro turno, a disseminação de declarações da candidata favoráveis à descriminalização do aborto. Chamada de boato pelos petistas, a veiculação da mudança de opinião de Dilma motivou o fortalecimento de uma central antiboatos, para rebater notícias supostamente inverídicas na internet. Nesta quarta, a comissão Justiça e Paz, da CNBB, saiu em defesa da petista e condenou o uso eleitoral da "fé cristã".

Na avaliação de alguns integrantes da campanha do PSDB, pode-se estar supervalorizando o eleitorado que migrará de Marina Silva. A esperança é de que a investida na temática do aborto atraia parte dos órfãos da verde. Noutra frente, Serra tem enfatizado com mais veemência suas qualidades éticas, sempre destacando que se tratam de características suas e de Marina.     Postado por: Guilherme Pilão

No primeiro tiroteio do segundo turno, o PSDB passou a explorar o debate sobre o aborto para atrair o eleitorado religioso e conservador, e injetar, assim, uma agenda negativa à candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. Os tucanos estimam que isso atraia também votos de Marina Silva, do PV, identificada com grupos evangélicos, por ser membro da igreja Assembleia de Deus. 

  Nesta quarta-feira (6), a discussão sobre as convicções de Dilma tomou conta dos portais e das redes sociais. O PT e o PSDB, cada um segundo seus interesses, identificaram no tema um potencial problema - no caso dos tucanos, uma vantagem eleitoral. A discussão sobre o aborto, inicialmente travada por setores religiosos, passou a ser agenda de campanha dos candidatos.

O comando da campanha de Dilma articula um manifesto para barrar a polêmica. O texto será discutido pelos partidos aliados. Segundo o coordenador do programa de governo, o professor Marco Aurélio Garcia, o uso do aborto no debate eleitoral "é uma manobra do PSDB pra deslocar o centro do debate". "O que vai ocorrer é o confronto de dois projetos de governo. Eles tentam introduzir isso da maneira mais sórdida", acusou o petista.

Em outubro de 2007, a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi sabatinada pelo jornal Folha de S. Paulo e disse: "eu acho que tem que haver a descriminalização do aborto. Hoje, no Brasil, é um absurdo que não haja a descriminalização do aborto". O vídeo foi postado na internet por pessoas simpáticas ao PSDB e está presente em blogs de apoio à candidatura tucana.

As afirmações atribuídas a Dilma de que "nem Cristo tiraria a vitória" da candidata do PT se propagaram. Identificou-se no eleitorado, antes que o tema aborto viesse à tona, um conservadorismo religioso que poderia deixar de ser apenas rejeição à petista e se transformar em votos efetivos ao tucano. Integrantes do partido alertaram Eduardo Graeff e Eduardo Jorge deste potencial e dias depois surge a pauta aborto que extravasou o campo de atuação do partido, tomando conta da agenda nacional de debate.

Quase três anos depois da sabatina a Folha , em um debate organizado pela CNBB, foi colocado à candidata do PT o mesmo questionamento. Desta vez, Dilma se disse contrária ao aborto. No momento, a diferença entre as respostas foi pouco explorada pelos tucanos. Até que o assunto tomasse maiores proporções no meio cristão, os tucanos não usaram o assunto fora da internet e os petistas não se ocuparam em blindar a sua candidata.

Duas semanas antes do fim do primeiro turno, as pesquisas internas do PT e do PSDB apontavam o assunto como problemático para Dilma na camada religiosa do eleitorado. Marina também patinou neste setor ao defender um plebiscito para discutir a questão. Setores da Assembleia de Deus foram lentamente procurando o comando da campanha de Serra para angariar apoio aos seus candidatos e, como contrapartida, ofereceram os votos dos fiéis.

O assunto começou a ganhar proporções maiores no meio religioso e a se tornar uma potencial arma eleitoral aos tucanos e verdes, ainda na disputa pelo segundo turno, mesmo que sem favoritismo. Líderes de igrejas passaram a fazer manifestações de repúdio ao aborto e declarações de apoio a Serra, mesmo que indiretamente. Integrantes da oposição ligados a movimentos religiosos passaram a levar a questão aos seus respectivos ambientes de atuação. E o candidato tucano já recheava sua agenda de eventos religiosos, como a procissão em Juazeiro do Norte, visitas a católicos e feiras religiosas.

Pesquisas internas tanto do PT quanto do PSDB mostraram reações negativas do eleitorado religioso em relação ao posicionamento de Dilma sobre o tema. A oposição enxergou nisso uma possibilidade de fazer uma sangria de votos na petista e de evidenciar o que chamam de "inconsistências" e "mentiras" no discurso da candidata do PT.

Começa o segundo turno e o comando da campanha de Dilma tenta se vacinar de uma tentativa de sangria vinda dos tucanos. A candidata governista se reuniu com lideranças religiosas e em seu primeiro pronunciamento - no segundo turno - ao Jornal Nacional , da Rede Globo, fez questão de ressaltar o valor que dá à vida. O PSDB captou isso como um sinal de fragilidade da candidatura petista e aproveitou para colocar a mudança de posicionamento da petista em pauta.

No encontro de governadores, senadores e deputados eleitos com Dilma, em 4 de outubro, apontou-se como um dos motivos da perda de votos, no primeiro turno, a disseminação de declarações da candidata favoráveis à descriminalização do aborto. Chamada de boato pelos petistas, a veiculação da mudança de opinião de Dilma motivou o fortalecimento de uma central antiboatos, para rebater notícias supostamente inverídicas na internet. Nesta quarta, a comissão Justiça e Paz, da CNBB, saiu em defesa da petista e condenou o uso eleitoral da "fé cristã".

Na avaliação de alguns integrantes da campanha do PSDB, pode-se estar supervalorizando o eleitorado que migrará de Marina Silva. A esperança é de que a investida na temática do aborto atraia parte dos órfãos da verde. Noutra frente, Serra tem enfatizado com mais veemência suas qualidades éticas, sempre destacando que se tratam de características suas e de Marina.     Postado por: Guilherme Pilão

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