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Quatro capitais têm teatros históricos em obras

Quatro capitais têm teatros históricos em obras

Atualizado: Quinta-feira, 27 Maio de 2010 as 9:41

Quatro dos mais importantes e antigos teatros brasileiros passam atualmente por restaurações, reformas ou obras de modernização: o Teatro Municipal de São Paulo, na capital paulista; o Teatro Deodoro; em Maceió (AL); o Teatro São Pedro, em Porto Alegre (RS); e o Teatro Santa Isabel, no Recife (PE). O Municipal de São Paulo e o Deodoro estão fechados ao público por conta das intervenções.

Todas são casas de espetáculos inauguradas entre o final do século 19 e o início do século 20 e consideradas patrimônio público.

Nesta quinta (29), o Teatro Municipal do Rio de Janeiro reabre após uma obra que durou mais de dois anos - estava completamente fechado para o público desde novembro de 2008. Outro teatro histórico que reabriu esta semana foi o argentino Colón, em Buenos Aires, que estava fechado desde outubro de 2006 por conta das reformas.

O G1 verificou a situação em 14 teatros brasileiros, todos entre 99 e 240 anos de existência - o "caçula" é o Municipal de São Paulo, que completa o centenário em 2011. Na maioria, são prédios tombados (reconhecidos como patrimônio) pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ligado ao Ministério da Cultura. Três têm tombamento somente pelas autoridades estaduais, embora dois estejam em processo de tombamento também pelo Iphan.

Além dos quatro teatros brasileiros atualmente em obras, outros dois históricos já têm obras previstas para começar em breve: o Teatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro José Alencar, em Fortaleza (CE). O também tradicional Teatro Amazonas, em Manaus (AM), será pintado externamente no fim do próximo ano.

Outros quatro teatros realizam atualmente projetos para melhorias, que vão desde mudanças na climatização, restauração de fachada e até reforma geral no telhado: Sete de Setembro, em Penedo (AL); Arthur Azevedo, em São Luís (MA); Municipal de Sabará, em Sabará (MG); e Alberto Maranhão, em Natal (RN).

Dos 14 consultados pela reportagem, somente dois teatros não têm intervenções previstas: o São João, na Lapa (PR) e o Municipal de Ouro Preto, na histórica cidade mineira de mesmo nome. Conheça abaixo mais sobre cada teatro, as últimas obras executadas e a previsão de novas reformas.

Todos os teatros tombados precisam ter os projetos de reforma ou restauração aprovados pelo Iphan ou órgão estadual antes do início da obra. A estrutura não pode ser modificada e os elementos históricos devem ser mantidos, segundo o Iphan.

O técnico de teatro Erisvaldo Tavares, administrador cultural do Centro Técnico de Artes Cênicas da Fundação Nacional das Artes (Funarte), ligada ao Ministério da Cultura, afirmou que os 14 teatros selecionados pelo G1 são os principais entre os históricos no país. Para Tavares, a situação dessas casas no país é boa, embora falte mais cuidado com a "arquitetura cênica", como os equipamentos de luz e som.

"Os teatros que têm surgido de 50 anos para cá têm conseguido manter uma conservação muito boa. As casas mais antigas, por conta da dificuldade que têm por serem um bem tombado, com arquitetura histórica, acabam tendo a conservação prejudicada. De modo geral, cuida-se muito da fachada, da estrutura em si, mas não da arquitetura cênica", afirmou o técnico.

Tavares avalia, porém, que existe no Brasil um "grande interesse tanto do poder público quanto de instituições para manter a conservação" desses teatros históricos.

Para o secretário de Cultura do Amazonas, Robério Braga, o desafio dos teatros históricos no Brasil é manter sempre a manutenção em dia, para evitar problemas maiores. Para ele, o problema desses imóveis históricos é a região em que se encontram.

"Entre os teatros-monumentos, no Rio, São Paulo, o São Pedro (RS), estão em sua maioria padecendo de um problema que é o entorno do teatro. O José de Alencar (CE), que é belíssimo, também enfrenta esse problema urbano. Aqui em Manaus, resolvemos isso com a construção de um largo protegido, com ocupação cultural permanente", afirmou o secretário.

