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Psicólogo gaúcho gastou R$ 700 para ajudar vítimas na Região Serrana

Psicólogo gaúcho gastou R$ 700 para ajudar vítimas na Região Serrana

Atualizado: Terça-feira, 18 Janeiro de 2011 as 4:02

Quando soube da tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro, o psicólogo gaúcho Fábio Falcão Ribeiro, de 28 anos, desembolsou R$ 600 para pagar uma passagem aérea e veio do Rio Grande do Sul para ser voluntário e ajudar as vítimas de enchentes e deslizamentos. “Até agora, já gastei mais de R$ 700, apenas com transporte. Mas já tenho uma longa caminhada em trabalhos voluntários e senti a necessidade de fazer isso”, conta ele.     Em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Ribeiro conta que trabalha ajudando crianças que estão em abrigos da prefeitura da cidade e de municípios próximos. “São vítimas de abuso sexual ou de violência dentro do lar. Precisam muito de ajuda”, ressalta.

O psicólogo conta que não conhecia a Região Serrana do Rio e que se impressionou com a mobilização que se formou. “Além de ajudar as vítimas, muita gente também está colaborando comigo, oferecendo transporte, hospedagem e alimentação de graça”, destaca. Ele disse que um carro da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, o transportou até a Capela do Divino, em Cuiabá, local mais afetado por deslizamentos e enchentes em Itaipava, distrito de Petrópolis.     “Um empresário também me ofereceu para ficar na casa dele, no Centro de Itaipava, onde está abrigando algumas pessoas”, conta. As chuvas já mataram mais de 600 pessoas na Região Serrana.

"À noite, a ficha cai forte"

O voluntário está auxiliando cerca de 90 adultos e crianças que estão abrigados na Capela do Divino. “A urgência é a maior demanda. É preciso resgatar essas pessoas psicologicamente”, aponta ele. “Elas sofreram uma morte às avessas: estão vivas, mas perderam tudo. Além da casa, as crianças perderam cinco amigos na faixa dos 8 anos”, complementa.

Para Fábio, enquanto trabalham durante o dia, organizando mantimentos nos abrigos ou ajudando a limpar casas de escombros, os desabrigados refletem menos sobre a tragédia. “Sob esse aspecto, o trabalho é terapêutico e ajuda a elaborar o luto”, analisa. “Mas, à noite, quando todos estão mais quietos, a ficha cai forte. É a hora em que eu mais tenho que atuar”, conclui o voluntário.    

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