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Rua sem nome provoca transtornos para moradores da Zona Leste de SP

Rua sem nome provoca transtornos para moradores da Zona Leste de SP

Atualizado: Segunda-feira, 4 Abril de 2011 as 9:02

Receber uma correspondência, acolher os amigos para uma festa ou mesmo pedir uma pizza não são tarefas fáceis para quem mora em uma rua que não tem nome na Vila Jacuí, na Zona Leste da capital. Os moradores adotaram o nome de Rua Particular para a via que é uma travessa da Avenida Jacu-Pêssego e paralela a Avenida Laranja da China. Porém, a rua que fica na margem do córrego Jacu não possui um CEP e não aparece no guia de ruas.   A lista dos constrangimentos sofridos pelos moradores é extensa. O estudante de administração de empresas Rui Sandro Montalvão, de 25 anos, mora desde a infância na rua, mas ainda não se acostumou com o inconveniente. “Em uma cidade grande como São Paulo, como pode existir ainda uma rua sem nome?”, indaga o estudante. “Da última vez que decidi fazer uma festa, tive que esperar meus convidados na Laranja da China”, disse. Para receber correspondências, os moradores utilizam o CEP da Avenida Laranja da China e contam com a gentileza do carteiro. “Ele trabalha na região há muito tempo e já conhece a rua”.

O morador que pede uma pizza por telefone também corre o risco de recebê-la com atraso. “Uma vez o entregador me pediu para ir encontrá-lo no posto porque não encontrou a rua no guia de ruas. Ele pensou que era uma emboscada, que queriam roubar a moto dele”, lembra Montalvão.

A autônoma Glória Cleide dos Reis, de 49 anos, teve que esperar o marido melhorar de uma convulsão para levá-lo ao hospital na semana passada, porque o socorro não conseguiu localizar a sua residência durante a madrugada. “Queriam que eu fosse esperar o socorro na rua, mas como eu dia deixar o meu marido passando mal sozinho dentro de casa?”, afirmou.   A rua é asfaltada e tem iluminação pública. Os moradores afirmam receber regularmente a cobrança do IPTU. “Até mesmo quando precisamos fazer um pedido para a Prefeitura é difícil”, disse a auxiliar de enfermagem Francisca Alves de Souza, de 53 anos, antiga moradora da rua.

Já o mecânico de motos Valmir de Jesus Reis, de 49 anos, que mora há na via há cerca de 30 anos, acredita já ter perdido vários clientes de sua oficina em função da falta de um endereço preciso. “Difícil é saber quantos clientes eu perdi por causa disso”, contou.

As tentativas para colocar um nome na rua se sucederam ao longo dos anos. Moradores disseram já ter feito abaixo-assinados e procurado várias lideranças políticas locais. Em vão. Em 2007, um morador fez uma nova solicitação à Subprefeitura de São Miguel Paulista, que administra a região. A Subprefeitura afirmou na quinta-feira (31) ser responsável pela colocação das placas, mas que a decisão sobre o nome fica a critério da Secretaria da Habitação do município, que até essa data analisava o caso.   Outro lado

Procurada pela reportagem do G1 na quinta-feira (31), a Secretaria da Habitação afirmou que o processo foi encaminhado para a Secretaria de Negócios Jurídicos (SNJ), mas não precisou a data exata. A assessoria de imprensa da SNJ afirmou em nota, no entanto, que a tramitação do processo de regularização da via teve início em cinco de junho de 2007. “A partir de então, seguiu os encaminhamentos normais, passando pelos setores competentes, como de costume, retornando para SNJ no dia 30 de março”, antes, portanto, do contato da reportagem. A SNJ, porém, afirmou não ter localizado com as informações passadas pela reportagem os dados sobre a cobrança de IPTU das residências da Rua Particular.

Os Correios informaram que asseguram a entrega de correspondências às ruas regularizadas pela Prefeitura. Apenas após esse processo, o logradouro recebe um CEP e a visita de um representante da empresa para que a distribuição regular seja estabelecida. Em alguns casos, como o da Rua Particular, o carteiro conhece bem a região e consegue fazer a distribuição, já que os moradores utilizam o CEP da rua vizinha. No caso de comunidades que não possuem um endereço regularizado, os Correios informam que oferecem a possibilidade de optar por uma caixa-postal comunitária.      

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