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Restrição da circulação de fretados causará mais trânsito em SP

Restrição da circulação de fretados causará mais trânsito em SP

Atualizado: Quinta-feira, 26 Fevereiro de 2009 as 12

Para Jorge Miguel dos Santos, diretor-executivo do Transfretur - Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e Turismo de São Paulo, a restrição da circulação de ônibus por fretamento, nas principais avenidas da cidade de São Paulo, prioriza o transporte individual numa região que já detém trânsito caótico. Pesquisa do Instituto LPM indica que cada fretado tira 19 carros das ruas.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros e Turismo de São Paulo (Transfretur) a proibição anunciada, em 11 de fevereiro, pelo Secretário Municipal de Transporte, Alexandre Moraes, nas avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek, que deve entrar em vigor no mês de abril, caso adotada, aumentará a circulação de veículos particulares nessas regiões e prejudicará ainda mais o trânsito na cidade.

"O que deve ser entendido pelas entidades responsáveis pela organização do trânsito e do transporte é que a modalidade de fretamento é um aliado para inibir os congestionamentos nos centros urbanos", diz Jorge Miguel dos Santos, diretor-executivo da entidade. De acordo com ele, o serviço ajuda a minimizar os problemas já existentes no transporte público, já que transporta 600 mil pessoas por dia. "Essa proposta de restrição para os fretados pode retirar passageiros do fretamento e eles voltarão a utilizar os seus carros, o que evidencia a opção do poder público pelo transporte individual. Organizar o serviço de fretamento e até incentivá-lo seria mais plausível", avalia.

Para o sindicato, desde 2002, os ônibus por fretamento já seguem regras diferenciadas para circulação em determinadas vias na cidade de São Paulo. Há proibição de transitar nas avenidas Nove de Julho, João Dias e na avenida Paulista, a circulação tem horários restritos. "O setor se organizou para seguir as normas impostas nessas vias, no entanto, 'restringir o mínimo necessário', como aponta a Secretaria e outros órgãos, tornaria a operação inadequada", comenta.

Já existem problemas enfrentados pela categoria quanto à criação de paradas de ônibus para embarque e desembarque dos passageiros. "As paradas devem ser organizadas e estabelecidas pelo poder público. Buscamos saídas há vários anos, no entanto, até hoje não foram apresentadas soluções. Não adianta prejudicar a população que faz uso do fretamento".

O Transfretur em conjunto com o Departamento de Transporte Público (DTP), com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a São Paulo Transporte (SPTrans) se reuniram em 2008 para discutir o serviço de fretamento abordando todos os aspectos benéficos e os problemas. Uma das determinações foi realizar uma pesquisa para obter um retrato do serviço que serviria de base para tomar medidas mais adequadas. A coleta de informações foi encerrada no dia 31 de janeiro de 2009, alega o diretor da entidade.

Uma pesquisa realizada em 2008 pelo Instituto LPM, encomendada pelo Transfretur, apontou que um único ônibus por fretamento retira 19 carros na rua. Santos acredita que restringir a operação dos estimados 600 ônibus que transitam nessas vias é colocar, em média, mais 11.400 carros em circulação nos mesmos pontos e em horários de pico. "A proporção é simples, pois o usuário do fretamento é o que deixou o carro em casa, e isso já foi comprovado num levantamento realizado pelo Sindicato", complementa.

O serviço de transporte por fretamento nasceu na década de 50, no Grande ABC, período da industrialização, para realizar o transporte dos empregados das indústrias que se instalavam na região. Hoje cerca de 30% das empresas com mais de 100 funcionários já utilizam a modalidade. "O fretamento regularizado é essencial para assegurar a existência das diferentes escalas de trabalho nas empresas. É ele que permite que os períodos noturnos sejam cumpridos nas empresas. Como serão transportados esses funcionários, se o transporte público não atende nesses horários?", indaga o diretor.

Segundo o Transfretur, os ônibus fretados em circulação em São Paulo trazem moradores das cidades vizinhas e de bairros mais distantes do centro, de regiões nas quais o transporte público é mais deficiente e demorado. "Sabemos que a origem de muitos desses ônibus, que circulam nos locais onde querem impor mais restrições, são do extremo Leste da cidade e também de Sorocaba, Campinas, Santos, São José dos Campos, Itatiba, Jundiaí e Vinhedo, dentre outras. Milhares de trabalhadores serão prejudicados", finaliza.

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