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Reforma vai acabar desmembrada no Congresso, dizem especialistas

Reforma vai acabar desmembrada no Congresso, dizem especialistas

Atualizado: Segunda-feira, 14 Março de 2011 as 10:06

A reforma do sistema político brasileiro deve mesmo sair do papel este ano. Pelo menos uma parte dela. Essa é a expectativa de especialistas ouvidos pelo R7, que, de olho nas divergências que o tema causa entre os políticos, duvidam que ela vire realidade de uma só vez.

A Câmara dos Deputados instalou uma comissão para discutir o assunto na última terça-feira (1º), uma semana depois que o Senado formou a sua. A ideia é que esses grupos decidam o que fazer com os cerca de 100 projetos de reforma política que esperam votação.

Deputados e senadores vão tentar achar uma saída para assuntos como financiamento público de campanha, fidelidade partidária e o fim das alianças partidárias.

Para o diretor acadêmico da Fesp (Fundação Escola de Sociologia e Política), Aldo Fornazieri, a reforma até sai, mas aos pedaços.

- Não há condição política para fazer uma reforma abrangente porque não há consenso nem dentro dos partidos nem entre eles. A reforma será pontual, ao longo do tempo. Essa é a reforma viável.

Ele acha que o Congresso deveria escolher “duas ou três mudanças e centrar fogo nelas”.

A cientista política da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), Maria do Socorro, também acha que, “pelos históricos das reformas, as mudanças vão ser pontuais”. Ela cita o financiamento de campanha política, hoje feita por pessoas físicas e empresas.

- Os parlamentares dificilmente vão enfrentar seriamente o assunto porque há muitas dúvidas se o financiamento continua privado ou se será público ou misto. A primeira polêmica: se virar público, quem vai comprovar que não terá dinheiro privado? Não vai haver nenhum dispositivo que ajude a identificar quem está doando. Hoje, pelo menos, se sabe de onde vem o dinheiro.

Forastieri diz que, se for para eleger alguma prioridade, ele escolheria o “fortalecimento os partidos”. Para isso, ele defende o voto em lista fechada. Como o eleitor votaria em uma relação de políticos escolhida pelo partido, o eleitor aprenderia a conhecer a ideologia da legenda.

- Isso vai estabelecer uma identidade do eleitor com o partido. Aí, na eleição seguinte, o eleitor vai lembrar do partido que votou porque pesquisas mostram que as pessoas se esquecem dos políticos em que votaram nas eleições anteriores.

Os dois também defendem o fim das alianças partidárias para minar a força das siglas sem representação popular e para dar força aos partidos com voto. Assim, as diferenças ideológicas entre os partidos seria escancarada, como acontece nos Estados Unidos, onde há mais de 30 partidos, mas só os democratas e republicanos se revezam no poder por representarem ideologias claramente diferentes.

Na última quinta-feira os presidentes da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e do Senado, José Sarney (PMDB-AC), se reuniram para falar sobre a reforma. Eles prometeram que as comissões vão trabalhar juntas para dar rapidez às mudanças.

Na ocasião, Sarney disse o que todo mundo espera: que o esforço conjunto traga “consenso” e a reforma – fragmentada ou não – seja aprovada ainda este ano.

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