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PSOL protocola representação contra prefeito de Manaus

PSOL protocola representação contra prefeito de Manaus

Atualizado: Sexta-feira, 25 Fevereiro de 2011 as 8:23

A líder do PSOL no Senado, Marinor Brito (PA), ingressou com uma representação nesta quarta-feira (23), em nome do partido, na Procuradoria Geral da República (PGR) contra o prefeito de Manaus Amazonino Mendes, por preconceito. Na segunda-feira (21), ao visitar áreas de risco da cidade, o prefeito discutiu com uma moradora (veja vídeo ao lado).

Ao afirmar que não tinha condições de ter uma moradia digna, o prefeito responde a ela: “Minha filha, então, morra, morra. Em outro trecho da conversa, o prefeito pergunta de onde a moradora é. Ao responder que era do Pará, Mendes retruca: “Então, pronto. Tá explicado”.

No fim de semana, uma mulher e duas crianças morreram soterradas na comunidade Santa Marta, visitada pelo prefeito, por causa de um desmoronamento de terra.

A senadora do PSOL, que é do Pará, lamentou a atitude de Mendes e disse que espera que o caso seja investigado. “Não se pode desejar a morte como ele a fez a ninguém. Foi preconceito demais”, disse.

O G1 não conseguiu contato com o prefeito ou sua assessoria. No dia seguinte à discussão com a moradora, Mendes disse que houve "um grande mal-entendido" em relação às suas declarações.

"Na verdade, eu fui para lá salvar vidas, cumprir com meu dever. Fui para lá ver o problema e é natural se ver que as pessoas em área de risco podem morrer. Aí uma moradora, o que é natural, desavisada, discutiu sobre o aspecto de não sair de lá. Então eu digo: 'Então morra, morra. É que a senhora pode morrer', seria a mesma coisa, a mesma expressão", afirmou.

O prefeito também negou que tivesse agido de forma preconceituosa contra os paraenses. "Não é Pará. É Roraima, Maranhão. Quem não é de Manaus vem para cá. É uma cidade complexa, diferente. E ficam fazendo habitações em lugares impróprios. Nós estamos cheios deste tipo de problema. Não foi discriminação, nada disso."

Para a senadora, porém, Mendes foi preconceituoso. “Demos entrada com uma representação na PGR para que seja investigada a atuação do prefeito. Se ficar caracterizado que houve crime de preconceito, tem de haver punição. A fala dele foi consciente, e a história dele mostra tratamentos preconceituosos”, afirmou a senadora.

Segundo a assessoria da PGR, a representação será analisada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mas por se tratar de um caso envolvendo prefeito, o processo deve ser encaminhado para a Procuradoria Regional da República no Amazonas.

Por Iara Lemos

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