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Área próxima a metrô vira ponto de consumo e tráfico de drogas em SP

Área próxima a metrô vira ponto de consumo e tráfico de drogas em SP

Atualizado: Segunda-feira, 26 Julho de 2010 as 10:07

Moradores da Rua do Manifesto, na região do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, dizem conviver com o medo e a insegurança desde a inauguração da Estação Sacomã de Metrô na região, há pouco mais de seis meses. Uma área que fica sob um viaduto, anteriormente utilizada como estacionamento por um restaurante, foi ocupada por moradores de rua, que acumulam lixo e, segundo os moradores, consomem e vendem drogas no local.

A área fica sob o viaduto que liga a Avenida Almirante Delamare à Rua Greenfield, e faz parte do Complexo Viário Escola de Engenharia Mackenzie. De acordo com os moradores, o restaurante teve que deixar de usar a área devido às escavações para a construção do metrô. Com o fim das obras, a área foi cercada por grades e ficou abandonada, atraindo os moradores de rua.

“Olha o que tem de droga aí. À noite parece um formigueiro de tanta gente. Sou obrigada a tomar calmante para dormir. Tem muito barulho, cachorros latindo, isso quando eles não começam a brigar”, contou uma moradora que vive há 11 anos em frente ao viaduto. Com medo, ela não quis se identificar. “Eu sou das que mais reclamam, mais ligam para a Prefeitura. Mas eles vêm, limpam tudo, e o povo volta assim que os fiscais vão embora”, disse a mulher. Segundo ela, a área estava relativamente limpa quando a reportagem do G1 esteve no local. “Fica muito pior”, contou. Os moradores de rua se instalam do lado de fora da área cercada, na grade. Dentro da parte cercada, entretanto, é possível ver lixo, papelões e outros pertences, além de pessoas circulando. “Eles quebraram uma parte da grade para entrar”, contou a moradora.

Segundo ela, durante a noite o movimento é ainda maior. “Vem muita gente consumir drogas aqui. E não é só morador de rua, tem gente que vem de carro e estaciona para usar crack”, contou a mulher. “Dá vergonha de receber visitas em casa, de tanta sujeira.”

Do outro lado da rua, diversos pedestres circulam para acessar uma passarela e uma pequena feira instalada no local. Quem tem barracas por ali não reclama dos moradores de rua – dizem que eles nunca os incomodaram. Mas foi devido à presença deles que o vigilante particular Rodrigo Nunes Silva, de 22 anos, foi trabalhar para uma empresa no local.

“Me chamaram para ficar de olho aqui na rua depois que eles apareceram. Tem um clima meio pesado, com drogas, brigas entre eles e às vezes com quem mora nas casas próximas”, contou ele. “O cheiro é muito forte, horroroso. Eles trazem lixo para separar para reciclar aqui. E às vezes tem muita gente, já cheguei a contar mais de 20 pessoas.”

Quem vive no local conta que antes de ocuparem o viaduto na Rua do Manifesto, os moradores de rua ficavam em outra área próxima, que foi fechada com a construção do metrô. “Tenho medo de voltar para casa à noite. E mesmo durante o dia dá para ver pessoas consumindo crack na frente de todo mundo”, contou outro morador, que com medo de ser identificado pelos ocupantes da área, não quis dar seu nome. “A polícia já veio algumas vezes, mas eles saem correndo.”

Procurada pelo G1 , a Secretaria Municipal de Assistência Social informou em nota que "35 agentes de proteção especial do Serviço Presença Social nas Ruas (PSR) atuam diariamente na região do Ipiranga com a finalidade de abordar e encaminhar a população de rua da área para os serviços da rede social". Disse ainda que "no caso especifico do Complexo Viário Mackenzie, foram realizados nos últimos dias 32 atendimentos a moradores de rua que ocupam o local, dos quais nenhum aceitou encaminhamento para os serviços. O trabalho de abordagem vai continuar com o objetivo de criar vínculos com esta população, mas isto é um processo que demanda tempo e paciência".

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