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Sargento diz que bombeiros não vão recuar após prisão de manifestantes

Sargento diz que bombeiros não vão recuar após prisão de manifestantes

Atualizado: Domingo, 5 Junho de 2011 as 8:28

O movimento dos bombeiros garante que não vai recuar enquanto o governador Sérgio Cabral não receber um representante da categoria e ouvir suas reivindicações. "Nossa meta é não dar nem um passo atrás", disse, neste sábado (4), o sargento João Marcos Oliveira, diante de um grupo, formado por militares e familiares dos detidos, na porta do quartel da Corregedoria da Polícia Militar, em Neves, São Gonçalo, Região Metropolitana."Há muito tempo estamos tentando isso, mas não conseguimos. Não vamos deixar que coloquem a população contra a gente. Ontem (sexta), não queríamos invadir o quartel central, mas ocupar a nossa casa. Mas fomos tratados desrespeitosamnte. Não somos bandidos", defendeu o sargento.

Reunião definirá destino dos 439 presos De acordo com assessoria da Polícia Militar, neste sábado ocorre uma reunião na sede da Corregedoria na presença de um promotor do Ministério Público do Rio, na qual será definido o destino dos 439 bombeiros presos. Ainda segundo a assessoria, é provável que eles sejam transferidos para unidades do Corpo de Bombeiros no estado.Em frente ao quartel, a todo momento chegam familiares dos detidos em busca de infomações.Advogados da Associação de Cabos e Soldados dos Bombeiros e da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aguardam uma autorização para entrar e falar com os detidos. Mas até o fim da tarde não haviam conseguido permissão.Segundo alguns bombeiros, que conseguiram falar com colegas detidos, eles foram informados de que os praças estariam em ônibus estacionados dentro do quartel. Eles teriam recebido alimentação e água, na parte da tarde. Os oficiais, pelo menos seis, considerados lideranças do movimento, estão isolados em salas da corregedoria.

Pena pode chegar a 12 anos, diz comandante do BPChoque O comandante do Batalhão de Choque da PM (BPChoque), coronel Waldyr Soares Filho, afirmou na tarde deste sábado (4) que a movimentação dos bombeiros e a   invasão do Quartel Central , no Centro do Rio, já podem ser considerados um motim. Se qualificados neste crime, de acordo com o comandante, os bombeiros poderão pegar de 3 a 8 anos de prisão, sendo que os líderes do movimento, podem ter a pena agravada. E com isso, a punição pode chegar a   12 anos de detenção .

"O código disciplinar militar é rígido. Invasão de quartel é uma atitude muito grave e está previsto no artigo 149 do Código Penal Militar", disse o comandante.

'Meu filho não é bandido', diz mãe de bombeiro preso

Famílias dos bombeiros presos neste sábado (4) após invadirem o quartel central da corporação na noite de sexta (3) aguardam uma solução para o caso na porta da Corregedoria da PM, para onde os manifestantes foram levados. Cerca de 25 pessoas ficam da grade do batalhão tentando ver a movimentação dos filhos e maridos mantidos dentro dos ônibus no pátio da unidade. Um deles conseguiu sair e tranquilizar a mãe, Marilu Fonseca, que ficou muito emocionada.

"Meu filho não é bandido . Tem um monte de gente que faz greve e não é preso. Ele é técnico em raio-x, trabalha na área médica. Ele estava no plantão e depois foi lá para o quartel onde estavam os outros bombeiros. Ele não pode ser tratado como bandido", disse a mulher, bastante emocionada.

Mais cedo, em entrevista coletiva,   o governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que os bombeiros que invadiram o quartel Central do Corpo de Bombeiros são "vândalos, irresponsáveis , que não irão de forma alguma prejudicar a imagem de uma instituição tão respeitada e querida pelo povo do Rio de Janeiro."

Segundo Cabral, os bombeiros "têm recebido um apoio jamais visto nas últimas quatro décadas. Desde a existência do estado do Rio o Corpo de Bombeiros não vê o número de equipamentos, de condições de trabalho, que recebeu nos últimos 4 anos e 5 meses do nosso governo," garantiu.