O Teatro Amazonas tem pintura externa agendada para o fim de 2011. "Está marcada, mas não estamos precisando agora. Fazemos periodicamente porque como o clima é muito quente, prejudica a pintura", disse Braga.

Fechados para reforma

O Teatro Municipal de São Paulo está fechado para o público desde setembro do ano passado devido a obras de restauração da fachada e pinturas internas. As intervenções em andamento devem ser concluídas até julho, quando começará uma reforma no palco. A previsão é que no próximo ano o teatro seja reaberto para a programação do centenário.

De acordo com a arquiteta que coordena a obra, Rafaela Calil Bernardes, do Departamento de Patrimônio da Prefeitura de São Paulo, estão sendo restauradas pinturas internas que nunca foram tratadas desde a inauguração em 1911, como as da área do restaurante. Uma reforma em todo o teatro foi feita em 1954 e uma grande obra de restauração havia sido realizada entre 1987 e 1991. "Essa de agora é bem menor", esclarece Rafaela.

Ela explica que o trabalho de restauro e conservação deve ser feito com muito cuidado, com mão de obra qualificada e específica.

"Para limpar o arenito e pedras, por exemplo, não usamos água. Em algumas esculturas, fizemos muitos testes e colocamos um emplastro com material de limpeza específico e deixamos por alguns dias. Depois tiramos e fizemos a escovação", conta a arquiteta.

O histórico teatro Deodoro, em Maceió (AL), está fechado desde janeiro de 2008 e tem previsão de ser reaberto até julho. Em novembro, o teatro faz 100 anos e deve ocorrer uma programação especial.

A obra, orçada em R$ 1,9 milhão, começou após uma interdição dos bombeiros em razão das más condições do telhado. Desde então, foi feito um grande projeto de restauração, o maior desde a inauguração do teatro, segundo o governo alagoano. Além do telhado, foi reformada a parte elétrica, instalado sistema antipânico e anti-incêndio, troca de carpetes e foi realizada a informatização da bilheteria. Ainda está prevista a troca de equipamento de som e luz e reformulação da área do palco.

"Buscar novidades"

O Teatro José de Alencar, em Fortaleza (CE), gastará cerca de R$ 340 mil para reforma no conjunto de portas, de banheiros da sala de espetáculo, pisos e estrutura metálica. Engenheiros do governo do estado, que administra o teatro, e do Iphan estão elaborando o cronograma da obra, que deve ser concluída até o fim do ano, segundo a diretora Isabel Gurgel.

Isabel afirma que o teatro está em bom estado de conservação, embora ainda necessite de melhorias. "Se você fizer uma visita guiada ao teatro, verá que está tudo certo. Mas se olhar determinadas pinturas, com um olhar mais apurado, vai ver, por exemplo, que no salão nobre tem um pedaço de pintura de precisa ser restaurado", diz ela, afirmando que é sempre necessário manter obras de manutenção.

"Mas um só restauro não resolve a vida do teatro. O Municipal do Rio tinha feito antes um grande restauro, mas só agora encontrou um painel novo. Sempre é possível encontrar novidades."

Pé de milho

O Teatro Sete de Setembro, em Penedo (AL), inaugurado em 1884, é dos que planeja melhorias. A secretária de Cultura da cidade, Eliana Cavalcanti, informou que está previsto um projeto de climatização mais moderno. Ela afirma, porém, que o grande problema hoje é a fachada.

"O que precisamos é de uma intervenção na estrutura física externa, Até cresceu pé de milho no telhado próximo à fachada. Se a gente tirar, quebra um pedaço da fachada. Esse projeto está sendo concluído pela secretaria de Infra-estrutura, deve terminar em 15 dias. E pretendemos fazer ainda este ano", disse Eliana. O projeto ainda passará por aprovação do Iphan.

Por Mariana Oliveira

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