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Restos mortais são encontrados em ossuário clandestino em cemitério

Restos mortais são encontrados em ossuário clandestino em cemitério

Atualizado: Quarta-feira, 1 Dezembro de 2010 as 10:08

Foram encontrados restos mortais no interior de um ossuário clandestino que ficava debaixo de um canteiro onde havia um letreiro do Cemitério Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, de acordo com a assessoria de comunicação da Procuradoria da República no Estado de São Paulo.

A equipe que busca localizar e identificar restos mortais de desaparecidos da época do regime militar (1964-1985) é formada por representantes do Ministério Público Federal em São Paulo, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), ligada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal e do Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo.

Segundo os peritos, os restos mortais estavam no interior de sacos. Iniciados no dia 8 de novembro, os trabalhos prosseguirão até a próxima sexta-feira (3) e visam localizar os restos de aproximadamente dez desaparecidos políticos, entre os quais, os de Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, líder sindical dos químicos, que mais tarde acabou liderando o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick.

Após o trabalho de localização, serão selecionadas ossadas para pesquisa antropológica, nas quais fotos, dados médicos e dentários das vítimas serão cruzados com as características das ossadas. Essa primeira fase será realizada em conjunto pelo IML e o INC, que extrairão dos ossos o material genético para a segunda fase, na qual serão confrontados com o material colhido dos familiares das vítimas e que compõe o banco de DNA.

Caso não ocorra identificação positiva, o MPF pleiteia que no local seja erguido um monumento em homenagem aos mortos e desaparecidos na Ditadura Militar. A família de Virgílio Gomes da Silva obteve documentos que apontam o número do terreno em que ele teria sido enterrado no cemitério da Vila Formosa, em 1969.

Essas informações foram repassadas aos procuradores, que realizaram uma série de diligências preparatórias no cemitério. No trabalho de buscas, foi constatado que a sepultura e respectiva quadra foram renumeradas, bem como a possibilidade de que os restos mortais tenham sido transferidos para outro local, pois antigos funcionários indicaram que, quando houve a mudança, os restos mortais foram transferidos para o ossuário clandestino, posteriormente coberto pelo canteiro e o letreiro.

Uma análise pelo INC, realizada com base nos dados preliminares coletados com a ajuda de um radar de penetração no solo (GPR), combinado com fotografias aéreas de 1972, permitiram aos peritos localizar a estrutura embaixo do canteiro, removido para que fossem iniciados os trabalhos. A avaliação é de que esse compartimento tenha aproximadamente três metros de largura por três de comprimento, com profundidade indefinida.

Até a construção do Cemitério de Perus, os cadáveres dos militantes políticos eram enterrados em outros cemitérios públicos, sendo o mais conhecido o de Vila Formosa.

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