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'Que isso não fique impune', diz pai de aluno morto em Ciep

'Que isso não fique impune', diz pai de aluno morto em Ciep

Atualizado: Terça-feira, 20 Julho de 2010 as 9:31

"Espero que se faça Justiça. Que se apure corretamente o que aconteceu, que isso não fique impune”, disse nesta terça-feira (20) Ricardo Freire, pai do menino Wesley Guilber Rodrigues de Andrade, de 11 anos, morto ao ser atingido por uma bala perdida dentro de um Ciep em Costa Barros, subúrbio do Rio . O pai do menino participou nesta terça do programa Mais Você.

Durante a entrevista, Ricardo contou a história da família de Wesley, e disse que aguardava o término do ano letivo do filho para levá-lo para Recife. 

E que foi do Recife para São Paulo com a mãe de Wesley quando a criança tinha apenas oito meses.

Em 2005, ele se mudou para o Rio de Janeiro, para se juntar ao filho e à mulher, que já estavam na cidade. Os dois ficaram casados por mais dois anos. Ricardo disse que, apesar da separação, se dá muito bem com a ex-mulher, que mora perto da escola onde Wesley estudava.

Ricardo disse que está desempregado. “A gente ia voltar em dezembro, estava esperando terminar as aulas”, afirmou Ricardo. O pai de Wesley disse que após a missa do filho pretende voltar ao Recife.

Apoio psicológico no Ciep

A Secretaria Municipal de Educação informou que a equipe do Programa Interdisciplinar de Apoio às Escolas Municipais (Proinape), formada por psicólogos e assistentes sociais, permanecerá no Ciep Rubens Gomes durante toda a semana. Neste período, a equipe realizará diversas atividades com os alunos, professores e pais.

A Secretaria informou ainda que o recesso escolar na unidade não foi adiado, e que começará junto com o resto da rede municipal, no dia 26. No entanto, apenas as atividades do Proinape serão feitas na unidade neste período.

Na sexta-feira (16) o estudante Wesley Guilber Rodrigues de Andrade, de 11 anos morreu após ser atingido por uma bala perdida quando estava dentro de uma sala de aula dentro da escola. A polícia fazia uma operação nas proximidades do local.

Perícia nas arma

Os 30 fuzis usados por policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) na operação de Costa Barros serão encaminhados ainda nesta segunda ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Segundo o diretor do ICCE, Sérgio Henriques, só serão enviadas para análise as armas compatíveis com o mesmo tipo de projétil retirado do corpo da vítima.

Henriques disse será feita uma coleta de material de cada arma para comparar com o padrão das ranhuras existentes na bala que atingiu o menino. Cada arma produz uma marca diferente na bala no momento do disparo.

“Temos que fazer pelo menos dois disparos com cada arma para fazer o confronto balístico. Os outros dez fuzis usados na operação não serão periciados, já que utilizam munição diferente da que matou o estudante. A Divisão de Homicídios (DH) pediu prioridade nos exames dos fuzis recolhidos”, disse o perito.

Ele disse ainda que a bala que matou Wesley está deformada porque deve ter batido em algo antes de acertar a vítima. Isso pode dificultar um pouco mais a conclusão do exame. Henriques não soube dizer em quanto tempo o laudo do confronto balístico ficará pronto.

Protesto em Copacabana

Muitas pessoas ficaram emocionadas com uma manifestação realizada na tarde de domingo (18) na Praia de Copacabana, Zona Sul do Rio, para lembrar a morte de Wesley.

Em silêncio, 19 crianças - a maioria estudantes da rede pública de ensino -  foram reunidas em um espaço simbolizando uma sala de aula. Elas estavam com os rostos pintados de vermelho, como se fossem lágrimas, representando cerca de 20 pessoas assassinadas por dia na cidade.   "É importante estar aqui e ajudar as pessoas. Se isso acontecesse com um amigo meu, ia ficar triste. Por isso, viemos aqui para ajudar ", disse a menina.

O governador Sérgio Cabral disse, no sábado (17), que a estratégia da operação policial, que resultou na morte do menino estava errada.

"Se faz uma operação como aquela, com troca de tiros, luz do dia, com um Ciep funcionando, no meio de um confronto como esse, se for absolutamente impossível evitar. Não era o caso. Poderia ter sido feito em outro momento. Houve um erro na operação", disse ele.

O Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino ( Sepe) vai entrar com uma representação na Justiça contra a Prefeitura do Rio por crime de responsabilidade pela morte do estudante.

De acordo com a direção do sindicato, a entidade tem feito várias denúncias e cobranças ao governo municipal e alertado para os problemas da violência nas escolas.

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