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Reconstituição do caso Juan terá a participação de policiais suspeitos

Reconstituição do caso Juan terá a participação de policiais suspeitos

Atualizado: Sexta-feira, 8 Julho de 2011 as 8:32

Está marcada para as 10h desta sexta-feira (8) a reconstituição do caso Juan. Segundo o delegado da Divisão de Homicídios (DH) da Baixada Fluminense, Ricardo Barbosa, a reconstituição contará com a participação dos quatro policiais militares do 20º BPM (Mesquita) afastados na quarta-feira (6) pelo comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, e que participaram da operação na Favela Danon, em Nova Iguaçu. Segundo a polícia, o menino de 11 anos teria sido baleado num confronto entre policiais e traficantes.

Os policiais civis responsáveis pelas investigações acreditam que logo depois da reconstituição possam ter provas para incriminar ou não os quatro policiais do 20º BPM (Mesquita).

Enterro

O corpo de Juan Moraes, que estava desaparecido desde o dia 20 de junho, foi enterrado na noite desta quinta-feira (7) no Cemitério municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

A Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) informou que estiveram presentes a mãe de Juan, Rosinéia Maria Moraes, o pai, Alexandre da Silva Neves, e cerca de 20 pessoas. Os custos do funeral ficaram a cargo da Secretaria e a família já voltou para local sigiloso. A mãe de Juan e o irmão Wesley estão incluídos no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM).

Os alunos da escola onde ele estudava, em Nova Iguaçu, prestaram homenagens ao colega nesta quinta-feira (7). No portão do colégio, um cartaz expressava a dor de todos os estudantes. As homenagens continuaram na sala do menino que cursava o quarto ano do ensino fundamental.

Confirmação da morte

A confirmação da morte de Juan foi dada pela chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, na quarta-feira (6). Segundo ela, o corpo do menino foi encontrado na quinta-feira passada (30), no Rio Botas, em Belford Roxo, na Baixada. O local onde o corpo estava fica a cerca 18 km do local onde o menino foi visto pela última vez. Inicialmente, a perícia disse que o corpo encontrado à beira do rio era de uma menina. Depois foram feitos exames de DNA, que comprovaram que o corpo era de Juan.

"Mesmo que, muitas vezes, a gente erre, como a polícia errou, essas pessoas vão ser responsabilizadas por esse erro, e se, por ventura, esses policiais tiverem qualquer tipo de participação neste fato horrendo, eles vão ser punidos exemplarmente", afirmou o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame.   Dois exames de DNA

A confirmação da morte veio através de dois exames de DNA e o material coletado para a identificação do corpo de Juan veio da tira da sandália usada pelo menino quando ele desapareceu, de acordo com o diretor de polícia técnica, Sérgio Henriques.

Ainda de acordo com Henriques, no estado de decomposição em que estava o corpo encontrado era difícil atestar o sexo da criança sem o teste de DNA.

Erro de perita

Segundo Martha Rocha, serão instaurados dois procedimentos: um para analisar o laudo e o parecer emitido pela perita, já que o serviço de antropologia forense do (Instituto) Médico Legal e o exame de DNA mostraram resultados diferentes.

O outro procedimento, segundo a chefe de polícia, é para "avaliar as providências que foram adotadas ou que deveriam ter sido adotadas pela 56ª DP (Comendador Soares), uma vez que no exame procedido no local onde se deu o confronto entre policiais militares e as pessoas por eles apontadas foi encontrado um chinelo. E esse chinelo, na coleta de material genético também positivou como sendo do menino Juan", completou.

Delegado titular da 56ª DP é afastado

Martha Rocha também afirmou que o delegado Claudio Nascimento de Souza não é mais o titular da 56ª DP e que seu substituto será indicado nos próximos dias. O desaparecimento do menino Juan começou a ser investigado pela 56ª DP, mas depois o caso foi transferido para a Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense.            

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