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Reitoria da USP segue cercada pela PM nesta quarta-feira

Reitoria da USP segue cercada pela PM nesta quarta-feira

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 10:42

Policiais militares monitoram entradas do prédio da reitoria da USP (Foto: Juliana Cardilli/G1) O prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) seguia com policiamento reforçado da Polícia Militar na manhã desta quarta-feira (9), um dia após a reintegração de posse que retirou estudantes que ocupavam o local. Por volta das 7h, dez carros da PM e três da Guarda Universitária estavam próximos à entrada do prédio pela qual os estudantes fizeram a invasão e foram retirados – além de um carro de uma equipe de segurança. Policias militares monitoravam também uma outra entrada do prédio.

O policiamento é feito para garantir a integridade do prédio e impedir que estudantes voltem a ocupá-lo. Na madrugada desta terça-feira (8), quando houve a reintegração de posse, 72 pessoas foram detidas - na maioria alunos. Destes, 63 estavam dentro do prédio quando a PM chegou. Eles passaram o dia no 91º Distrito Policial, pagaram fiança de R$ 545 e foram liberados após passarem por exame de corpo de delito, já na madrugada desta quarta. Os estudantes foram indiciados por danos ao patrimônio público e desobediência à ordem de Justiça - que havia determinado a saída do prédio da reitoria até as 23h de segunda-feira (7).

Apesar de ter sido desocupado, o prédio da reitoria ainda não voltou a suas atividades normais. Nesta terça, foi feita a perícia, e ainda é necessário fazer a limpeza e reparar alguns danos. Paredes foram pichadas, móveis revirados e quebrados e havia muita sujeira dentro do prédio. Segundo a USP, os funcionários devem voltar a trabalhar no local apenas nesta quinta-feira (10). Por volta das 7h30 desta quarta, funcionários de uma empresa terceirizada aguardavam a ordem para iniciar a limpeza do prédio.

Greve geral

Em assembleia realizada na noite de terça, estudantes da USP decidiram entrar em greve geral a partir desta quarta. A medida foi tomada para protestar contra a presença da Polícia Militar na Cidade Universitária e a prisão dos alunos e servidores que ocupavam o prédio da reitoria desde 2 de novembro. O encontro foi convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). A assembleia também decidiu que não haveria novas ocupações ou acampamentos no campus e que o convênio entre a USP e a Polícia Militar para a segurança da Cidade Universitária deve ser revogado. Também foi votado o apoio à liberdade imediata dos estudantes e servidores detidos nesta terça, sem que sofram nenhuma retaliação administrativa, e a saída do reitor da universidade, José Grandino Rodas.

Com a aprovação da assembleia geral dos estudantes da USP, agora cada faculdade realiza uma plenária para decidir como será a participação dos alunos. Eles podem realizar piquetes, manifestações ou simplesmente aderir à paralisação.

Uma nova assembleia geral foi marcada para a próxima quinta-feira (10). Ela será realizada no Largo do São Francisco, no Centro de São Paulo, onde está localizada a Faculdade de Direito da USP. Um ato dos estudantes foi marcado para as 14h e a assembleia acontece logo depois, às 16h.

Histórico

O estopim para a ocupação de 12 dias em prédios da USP começou no dia 27 de outubro, quando a Polícia Militar, em um patrulhamento pelo campus da Cidade Universitária, deteve três alunos com maconha. Houve protesto e, no mesmo dia, os universitários ocuparam a sede administrativa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Na noite do dia 1º de novembro, em assembleia, os estudantes decidiram desocupar o prédio da FFLCH, mas um grupo dissidente também fez uma votação e resolveu invadir o prédio da reitoria.

No dia 3, a Justiça autorizou a reintegração de posse do prédio da reitoria e deu 24 horas para os alunos saírem do local. Caso não cumprissem a ordem, a juíza que concedeu a liminar em favor da USP autorizou, "como medida extrema”, o uso de força policial. Representantes da reitoria, dos alunos e do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) se reuniram para tentar chegar a um acordo, mas não houve avanços.

As principais reivindicações dos estudantes são a saída da PM do campus - o que implica acabar com o convênio firmado em setembro entre a corporação e a instituição para aumentar a segurança na Cidade Universitária-, e a revisão de processos administrativos e criminais abertos pela USP contra alunos e servidores.

Uma reunião com estudantes e representantes da universidade estabeleceu no dia 5 um prazo final para que os alunos deixassem a reitoria: 23h de segunda-feira (7). Na madrugada do dia 8, por volta de 5h, a PM cumpriu a reintegração de posse do prédio, em uma operação que contou com a Tropa de Choque e teve 73 jovens detidos – 63 deles estavam dentro do prédio quando os policiais entraram. Eles foram levados de ônibus para uma delegacia. A polícia disse que encontrou coquetéis molotov, caixas com morteiros e um galão com gasolina foram nas salas da reitoria.          

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