Troca de comando nos bombeiros Após uma manhã de reuniões, o governador anunciou um  novo comandante para o Corpo de Bombeiros, o coronel Sérgio Simões assume a corporação no lugar do coronel Pedro Machado. Simões era comandante da Defesa Civil do município. O motivo da substituição, segundo Cabral, foi descontrole hierárquico.

"Foram eventos completamente inaceitáveis do ponto de vista do estado de direito democrático, do ponto de vista do que representa o respeito as instituições, sem falar na própria hierarquia nessa instituição tão querida pelo povo do Rio que é o Corpo de Bombeiros", continuou Cabral.

"Não há negociação com vândalos, eu não negocio com vândalos, eles responderão administrativa e criminalmente" pela invasão do quartel Central, garantiu o governador. 

Cabral afirmou que há planos de aumento de salários já anunciados para os bombeiros. "Há um programa de incremento salarial aprovado na Alerj, de R$ 2 mil, esse grupo ao final do ano já está atendido. Se não é ideal é o melhor da historia da corporação."

Segundo Mário Sérgio Duarte, comandante-geral da PM, o uso da força não era interesse do governo. "Não nos interessava o uso da força, por isso tivemos uma extensa negociação. (...) Nossa preocupação era muito grande com crianças e mulheres. Aquele grupo dizia que iria reagir de toda forma possível a qualquer ação nossa, então havia um cuidado muito grande. Havia notícia que havia arma de fogo entre eles. A preocupação é de que alguns tivessem armas. Ouvimos alguns disparos na madrugada. Apreendemos um bombeiro com uma pistola. Tinham armas letais. Se essas armas foram levadas, vamos fazer apuração," disse.

Rotina normal O Comando Geral do Corpo de Bombeiros garantiu no início da manhã que a rotina de atendimento à população do Rio está mantida, apesar das prisões dos bombeiros manifestantes.

Os substitutos dos 439 bombeiros detidos já assumiram seus postos segundo nota da divulgada, e postos de salvamentos dos Grupamentos Marítimos, assim como quartéis, unidades de atendimento de urgências e emergências (SAMU/GSE) e serviços de socorro (combate a incêndios, salvamentos e desabamentos, etc) estão operando normalmente.

Invasão Após uma noite inteira de negociações para que os cerca de dois mil bombeiros deixassem o quartel, a tropa de Choque da Polícia Militar e também   policiais do Bope invadiram   o quartel do Centro.

Para entrar no complexo, por volta de 6h10, os policiais usaram bombas de efeito moral e bombás de gás lacrimogêneo. Pelo menos duas crianças sofreram intoxicação devido ao gás e dois adultos tiveram ferimentos leves na cabeça, por conta das bombas de efeito moral que foram lançadas pelo Bope.

Desde 19h30 de sexta (3), bombeiros ocuparam o pátio e as dependências do complexo. Mulheres e até crianças se uniram a oficiais numa passeata que começou em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e que passou pelas principais avenidas do Centro, até chegar ao quartel.

  Reivindicações O Cabo Benevenuto Daciolo, porta-voz do movimento, explicou que entre as reivindicações estão piso salarial líquido no valor de R$ 2 mil e vale-transporte.

“Nós temos o pior salário da categoria no país, que é de R$ 950. Estamos há dois meses tentando negociar com o governo, mas até agora não obtivemos resposta. Nosso movimento é de paz e estamos em busca da dignidade. Não vamos recuar até que haja uma solução. Queremos um acordo, queremos que o governador se pronuncie”, disse o porta-voz.

O comandante do Batalhão de Choque, coronel Waldir Soares, sofreu fratura em uma das mãos e teve o joelho lesionado durante a invasão dos manifestantes. As informações foram confirmadas pela Polícia Militar (PM). Segundo a PM, ainda não há informações sobre quem seja o responsável pelas agressões.

Após a invasão e durante a madrugada, os manifestantes se alimentaram com o estoque de comida da cozinha do quartel. Eles consumiram pães, queijos, frutas e sucos.

Negociação dentro do Quartel Central dos bombeiros (Foto: Rodrigo Vianna/G1)

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