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Quem começou briga em boate foi mulher de deputado, dizem policiais

Quem começou briga em boate foi mulher de deputado, dizem policiais

Atualizado: Terça-feira, 8 Fevereiro de 2011 as 8:13

Os dois policiais civis e o comerciante suspeitos de agredir o deputado estadual eleito por São Paulo Antonio de Sousa Ramalho (PSDB), de 61 anos, e sua mulher, a empresária Viviane de Brito, de 26 anos, na casa noturna Villa Country, Zona Oeste de São Paulo, negaram ter começado a briga, ocorrida na madrugada da sexta-feira (4).

“Toda essa briga foi por causa dela. Ela estava descontrolada. Foi ela quem começou”, afirmou o investigador Pedro Henrique Brustolin dos Reis, de 29 anos. Ele, o policial Otávio Bruno Iokota Fabricator, também de 29 anos, e o comerciante Alexandre de Amaral Alves, de 30 anos, todos suspeitos das agressões, deram entrevista ao G1 .

Segundo os três amigos, a mulher do político foi quem agrediu primeiro. Na versão deles, ela jogou a bebida que tomava num copo no rosto de Pedro, após ele tentar cortejar uma empresária amiga de Viviane, uma chinesa de 24 anos, na pista de dança.

“Estavam duas moças dançando juntas, aparentemente solteiras, e pedi para dançar com a oriental. ‘Dá licença que sou casada’, disse a mulher, que, depois eu viria a saber, era casada com o deputado. Mas eu disse que não queria dançar com ela, mas sim com a amiga dela, a oriental. O deputado veio, pegou sua mulher pelo braço. Eu pedi desculpas, ele foi supergentil, aceitou as desculpas. Nisso, a mulher do deputado chegou e jogou um copo de bebida na minha cara. Eu revidei jogando bebida também. O deputado então me deu um soco na boca. Novamente revidei”, disse Pedro, que é solteiro e policial há seis anos. Ele trabalha no 98º Distrito Policial, no Jardim Miriam, na Zona Sul.

Para defender Pedro, Otávio e Alexandre disseram ter tentado apartar a briga. Na confusão, Otávio disse que chegou a apanhar.

“Eu também fiquei ferido devido à minha interferência objetivando separar a briga. Mas em momento algum agredi o deputado, sua mulher ou qualquer outra pessoa”, afirmou Otávio, que é casado e tem um filho de 3 meses. Policial há dois anos, atualmente trabalhando na delegacia do aeroporto de Congonhas, na Zona Sul, ele disse que tinha ido à boate pela primeira vez.

“Fui defender Pedro. E houve agressão posterior, mas como reação para defender meu amigo”, disse Alexandre, que é solteiro.     De acordo com o deputado e sua mulher, foram os três amigos que desferiram primeiro socos e pontapés. Além disso, o casal disse que Pedro paquerou também Viviane, além da empresária chinesa amiga dela.

“Minha mulher queria assistir ao show e fomos. Depois, fiquei na mesa e Viviane foi dançar com uma amiga. Em seguida, minha mulher foi abordada por esse policial civil [Pedro]. Ela então mostrou a aliança no dedo, disse que era casada e que eu estava no local. Mesmo assim, ele insistiu. Então fui pegá-la para dançar. O rapaz ainda se desculpou pelo que fez. Eu disse que tudo bem. Quando me virei, levei um soco do amigo dele, o outro policial [Otávio]. Aí não vi mais nada. Só sei que me contaram que, mesmo caído, me chutaram e chutaram minha mulher, que tentou me defender. Só pararam com a intervenção dos seguranças da casa. Eles pareciam estar bêbados”, disse Ramalho, que falou com a reportagem na sala de seu escritório. Ele é líder do sindicato dos trabalhadores da construção civil em São Paulo.

Com o olho esquerdo roxo e hematomas no braço direito e na perna esquerda, segundo ele, frutos da agressão na casa noturna, o deputado, que será empossado em março, afirmou que espera que os três suspeitos sejam punidos.     “Após acordar, liguei para a Polícia Militar, que levou todo mundo para a delegacia [no 23º DP, em Perdizes], mas como dois agressores eram policiais, tivemos de ir para a Corregedoria”, disse Ramalho, que pretende criar um projeto de lei que proíba a entrada de policiais com armas em bares e casas noturnas. Pedro e Otávio negam que tenham entrado armados no Villa Country ou usado armas no local. Mesmo assim, a Corregedoria apreendeu uma arma que estava em nome de Pedro e estava em seu carro no momento da briga. Também foi solicitado exame de dosagem alcoólica para saber se os envolvidos estavam embriagados.

O delegado-adjunto da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo, Luiz Rezende Rebello da Silva, afirmou que, após prestarem depoimento, os dois policiais suspeitos foram liberados para trabalhar normalmente. Foi elaborado um termo circunstanciado, para crimes de menor potencial ofensivo. Será instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta dos policiais.

“Policial é policial 24 horas por dia, mesmo quando está de folga. Por isso a Corregedoria vai apurar suspeita de desvio de conduta. No caso, há suspeita de falta grave", disse.

Caso sejam considerados culpados, eles poderão ser punidos com advertência, suspensão ou expulsão. Além disso, os dois policiais e o comerciante também vão responder por lesão corporal no Juizado Especial Criminal.

Imagens gravadas pelo circuito interno de monitoramento por câmeras da casa noturna foram requisitadas pela Corregedoria para saber quem deu início à briga. Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Villa Country diz que colabora com o trabalho da polícia.

Leia a nota do Villa Country:

“Em relação ao fato ocorrido na madrugada do dia 4 de fevereiro, envolvendo o cliente, e também deputado estadual, Ramalho, a gerência da casa esclarece que os seguranças prestaram atendimento imediato ao cliente agredido, encaminhando-o à enfermaria da casa. A equipe de seguranças da casa deu continuidade ao procedimento padrão acionando a Polícia Militar, que constatou que dois dos agressores eram policiais civis. O caso agora tramita nas instâncias responsáveis, que apurarão a responsabilidade dos envolvidos.”    

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