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Relatório mostra continuidade na violência contra povos indígenas

Relatório mostra continuidade na violência contra povos indígenas

Atualizado: Quinta-feira, 30 Junho de 2011 as 10:44

A violência e as falhas na atenção à saúde de povos indígenas têm mantido altas as estatísticas de mortes nessas populações a cada ano. A conclusão está no relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – 2010, que o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) divulga nesta quinta-feira (30). O levantamento revela que, no ano passado, pelo menos 60 indígenas foram assassinados no país, repetindo os números de 2008 e 2009.

A antropóloga e coordenadora da pesquisa, Lúcia Helena Rangel, afirmou que a situação dos indígenas é dramática.

- O que fica mais evidente é que continua tudo igual. Temos a reprodução de uma situação que é dramática.

A maioria dos homicídios, de acordo com o Cimi, ocorreu em Mato Grosso do Sul, região de conflitos históricos entre índios e grandes produtores rurais pela posse de terras. O Estado registra mais de 50% dos assassinatos indígenas em 2010 e o maior percentual de ameaças e tentativas de assassinatos notificados pelos pesquisadores.

Alem da violência, o levantamento traz informações sobre outras violações de direitos indígenas, como a assistência à saúde. Em 2010, os números foram alarmantes: de acordo com o relatório, 92 crianças indígenas menores de cinco anos morreram vítimas de doenças consideradas “facilmente tratáveis”, número 500% maior que o registrado em 2009.

Para a coordenadora, a situação do povo Xavante, que perdeu 60 das 100 crianças nascidas vivas, é um “absurdo”. O documento também registra casos de violência policial, desrespeito à demarcação e exploração ilegal de recursos em terras indígenas.

Segundo Lúcia Helena, a repetição das estatísticas negativas revela o descaso histórico em relação às causas indígenas e o recente acirramento do preconceito contra os povos tradicionais.

- Reflete o não reconhecimento dos direitos indígenas, por parte do Estado, por parte dos políticos, dos donos de terra e da população em geral, que expressa um racismo contra os indígenas que está cada vez mais descarado.

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