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RJ: Cracolândias causam surto de DSTs em crianças

RJ: Cracolândias causam surto de DSTs em crianças

Atualizado: Domingo, 5 Abril de 2009 as 12

Na explosão do consumo do crack por crianças e adolescentes no estado do Rio de Janeiro gerou um problema que está alarmando autoridades e especialistas em saúde pública: a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e Aids entre crianças e adolescentes, principalmente nas ‘cracolândias’.

"Pelo menos 20% dos pacientes com sífilis ou gonorreia que atendemos são crianças ou adolescentes", diz o diretor do Centro Municipal de Saúde Oswaldo Cruz, na capital carioca, Paulo Roberto Machado. A região está entre os 10 pontos de maior concentração de consumidores de crack no Rio.

"A promiscuidade do dependente químico favorece a contaminação. Não há dúvida de que a exploração sexual infanto-juvenil culmina com o aumento do consumo de drogas e das DSTs", alerta o médico José Alberto Morais, da Coordenadoria de Saúde da AP (Área Programática) 3.3, que abrange postos de saúde em 29 bairros, entre eles Madureira, Marechal Hermes, Irajá, Anchieta e Pavuna. Nessas áreas, meninos e meninas se juntam todas as noites para fumar as pedras de crack compradas por valores que vão de R$ 1 a R$ 5.

O secretário municipal de Assistência Social (SMAS), Fernando William, admitiu que a exploração sexual de crianças e adolescentes está atrelada ao uso de drogas, principalmente o crack. "Posso dizer que 90% dos jovens que estão nas ruas usam crack. Infelizmente, essa é uma das formas que estão usando para conseguir dinheiro e manter o vício", revela. "Tentamos reprimir essa exploração, mas essas crianças se deslocam das cracolândias para o interior das favelas, onde a secretaria, sozinha, não consegue atuar", completa William.

Denunciada pelo jornal carioca O Dia, a evolução do vício de crack para um grave surto de DST e Aids não pode ser considerada um problema surpreendente no município do Rio. Em 2007, a secretaria mapeou 15 áreas da cidade onde os adolescentes eram explorados. De lá para cá, pouca coisa mudou. O jornal percorreu as regiões indicadas pelo estudo e constatou o crescimento das doenças exatamente nos locais onde a exploração sexual foi diagnosticada pela SMAS.

A Quinta da Boa Vista, onde há pelo menos uma década menores são explorados sexualmente, é um dos pontos onde hoje o problema é encontrado no Rio. Para sustentar o vício, a adolescente R., de 15 anos, contou que fugiu de casa, no Morro da Mangueira, e passou a disputar espaço nas calçadas do local com prostitutas e travestis.

"Brigava muito com minha mãe porque queria crack, mas ela não me dava dinheiro. Uma amiga me chamou para a calçada e eu fugi de casa. Estou aqui para conseguir o que quero", disse R. que, com jeito de menina, atraía os homens mais velhos. No primeiro dia da ‘nova vida’, a garota era supervisionada de perto pela amiga.

Foi também pelo caminho das drogas que os travestis L., 16 anos, e M., 17, passaram a ser explorados sexualmente. Assim como R., eles saíram de casa em busca de dinheiro fácil para financiar a compra de entorpecentes. "Somos viciadas em crack. Conseguimos quantas pedras o cliente quiser. Basta ele pagar para fazermos a festa", gaba-se L., que diz já ter contraído sífilis durante um programa.

Mal oculto

Automedicação - A procura por tratamento para DST/AIDS nos postos de saúde ainda é baixa. Para Maria Cristine Cardoso, diretora da Policlínica Alberto Borgerth, em Madureira, os jovens têm vergonha de assumir a doença: "Eles preferem recorrer à automedicação".

Jovens contaminados - Dados da Secretaria Municipal de Saúde revelam que, de 2006 a 2008, a rede atendeu 44 jovens contaminados pelo vírus da Aids, com idade entre 13 e 19 anos.

Consequências graves - Segundo médicos, se não tratadas corretamente, doenças sexualmente transmissíveis podem provocar males cardíacos e problemas neurológicos.

Postado por: Adriana Amorim

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