São Paulo precisa aplicar mais testes do bafômetro, dizem especialistas

São Paulo precisa aplicar mais testes do bafômetro, dizem especialistas

Atualizado: Quinta-feira, 10 Fevereiro de 2011 as 12:55

Números da Polícia Militar apontam aumento no número de motoristas submetidos ao teste do bafômetro na cidade de São Paulo. Em 2010, 156.266 pessoas passaram pelo exame na capital, em comparação com os 105.938 registrados em 2009 – um crescimento de 47%. A Lei Seca entrou em vigor em julho de 2008, quanto então começaram as operações policiais.

Mas especialistas ouvidos pelo G1 dizem que esse crescimento da fiscalização ainda é insuficiente para conter o aumento dos acidentes com vítimas no trânsito.

No ano passado, 4.638 pessoas morreram nas estradas paulistas, e outras 138 mil ficaram feridas. Só na capital foram 594 mortes em acidentes no trânsito. Segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública, houve aumento de 5% no número de feridos em acidentes na capital no ano passado - no estado, o número subiu 6%.

Estudos da Abramet, diz Racy, apontam que pelo menos metade dos acidentes de trânsito no estado envolve motoristas dirigindo alcoolizados. Não há números oficiais do governo sobre o tema.

"A fiscalização tem que ser mais efetiva e robusta. É do talão do policial, que multa ou prende o infrator bêbado, que se provoca a mudança de comportamento dos motoristas", acrescenta o consultor em engenharia de tráfego urbano Luiz Célio Bottura.

Comandante da PM no trânsito rebate críticas

Chefe do policiamento do trânsito da capital, o coronel Hervando Luiz Velozo diz que a fiscalização do bafômetro continua sendo realizada com vigor pela corporação, mas que a PM possui outras prioridades antes.

"Nosso primeiro objetivo é garantir a segurança nas ruas, na parte criminal, evitando que ocorram furtos e outros crimes nos cruzamentos. Em segundo lugar, vem a fluidez do trânsito. Só depois focamos a fiscalização, que compreende verificar documentação do motorista e o teste do bafômetro”, diz o coronel.

Segundo Velozo, a PM está verificando o cumprimento da Lei Seca, que impede que motoristas dirigem sob efeito de álcool, com blitzes à noite, principalmente em regiões próximas a bares, como as Zonas Sul e Oeste da capital.  “Sempre vejo fiscalizações na Avenida Luis Dumont Villares e na Avenida Brás Leme (ambas na Zona Norte)”, diz o coronel.

"A quantidade de testes feita ainda é insuficiente para apresentar um resultado positivo nos índices criminais. O recomendável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é que pelo menos um terço da população de cada estado passe pelo bafômetro a cada ano, e isso não ocorre. A população de São Paulo, ao contrário do que ocorre no Rio de Janeiro, não tem mais medo de ser fiscalizada", diz o diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) Fábio Racy.

O especialista em segurança de trânsito Joseph Barat concorda: "O resultado das operações depende da capacitação da própria PM, de posicionar seus homens nos locais certos e na hora certa para pegar os motoristas alcoolizados", critica. "O que há hoje é um jogo, uma briga entre o policiamento para segurança pública e o para o trânsito, que possui um contingente de limitação", afirma Barat.    

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