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Sargento é demitido por exigir propina para não apreender madeira

Sargento é demitido por exigir propina para não apreender madeira

Atualizado: Quinta-feira, 23 Junho de 2011 as 3:48

Um sargento da Polícia Militar de Mato Grosso foi demitido nesta quarta-feira (22) por exigir propina para não vistoriar e apreender cargas de madeira, conforme apontou relatório da Corregedoria Geral da PM. Ele vinha sendo investigado desde 2007 a partir de denúncia formalizada por um empresário do setor madeireiro.

Após a abertura do processo de sindicância, outras cinco vítimas prestaram depoimento. Uma delas informou que teve o caminhão abordado por uma guarnição da Polícia Ambiental na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, e um cabo, acompanhado do sargento que agora foi demitido, disse que a carga estava irregular.

Para a liberação do veículo, exigiram a quantia de R$ 1,2 mil, sendo que R$ 1 mil pelo excesso de carga e o restante por irregularidade no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). Ele disse ainda que o caso se repetiu por várias vezes na região do Coxipó, na capital.

O autor da denúncia informou, durante as investigações, que o sargento se mudou para os fundos da sua empresa e a partir daí passou a persegui-lo, fazendo abordagens em seus caminhões que transportavam madeira. Disse que teve de pagar inúmeras vezes, de R$ 500 a R$ 600, para que o veículo e as cargas não fossem apreendidas.

Outra vítima disse ter recebido a visita do sargento em seu estabelecimento e ficou observando os estoques de madeiras e, ao final, o policial teria cobrado R$ 1 mil para que não acionasse a viatura da PM até o local. O valor foi entregue na residência do sargento.

O empresário relatou ainda que, depois disso, o investigado continuava a fiscalizar seus caminhões e dos outros empresários do ramo madeireiro, em horário de folga e serviço. O sargento, segundo ele, chegou a pedir a quantia mensal de R$ 3 mil para deixar de incomodá-los, mas ele disse que a proposta foi recusada, em reunião realizada na loja do autor da denúncia.

O comandante-geral da PM do estado em exercício, coronel Jorge Catarino Morais Ribeiro, entendeu, por fim, que o sargento "cometeu transgressão disciplinar, não havendo causa de justificação, sendo ao certo que sua conduta feriu os valores éticos, morais, deveres e obrigações dos Militares Estaduais, contidos no Estatuto dos Militares Estaduais de Mato Grosso". Na mesma decisão, ele determinou à diretoria de Gestão de Pessoas o recolhimento imediato de todos os documentos funcionais do ex-sargento e de seus dependentes, bem como os fardamentos e demais apetrechos relacionados ao cargo.          

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