PT vai barrar votação de projetos de interesse de Arruda na Câmara do DF

PT vai barrar votação de projetos de interesse de Arruda na Câmara do DF

Atualizado: Terça-feira, 1 Dezembro de 2009 as 12

Em resposta ao suposto esquema de pagamento de propina do governador José Roberto Arruda (DEM) aos parlamentares da base aliada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a bancada do PT anunciou nesta terça-feira que vai obstruir a votação de todas as matérias encaminhadas pelo Executivo e, em especial, o Orçamento de 2010.

Segundo os distritais petistas, a proposta orçamentária do ano que vem encaminhada pela equipe de Arruda pode estar ''comprometida pela rede de corrupção'' que envolve a cúpula do GDF (Governo do Distrito Federal). Os petistas defendem que o texto passe por uma triagem e só seja votado em fevereiro.

Sem a aprovação do orçamento, o governo local pode executar mensalmente 1/12 dos recursos previstos. A medida também facilita a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os oitos distritais envolvidos no suposto esquema de mesada.

''A sociedade de Brasília está envergonhada. É como se nossa cidade estivesse naufragando numa rede de corrupção. É preciso investigar, dar respostas'', disse a líder do PT na Câmara local, Erika Kokay.

Ações

A bancada do PT também deve protocolar amanhã no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) uma denúncia contra Arruda por crime eleitoral.

Na Câmara Legislativa, serão entregues um pedido de impeachment assinado em conjunto com movimentos sociais e uma ação por crime de responsabilidade --que também pode resultar em cassação-- contra o governador e ampliada para o vice-governador Paulo Octavio (DEM).

Esquema

A Folha teve acesso a vários DVDs, entre os quais um que mostra Arruda recebendo dinheiro. O vídeo foi feito pelo então presidente da Codeplan (empresa do DF), Durval Barbosa - que era, até sexta-feira (27), secretário de Relações Institucionais de Arruda.

O secretário de Ordem Pública do DF, Roberto Giffoni, nega que o dinheiro seja propina. Em nota, Arruda e o vice-governador do DF, Paulo Octavio, negaram qualquer envolvimento no suposto esquema de mensalão na Câmara Legislativa local.

O dinheiro recebido por Arruda, segundo Giffoni, seria uma contribuição legal de campanha eleitoral para a compra de panetones.

Barbosa usou escuta ambiental e câmera escondida para flagrar as supostas negociações de Arruda e outros integrantes do Governo do Distrito Federal. Como Barbosa responde a uma série de acusações na Justiça, aceitou realizar as gravações com equipamentos da Polícia Federal em troca do benefício da delação premiada.

De acordo com despacho do ministro Fernando Gonçalves, que preside o caso no STJ (Superior Tribunal de Justiça), uma das gravações de Barbosa mostraria Arruda oferecendo R$ 400 mil para a base aliada.

Em outro trecho, Arruda teria ofertado outros R$ 200 mil para o mesmo destino - a base aliada. A PF investiga o objetivo do suposto mensalinho pago por Arruda a aliados.

Por Márcio Falcão

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