Quadrilha de contrabandistas tinha tabela de preços para matar

Quadrilha de contrabandistas tinha tabela de preços para matar

Atualizado: Terça-feira, 20 Setembro de 2011 as 2:42

A quadrilha de contrabandistas de eletrônicos e eletrodomésticos que agia havia dez anos no Brasil, e que desarticulada nesta terça-feira (20) numa ação conjunta da Polícia Federal e Receita Federal, tinha até uma tabela de preços para matar seus desafetos. Os criminosos eram tão violentos que possuíam um grupo de extermínio que trabalhava para eles.

Segundo o delegado da PF Inacy Pereira de Jesus, os preços que os membros da quadrilha pagavam aos executares para eles eliminarem seus ‘inimigos’ variavam de R$ 1.300 a R$ 1.500 por ‘cabeça’. Ao todo, seis pessoas foram mortas pelo célula criminosa por atrapalharem suas atividades ilícitas.

Nesta terça, cinco suspeitos de integrarem um braço da quadrilha foram detidos pela PF em quatro estados e no Distrito Federal, totalizando 18 presos desde o início da operação ‘Canal Vermelho’, deflagrada a primeira vez em 2010. A segunda etapa da ação ocorreu nesta manhã em São Paulo, Ceará, Paraná, Minas Gerais e na capital do país. Também foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal cearense.

  Investigação

As investigações da PF a cerca da quadrilha de contrabandistas tiveram início após a tentativa de assassinato do auditor da Receita Federal José Jesus Ferreira em Fortaleza em 2008. O iraniano Farhard Marvizi foi preso dois anos depois acusado de ser o mandante do crime.

“Acreditamos que os criminosos tenham pago cerca de R$ 1.300 a R$ 1.500 para matar o auditor da receita, mas ele sobreviveu ao ataque. Dois homens numa moto atiraram nele porque ele combatia o contrabando em Fortaleza. Mas Infelizmente outras seis pessoas foram mortas pela quadrilha. Tudo indica que o mentor dos assassinatos é o iraniano preso”, disse o delegado da PF Pereira de Jesus em entrevista coletiva à imprensa concedida na sede da superintendência em São Paulo.

A operação 'Canal Vermelho 1" serviu para prender Marvizi e desarticular o ‘braço armado’ do grupo, segundo o delegado. Nesta terça, o foco da operação 'Canal Vermelho 2' foi prender mais suspeitos e apreender produtos contrabandeados pelos fornecedores da quadrilha.

“Três pessoas foram presas em São Paulo por suposto envolvimento com o esquema criminosos de contrabando. Uma outra foi detida no Paraná e mais uma em Minas”, disse a delegada da PF Claudia Braga, que participou da operação.

Os delegados não souberam informar quanto em dinheiro a quadrilha já movimentou em mercadorias, mas disseram que só nesta manhã foram apreendidos quase R$ 300 mil em produtos contrabandeados no Shopping Oriental, na capital paulista. A Galeria Pagé também foi vistoriada por policiais federais e fiscais da receita em busca de mercadorias irregulares.

Além das lojas paulistas, centros de comércio popular no Ceará, Paraná e Brasília também foram averiguados.

Paraguai

De acordo com a investigação da PF, o esquema criminoso tinha origem no Paraguai. Para driblar a fiscalização da Receita Federal na fronteira com o Brasil e não pagar impostos pelos produtos, os criminosos brasileiros enviavam um avião ao país vizinho. Lá, a aeronave pegava os objetos, na maioria telefones celulares e máquinas fotográficas digitais, e levava-os para Foz do Iguaçu, no Paraná.

Em seguida, a mercadoria seguia em caminhões de transportadoras para São Paulo e Brasília. Posteriormente, os objetos contrabandeados seguiam para Fortaleza, no Ceará. Em alguns casos, os criminosos produziam notas fiscais falsas para enganar os policiais que fiscalizavam os produtos nas estradas.

Os presos nesta terça por suspeita de envolvimento no esquema criminoso podem ser indiciados por contrabando ou descaminho, formação de quadrilha e uso de documento falso. O iraniano responderá por esses crimes e homicídios. Há gravações de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça que comprovariam o esquema criminoso.

O G1 não conseguiu localizar os advogados de Marvizi para comentar o assunto.          

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