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'Saí nadando dentro de casa', diz vítima de alagamento em Mauá

'Saí nadando dentro de casa', diz vítima de alagamento em Mauá

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 12:21

A enxurrada que se formou na Avenida Claudio Savietto, em Mauá, no ABC, após as fortes chuvas desta terça-feira (18) fez com que o vendedor Ronei Ferreira do Nascimento, de 25 anos, tivesse que sair nadando de dentro de casa, onde a água alcançou cerca de dois metros de altura. A enchente foi tão rápida que não houve tempo dele sair antes da entrada da água. A sorte do vendedor e de outras duas pessoas foi que a porta da cozinha foi derrubada pela força da enxurrada. Por ela, eles saíram nadando.   “Quando começou a chover, fomos levantar algumas coisas, mas foi muito rápido. Tentamos abrir a porta da sala e ela já estava travada pela água. A água subiu até o pescoço e saí nadando dentro de casa”, contou o vendedor na manhã desta quarta-feira (19). “Fomos para a cozinha e a porta já estava no chão. Saímos por ali. Nos seguramos na grade da janela, do lado de fora, e saímos por cima do muro. Ficamos em uma parte alta e depois o pessoal nos puxou com uma corda.”

Dentro da casa, móveis e eletrodomésticos foram arrastados pelos cômodos e tudo foi perdido. Nascimento ainda procurava nesta manhã seu CPF em meio à lama – o RG ele conseguiu levar no bolso. “Foi um desespero quando vi a porta travada, a água subindo cada vez mais. Deu medo”, contou o vendedor.   Ele mora no local há nove meses – antes, vivia em uma casa em uma área mais alta do bairro, que nunca encheu. “A gente sabia que enchia aqui, mas não desse jeito”, afirmou.

Na casa vizinha à dele, apesar de a água ter subido um pouco menos, a destruição foi maior. Um carro foi parar dentro do quintal e, no caminho, derrubou o muro da frente. O veículo estava parado na rua e ninguém sabe quem é o dono. Nesta manhã, sete pessoas trabalhavam com enxadas na limpeza da casa – seis delas vizinhas. “Vim ajudar aqui, depois vou ajudar outro. Tem que ser assim. Não adianta só ficar olhando”, disse a auxiliar de enfermagem Roseli Aparecida, de 47 anos.

Na casa dela a água subiu pouco e tudo já foi limpo. O mesmo aconteceu na casa da operadora de caixa Silvia de Lima Santos, de 24 anos, que também auxiliava na limpeza. “Na minha casa a água voltou pelo banheiro, chegou na canela. Limpei, dormi umas três horas e vim para cá ajudar”, contou ela.

Segurando na janela

A rapidez e a força da água também impressionaram a professora Meire Silva, de 42 anos. Ela e a mãe tiveram que se segurar nas janelas de casa, em meio ao alagamento, pois não conseguiram sair do imóvel. “Fechamos as comportas quando começou a chover, achamos que a água não ia entrar. De repente começou a entrar. Quando vi, o rio já estava na rua”, contou ela.

O irmão da professora mora no andar de cima. Entretanto, ela e a mãe não conseguiram sair para o quintal para poder subir. “Pensei em subir em um balcão, mas estava dando choque. Os vidros da cozinha começaram a quebrar. Voltamos para a sala e ficamos penduradas na janela”, relatou.

A professora mora desde que nasceu no local e nunca tinha visto uma enchente tão forte. “Você pensa que vai morrer, minha mãe começou a chorar”, disse ela. O muro dos fundos desabou e a casa e o quintal ficaram tomados por uma grossa camada de lama. O carro de Meire, que estava na garagem, ficou boiando. Na manhã desta quarta, uma montanha de entulho e lama se acumulava em frente à casa dela.

O cenário é parecido em outras ruas do bairro. Como protesto, moradores interditaram a Avenida Presidente Castello Branco, na esquina com a Avenida Claudio Savietto, com os móveis estragados, por volta das 11h. Eles impediam a passagem de veículos e aguardavam a chegada de um representante da prefeitura.    

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