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Rio admite que total de casos de dengue é maior do que o divulgado

Rio admite que total de casos de dengue é maior do que o divulgado

Atualizado: Sexta-feira, 3 Junho de 2011 as 8:18

O número oficial de casos de dengue no Estado do Rio de Janeiro pode ser bem maior do que o contabilizado pela secretaria de saúde. Especialistas ouvidos pelo R7 estimam que o total de infectados pela doença seja de três a dez vezes maior. O superintendente de Vigilância Ambiental e Epidemiológica do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe, admite, em escala menor, as subnotificações. Ele estima que os "casos reais" sejam até 50% maiores. O órgão responde à Secretaria Estadual de Saúde.

Edimilson Migowski, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e infectologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), estima que os médicos que atendem nas emergências, postos de saúde e laboratórios notifiquem apenas um em cada dez casos da doença. Ou seja, se levados em consideração os casos confirmados de dengue informados pela Secretaria Estadual de Saúde, o total de infectados saltaria de 117.922 para cerca de 1,17 milhões.

- Historicamente, a notificação por dengue fica em torno de 10% dos casos. O serviço privado não notifica da mesma forma que o serviço público notifica. De cada cem infectados, apenas 33 apresentam diagnósticos clínicos de dengue - desses, três ou quatro casos são notificados.

O especialista explica que não se trata de negligência, mas de sobrecarga de trabalho nos serviços públicos. Já no serviço privado, Edimilson Migowski diz que não existe a cultura de se notificar os casos. Para ilustrar, o especialista diz que a dengue se comporta como uma pirâmide - no topo, estão os casos clínicos graves e os óbitos e, na base, os pacientes que não procuram auxílio médico ou que não coletam sangue para exame.

Com base em sua experiência em hospitais, o infectologista da UFRJ Alberto Chebabo também diz acreditar que o total de casos de dengue seja maior do que o contabilizado pelo governo. Ele estima que a soma seja até três vezes maior do que as notificações divulgadas.

- Há pacientes com quadros assintomáticos e outros com quadro mais florido. Existem aqueles que só têm febre e não procuram assistência médica e os que procuram e não fazem o diagnóstico. Esses casos não são notificados.

  O superintendente de Vigilância Ambiental e Epidemiológica do Rio não nega essa realidade. Chieppe defende que os órgãos públicos obtêm êxito quanto ao número de notificações e que a maioria de casos não informados parte, sobretudo, de hospitais e clínicas particulares.

- A gente trabalha com a possibilidade de ocorrer subnotificação e a gente sabe que ocorre principalmente na rede privada. Como a gente trabalha com tendência, é importante que não haja absolutamente nenhuma subnotificação de casos graves e de óbitos.

Para ele, não seria um exagero dizer que as subnotificações no Estado do Rio de Janeiro cheguem a até 50%. Ou seja, na opinião de Chieppe, o número de “casos reais” de dengue chegaria a 176.883, se levados em consideração dados divulgados em 2 de junho.

Os casos de dengue são informados por médicos das redes pública e privada a hospitais, clínicas e outros estabelecimentos de saúde que, por sua vez, repassam as informações às secretarias estaduais e municipais do país. As notificações se dão a partir de exames clínicos e/ou laboratoriais.

O Ministério da Saúde pede que todos os órgãos de saúde dos Estados e municípios informem, no prazo de 24 horas, as mortes e os casos graves da dengue. Por sua vez, os casos leves podem ser informados em até sete dias. A decisão faz parte da Portaria 104, anunciada pelo ministro Alexandre Padilha e publicada em 26 de janeiro no Diário Oficial da União.

Para evitar que ocorra alto índice de subnotificação na rede privada do Rio, cerca de 50 profissionais de saúde participaram nesta quinta-feira (2) de treinamento do Ministério da Saúde para diagnosticar precocemente casos de dengue.            

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