MENU

Quero descobrir "o" filme brasileiro, diz olheiro de Cannes

Quero descobrir "o" filme brasileiro, diz olheiro de Cannes

Atualizado: Quarta-feira, 27 Janeiro de 2010 as 12

ma maratona de 20 filmes brasileiros numa semana e uma mala com outros 50 longas em DVD. Desse mergulho no cinema nacional, o crítico francês Fabien Gaffez, 33, espera achar "o" filme para levar ao Festival de Cannes, em maio.

Gaffez, crítico da revista "Positif" e que atua no festival de Amiens há 15 anos, está no país pela primeira vez, convidado pelo Festival de Tiradentes. Sua participação em Cannes também é inédita: ele será um dos seis membros do comitê de seleção da Semana Internacional da Crítica, criada em 1962 com o objetivo de revelar jovens talentos --a mostra aceita apenas filme de estreia ou segundo filme de diretores.

"É muita responsabilidade, preciso te dizer. Porque depois que escolhemos um filme, temos que amá-lo da mesma forma como se o tivéssemos feito", diz Gaffez por telefone. "Vou ter de defender a minha escolha na frente de jornalistas, do público em Cannes. É uma coisa bem interessante estar nessa posição, eu vou praticamente ter de vender o filme de alguma forma."

No total, a maratona cinéfila como olheiro de Cannes inclui viagens por outros quatro países, como Suécia e Burkina Fasso, entre novembro e fevereiro, e de 200 a 400 filmes vistos. "É loucura, mas isso reflete nosso amor pelo cinema."

Na Semana da Crítica, apenas sete longas são selecionados. No ano passado, foram dois longas latino-americanos, de produções internacionais, mas nenhum brasileiro - "Mau Dia para Pescar" (Uruguai) e "Huacho" (Chile).

"Não temos cota, é sempre uma questão de qualidade", diz. "O cinema latino está muito forte hoje em dia, há um renascimento do cinema aqui [...] Na próxima década, será o lugar para se prestar atenção."

O crítico, autor de livros sobre Orson Welles, Johnny Depp e o famoso estúdio japonês Nikkatsu, cita os filmes "Tony Manero", do chileno Pablo Larrain, e "A Via Láctea", da brasileira Lina Chamie, como exemplos do cinema "que toca muito meu coração". "O filme tem que ter uma personalidade forte. "Tony" mistura uma mitologia moderna, que é o personagem Tony Manero [do filme "Os Embalos de Sábado à Noite'], com raízes profundas sobre o Chile. Gosto disso."

Gaffez participa hoje, às 14h30, de um debate do festival mineiro, onde pretende falar sobre a imagem do cinema brasileiro na Europa. Também participam Sylvie Debs, curadora de um festival de Toulouse, e Rachel Monteiro, do programa Cinema do Brasil.

Ainda hoje, Tiradentes terá a exibição do documentário inédito "Um Lugar ao Sol", de Gabriel Mascaro, sobre moradores de luxuosas coberturas de prédios de Recife, Rio e SP.

Por: Fernanda Ezabella

veja também