MENU

'Éramos uma família', lamenta colega de operários mortos em Salvador

'Éramos uma família', lamenta colega de operários mortos em Salvador

Atualizado: Terça-feira, 9 Agosto de 2011 as 3:49

Acidente em canteiro de obras deixa nove mortos em Salvador

(Foto: Arestides Baptista/Agência A Tarde/AE)    

“Éramos uma família, todo mundo unido”, lamenta o carpinteiro Damião Queiroz, de 53 anos, pelos nove colegas mortos no acidente em canteiro de obras do edifício Empresarial Paulo VI, localizado na Avenida ACM, em Salvador.     Os operários estavam em um elevador, chamado por eles de balança, que caiu do 20° andar por volta das 7h30 desta terça-feira (9). Três equipes dos bombeiros foram encaminhadas para atender a ocorrência. Segundo testemunhas, as nove pessoas que morreram estavam dentro do elevador e mais ninguém ficou ferido.

A altura da queda corresponde a cerca de 70 metros, distribuídos ao longo da estrutura, que conta ainda com oito pavimentos de estacionamento. “Eu já estava lá em cima, junto com mais de dez pessoas. Vi os cabos desenrolando, o pessoal falava que ele tinha defeito”, conta Damião.

Funcionários do canteiro de obras e representantes de sindicatos acreditam que o acidente foi ocasionado por defeito elétrico no elevador. “Este é o nosso trajeto toda a manhã. Por volta das 9h, sempre descemos para lanchar, por exemplo. Naquele momento estávamos indo armar os pilares na cobertura. Eu estava embaixo, esperando a próxima viagem”, conta o armador José Félix de Oliveira, de 55 anos.

Segundo o funcionário, um defeito elétrico fez com que o elevador não parasse, batesse na torre e o impacto quebrou o clipe que sustenta o equipamento. “Nossos irmãozinhos foram embora, estamos chocados”, completa José Félix, que trabalha há um ano e dois meses na obra.

A construtora Segura divulgou nota por volta das 12h30, afirmando que o equipamento funcionava de forma regular. A empresa diz ainda que acompanha de perto as investigações pela perícia técnica e destaca que o elevador estava dentro dos parâmetros de segurança e em perfeito estado de conservação. Ainda segundo nota, a construtora Segura está dando apoio aos familiares das vítimas.

Para o presidente da Fetracom - BA (Federação dos Trabalhadores da Indústria da Construção e da Madeira da Bahia), José Nivaldo Souza, o acidente foi decorrente de falta de manutenção. “Há indícios de que o equipamento já havia dado problema em outras obras. O dispositivo que tem a função de parar o elevador, quando acionado, não parou, bateu na torre e explodiu. É muita negligência. Este equipamento tem uma chave que, quando o operador aperta, tem que parar, mas isso não aconteceu”, afirma.

O presidente da Sintracom-BA (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira da Bahia), José Ribeiro, disse que esse foi o pior acidente do setor que ele presenciou nos últimos 35 anos. “As empreiteiras são obrigadas a investir em segurança para evitar acidentes. Você pode ver que está tudo espalhado, inclusive equipamentos na calçada, na via pública. Tem pedaço de ferro, de madeira. Esta situação não pode acontecer”, relata o sindicalista.

O pedreiro Mário Sérgio, de 35 anos, é funcionário da mesma construtora, mas trabalha em outra obra. Ele estava no canteiro para homenagear os colegas que morreram no acidente. “Eu trabalho há nove anos na empresa e esse é o acidente mais grave que vi. Eu não gosto de elevador, faço questão de subir de escada. O elevador é para subir material, mas esse [do acidente] foi autorizado para transportar pessoas”, conta.

Os corpos dos trabalhadores foram retirados do local e encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML), em Salvador. Familiares de vítimas passaram mal e foram socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).          

veja também