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Respostas do 447 só sairão em 2012

Respostas do 447 só sairão em 2012

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 8:30

Encontradas após ficarem quase dois anos no fundo do Oceano Atlântico, as caixas-pretas do voo AF-447 chegaram a Paris na manhã de ontem, mas as conclusões sobre a causa do acidente de maio de 2009 não serão conhecidas até o ano que vem. A previsão - ou falta dela - é do Escritório de Investigações e Análise para a Aviação Civil (BEA), que vai precisar de três dias de trabalhos apenas para saber se as gravações estão intactas.

Ainda imersas em água desmineralizada para não aumentar o processo de corrosão, os gravadores foram apresentados ontem para a imprensa e aparentavam bom estado físico exterior. O BEA vai divulgar na segunda-feira comunicado para esclarecer se os módulos eletrônicos gravaram os dados.

O BEA descarta divulgar informações parciais sobre a o conteúdo das gravações. A tendência é de que as primeiras conclusões possam exigir meses. O relatório final sobre o acidente deve ser divulgado no início de 2012.

Além dos gravadores, a expedição ao Atlântico já dispõe de cerca de uma dezena de peças consideradas importantes para descobrir o que derrubou o Airbus A330-200. Entre os componentes da aeronave, coletados desde 26 de abril, estão os dois motores, os calculadores (equipamentos eletrônicos que podem indicar o comportamento do avião), os joysticks e os assentos da tripulação. Ainda hoje, o cockpit do Airbus deverá ser resgatado do local dos destroços, a 3,9 mil metros de profundidade.

É possível que as sondas pitot (sensores de velocidades que podem ser a causa do acidente) estejam presas ao cockpit. No entanto, os especialistas não consideram essencial a recuperação dos equipamentos. Com as caixas-pretas já seria possível saber se as sondas falharam.

Identificação. O Instituto de Pesquisas Criminais (IRCGN) da Polícia Militar da França (Gendarmerie Nationale) espera ter, em sete dias, a resposta de cientistas sobre a possibilidade de identificar, por meio de DNA, os dois corpos recuperados. Se for positiva, o resgate dos mais de 50 corpos encontrados será retomado.

A perícia começou ontem e vai se concentrar em estudar as amostras retiradas do fêmur, onde a chance de preservação do DNA é maior. Os dois corpos, porém, não chegaram a Paris. Eles estão na câmara fria do navio Ile de Sein, que ancorará em Dacar, no Senegal, no dia 20.

Segundo Jean Quintard, procurador adjunto do Tribunal de Grande Instância de Paris - no qual tramita o processo por "homicídio involuntário" -, os corpos não são essenciais ao processo, porque com o resgate das primeiras 50 vítimas, logo após o acidente, há dois anos, já foi possível estabelecer a causa mortis.

Algumas famílias se queixam de ter sido iludidas ao receberem a informação das autoridades de que os corpos haviam sido descobertos "em bom estado de conservação".

Corine Soulas, mãe de uma vítima e sogra de outra, foi comunicada por amigos, e não pelas autoridades, sobre a descoberta dos corpos. "A pessoa que anunciou a descoberta o fez de forma um pouco serena, dizendo que estavam identificáveis. Como o nosso cérebro imagina quando se fala em "identificável"? O que você imaginaria? Imaginaria algo belo, que possamos recuperar e sepultar. Agora falam em "degradado" e "alterado"."

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