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Roriz fala pela primeira vez sobre a crise no DF

Roriz fala pela primeira vez sobre a crise no DF

Atualizado: Terça-feira, 23 Fevereiro de 2010 as 12

Em silêncio desde o inicio do escândalo que atingiu o governo do Distrito Federal, o ex-governador e candidato do PSC ao governo, Joaquim Roriz, vai falar sobre o escândalo do mensalão do DEM em pronunciamento na televisão. O ex-governador gravou quatro textos que serão transmitidos a partir das 19h desta terça-feira (23) e também na quinta-feira e no sábado. Ao todo serão 30 inserções de 30 segundos cada no programa local do PSC.

Nos pronunciamentos Roriz falará sobre a crise e também sobre a possível intervenção federal no DF. A intervenção foi pedida pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Em um dos textos, o ex-governador fala que o suposto esquema de pagamento de propina dentro do DF é “vergonhoso” e “escandaloso”. “É tão vergonhoso, é tão escandaloso e eu fico numa indignação, eu fico numa vergonha, meu Deus do céu”, diz em pronunciamento.

Roriz também fala de intervenção e diz que a medida é traumática e não é uma solução. “Eu acho que quando se fala em intervenção, Brasília não merece uma intervenção. Brasília não pode perder a sua autonomia política, Brasília é a hospedeira dos três poderes da República”, afirma o texto divulgado pela assessoria de Roriz.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, no dia 2 de dezembro, o então governador José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), declarou que o recente escândalo envolvendo seu governo é uma “chantagem” e uma tentativa de Roriz vencer as eleições de 2010 “no tapetão”.

Arruda acredita que o escândalo é uma armação para evitar que ele ganhe as eleições para o governo em 2010. O governador afastado disse que seus adversários políticos queriam derrubá-lo, já que Arruda mostrava que podia vencer as eleições no primeiro turno.

Roriz renunciou ao Senado em julho de 2007 para evitar a cassação do seu mandato, quando foi acusado de quebra de decoro parlamentar. Na época, após divulgação de conversas, ele foi acusado de negociar a divisão de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do BRB (Bando de Brasília) Tarcílio Franklin de Moura.

O ex-governador negou as acusações e disse que pediu um empréstimo de R$ 300 mil - quantia descontada de um cheque de R$ 2,2 milhões. O dinheiro, segundo ele, teria sido utilizado para comprar uma bezerra e ajudar um primo.

Roriz assumiu o governo do DF pela primeira vez em 1988, quando foi indicado pelo então presidente José Sarney. Depois, foi eleito diretamente ao governo em 1998 e 2002.

Íntegra dos pronunciamentos de Roriz

Escândalo - É tão vergonhoso, é tão escandaloso e eu fico numa indignação eu fico numa vergonha meu Deus do céu, como pode chegar nisso aí? Mas, por outro lado, eu vejo firmeza na Justiça. A Justiça vai punir, a Justiça vai fazer como ela está fazendo. Então eu fico...por um lado eu fico com profunda decepção, por outro cheio de esperança que a justiça cumpra seu dever...

Crise - Eu vejo esta crise do GDF com muita apreensão. É realmente um quadro altamente preocupante. Mas vejo por outro lado que a crise não é em Brasília, não é com os brasilienses, a crise é com o GDF. Não vamos misturar uma coisa com a outra. E a responsabilidade cabe única e exclusivamente aqueles que estavam governando. Por que Brasília é muito maior do eu uma crise passageira.

Intervenção 1 - Quando a gente procura pensar numa solução, eu vejo que a intervenção não é a solução. Ela é traumática. Por outro lado eu acho que quem tem que resolver isso é a Assembléia Legislativa. E a Assembléia precisa ser mais ágil nas soluções das questões internas. Por que a solução efetivamente mais democrática passa pela Assembléia Legislativa.

Intervenção 2 - Eu acho que quando se fala em intervenção, Brasília não merece uma intervenção. Brasília não pode perder a sua autonomia política, Brasília é a hospedeira dos três poderes da República. Eu acho que precisa é nós discutirmos e buscarmos a unidade da sociedade. Nós estamos apoiando é o só o erguimento de uma cidade que nós todos aprendemos a admirar e amar. Que é a capital do meu país.

Por: Lais Lis

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